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ENTREVISTA

Falta d’água, vazamentos e serviços são prioridades, diz novo chefe do DAE

Em entrevista ao LIBERAL, Marcos Morelli fala sobre o abastecimento na cidade, aponta problemas e defende mudanças

Por João Colosalle

21 de janeiro de 2024, às 07h54

Marcos Morreli, novo superintendente do DAE de Americana - Foto: Marcelo Rocha/Liberal

O convite do prefeito Chico Sardelli (PV) para o administrador Marcos Morelli, de 48 anos, o pegou de surpresa. Na última semana, ele foi escolhido para chefiar o DAE (Departamento de Água e Esgoto), autarquia que é alvo de grande parte das críticas da população em Americana. Morelli era uma espécie de número 2 do departamento, responsável pela parte de gestão, RH e finanças, e disse ter recebido uma missão do prefeito: acabar com a falta d’água na cidade.

Formado em administração, com foco em comércio exterior, e pós-graduado em gestão de negócios, o novo superintendente do DAE foi professor universitário e teve diversas passagens por órgãos públicos. Em 2012 e 2016 chegou a concorrer para vereador em Americana, tendo ficado com a suplência.

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Em entrevista ao LIBERAL na última sexta-feira, ele falou sobre como vê o abastecimento na cidade, apontou problemas, defendeu mudanças e se disse favorável à concessão do serviço de esgoto da autarquia, uma bandeira da gestão de Chico. E elencou a falta d’água, os vazamentos e a qualidade e eficiência dos serviços do departamento como prioridades. Veja os principais trechos da conversa.

Combate a vazamentos

A escolha de Marcos Morelli para a gestão do DAE ocorreu após reclamações de falta d’água em bairros diversos, noticiadas pelo LIBERAL. O problema, histórico em Americana, tem sido combatido pelo departamento com investimentos em trocas de tubulações e construção de reservatórios.

Morelli afirmou que foi feito um mapeamento dos locais com mais vazamentos e maior consumo na cidade, bem como se os problemas são de pequeno, médio ou grande porte. Também foi ampliado, recentemente, de 11 para 14 o número de equipes que trabalham na manutenção dos vazamentos. Há uma fila de cerca de 500 deles.

Bairros como Jardim Bertoni e Jardim Boer, com tubulações rasas e suscetíveis a vibrações, são os que têm os maiores vazamentos. Outras regiões como Nova Carioba, Parque das Nações e Morada do Sol também são problemáticas.

Hoje, a cidade perde 45% da água tratada durante a distribuição. No Brasil, há regiões que chegam a 51% de perda, segundo dados mais recentes do Instituto Trata Brasil.

Pressão da água

Um dos problemas enfrentados pelas tubulações na cidade, segundo o novo superintendente, é a pressão da água. Em alguns pontos da cidade, a força com que a água circula pela tubulação chega a ser quatro vezes maior do que o necessário. Para conter essa alta pressão, o DAE tem feito testes com válvulas inteligentes, que conversam com hidrômetros digitais – instalados em parte dos domicílios do município.

Marcos Morreli, novo superintendente do DAE de Americana, durante entrevista ao LIBERAL – Foto: Marcelo Rocha/Liberal

Com o sistema, é possível regular a pressão desejada para um trecho da rede de água, o que evita as rupturas e vazamentos provocados pela força do bombeamento. “Isso faz com que os vazamentos diminuam drasticamente”, afirma Morelli.

As válvulas já funcionam em regiões como Jardim Boer, Vila Bertoni, Mirandola e Distrito Industrial Werner Plaas. Também estão em testes no Zanaga e devem se expandir para Praia Azul e Vila Santa Catarina. A tendência é que o sistema funcione para a cidade inteira.

Serviços melhores

Outra prioridade apontada pelo novo gestor do DAE é em relação à eficiência dos serviços. Segundo ele, em alguns casos envolvendo empresas terceirizadas, a velocidade dos procedimentos tem prejudicado a qualidade do que é feito. Ele também cita a necessidade de se investir em peças que sejam de alto padrão, para evitar que serviços não durem e precisem ser refeitos.

Preciso mostrar para a população que o DAE não é esse vilão do povo, apesar de parecer. Não é. Sei que é muito difícil quando você chega na sua casa e abre a torneira e não tem água. Estamos trabalhando incansavelmente e vamos continuar trabalhando”, Marcos Morelli, novo superintendente do DAE de Americana

Bairros problemáticos

Morelli citou os bairros da região do Jardim Terramérica e da Praia Azul como problemáticos na questão do abastecimento, atualmente. No caso do primeiro, ele diz que a infraestrutura implantada na época do surgimento do bairro era para uma ocupação diferente do que se tem atualmente, com condomínios e prédios.

“Onde era para ter uma casa, tem duas, três. Então, o consumo de água aumenta e a população não tem culpa”, comenta. “Só que a construção do prédio é muito mais rápida do que a nossa obra”.

Hoje, no Terramérica, Morelli diz que o DAE consegue distribuir apenas a quantidade necessária de água para o consumo considerado médio no bairro. Por isso, quando há um problema no abastecimento ou picos de consumo, falta água.

Para resolver a situação e ter uma “folga” na distribuição, o DAE construiu um novo reservatório, trocou redes de água na Avenida Cillos, interligadas à Rua Fernando Camargo, e vai instalar uma bomba para mandar mais água para a região do Terramérica.

O ponto de captação de água de Americana no Rio Piracicaba – Foto: Marília Pierre/Prefeitura de Americana

Na região da Praia Azul, o problema é semelhante. “A quantidade de água que o DAE manda é basicamente o que é consumido”. No bairro, o departamento tem feito um bombeamento que irá aumentar em 20% o volume de água que chega na região.

Concessão do esgoto

O novo superintendente do DAE diz ser favorável à concessão do serviço de esgoto de responsabilidade da autarquia. Segundo ele, o investimento para obras necessárias no município é “muito alto” e precisa ser feito em um curto período de tempo, para atender a legislações como o Marco Legal do Saneamento. A obra da ETE (Estação de Tratamento de Esgoto) Carioba é a principal delas.

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