20 de julho de 2024 Atualizado 08:41

Notícias em Americana e região

8 de Agosto de 2019 Atualizado 13:56
MENU

Publicidade

Compartilhe

ALÉM DO ESPECTRO

Em Americana, Apae é referência para acolher e tratar quem tem TEA

Entidade inaugurou recentemente espaço voltado para pessoas autistas

Por Ana Carolina Leal

07 de abril de 2024, às 07h39 • Última atualização em 07 de abril de 2024, às 07h42

Autista nível 2 e deficiente auditivo bilateral, Otto Javaroni Giubbina, de 4 anos, é uma das muitas crianças que frequentam a Apae (Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais) de Americana. Ele começou a frequentar a associação com 1 ano e 7 meses. Lá, de segunda à quinta-feira, passa com psicólogo, faz fonoaudiologia e terapia ocupacional.

A Apae é, atualmente, referência no acolhimento e tratamento de crianças, adolescentes e adultos com TEA (Transtorno do Espectro Autista) no município.

📲 Receba as notícias do LIBERAL no WhatsApp

Recentemente, a associação inaugurou o Espaço TEA, voltado para pessoas autistas com 16 anos ou mais. A casa fica na Rua Tapuias, na Vila Brieds e tem, até o momento, 15 assistidos, apesar de ter capacidade para receber 80 pessoas.

O espaço conta com profissionais que colocam em prática todas as habilidades que devem ser estimuladas em cada pessoa autista pensando na autonomia delas. O objetivo é torná-las cada vez mais independentes e com qualidade de vida.

Segundo a diretora da Apae, Ilce Worschech, tanto o atendimento oferecido na associação como no Espaço TEA são baseados na ABA (Análise do Comportamento Aplicada), considerada “padrão-ouro” quando se trata de intervenções realizadas com indivíduos com TEA.

Ilce Worschech, diretora da Apae em Americana – Foto: Marcelo Rocha/Liberal

“O objetivo é trabalhar o desenvolvimento global das habilidades consideradas importantes para o cotidiano e vivência do indivíduo, bem como para a sua relação interpessoal e acadêmica”, afirma. Atualmente, a Apae atende 352 pessoas com autismo.

Mãe de Otto, a dona de casa Jessika Javaroni, de 30 anos, diz que o filho evoluiu muito com o auxílio dos profissionais da Apae. “Ele não fala e agora começou a soltar algumas palavrinhas e a se comunicar por gestos”. 

Leia outras reportagens da série Além do Espectro
➡️ Um olhar sobre o autismo: entenda a condição, o diagnóstico, o tratamento e como lidar
➡️ Proporção de diagnósticos de autismo é maior entre pessoas do sexo masculino
➡️ O autismo entre os adultos: como lidar com o diagnóstico considerado tardio
➡️ Número de alunos autistas quase triplica na rede estadual de Americana
➡️ Famílias de crianças autistas recorrem à Justiça para garantir professores auxiliares
➡️ Considerados deficientes pela legislação, autistas possuem benefícios e atendimento especiais em diversos setores
➡️ Apae de Americana mantém programa para inserção de autistas no mercado de trabalho
➡️ Sem políticas públicas, mães de filhos autistas em Americana e região buscam ajuda entre si em grupo

Segundo Jessika, a deficiência auditiva bilateral acabou camuflando sinais do TEA, como por exemplo, a questão da seletividade auditiva. “Quando ele está em lugares muito movimentados e com pessoas diferentes, os sons que geralmente incomodam os autistas não o incomodam, mesmo quando está com o aparelho auditivo”, comenta.

No entanto, ele apresenta outros sinais como as estereotipias, que são movimentos motores involuntários. “Balança as mãos, cabeça, corre de um lado para o outro, tem hiperfoco em letras e números e mania de enfileirar objetos. Na escola, conta com um auxiliar porque se dispersa bastante, não consegue ficar muito tempo sentado, dentro da sala”, explica Jessika. O que mais preocupa a mãe é a comunicação. “Quando ele crescer, for para o ensino médio, não sei como vai ser”, desabafa.

O menino Otto, de 4 anos, e a mãe Jéssika encontraram apoio na Apae em Americana – Foto: Marcelo Rocha/Liberal

Prefeitura pretende construir clínica-escola para autistas

Em fevereiro deste ano, a Prefeitura de Americana anunciou um aporte de R$ 2,5 milhões para a construção de um Centro de Referência do Autista, em um terreno de sete mil metros quadrados, na Rua Guarujá, no Parque Novo Mundo.

A verba virá por meio de uma emenda parlamentar da deputada federal Renata Abreu (Podemos). O projeto, orçado em R$ 5 milhões, consiste em um espaço especializado no atendimento a pessoas com TEA (Transtorno do Espectro Autista) e que disponibilizará atividades educativas e serviços de saúde.

Segundo o vereador Leco Soares (Podemos), idealizador do projeto, a emenda parlamentar obtida em fevereiro possibilita o início da primeira etapa das obras. Além disso, está previsto o envio de uma nova verba pela deputada para completar o montante necessário.

O objetivo principal é abrigar o Centro Municipal de Educação do Autista “Tempo de Viver”, ligado à Secretaria Municipal de Educação, para fornecer ensino especializado ao grupo. Paralelamente, a Secretaria Municipal de Saúde analisará a contratação de profissionais capacitados para oferecer acompanhamento personalizado, incluindo terapias ocupacionais e consultas psicológicas.

Publicidade