A facção golpeada


A transferência dos líderes da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) de presídios paulistas para unidades mantidas pelo governo federal fora do Estado é medida ousada das autoridades públicas, haja vista que episódio semelhante, anos atrás, em 2006, provocou uma crise de segurança pública sem precedentes que atingiu não apenas as forças policiais, mas também o próprio cidadão.

Mais do que ousada, a medida, fruto de um pedido e de uma determinação judicial, se trata também da decisão mais dura tomada contra a organização criminosa que, hoje, funciona como uma empresa com filiais e representantes por todo do País, inclusive com forte presença na Região do Polo Têxtil como bem demonstram sucessivas operações das polícias e do Ministério Público.

Transferir os 22 líderes da facção, como fez o Estado em uma operação histórica nesta quarta-feira é ação importante que demonstra mais do que uma estratégia contra o PCC, mas também se trata de uma exibição de força.

Nesta briga do Estado contra o crime, os riscos de retaliação colocam a transferência como um teste importante ao novo governo que, diferente dos anteriores, admite a realidade e a necessidade de torná-la uma grande inimiga social ao citá-la nominalmente – e não ao taxá-la de “facção que atua dentro e fora dos presídios”.

Nas cidades da região, bem como Brasil afora, a facção é uma potência criminosa, bem estruturada e até com células autônomas e paralelas, que cresceu nas costas do Estado. Hoje, mais forte do que nunca, faz do tráfico de drogas – seu principal ramo de atuação – um negócio rentável, milionário, que motiva disputas violentas, tornando a sensação de insegurança mais perceptível ao cidadão a cada homicídio ou explosão de caixas eletrônicos registrados e noticiados.

Os efeitos da medida, uma ação integrada, como se espera do combate ao crime, entre diferentes forças e instâncias da administração pública, poderão ser sentidos em breve, sejam eles bons ou maus.

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