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Americana e Santa Bárbara

Último dia de abertura do comércio não essencial registra aglomeração e filas

Americana e Santa Bárbara d’Oeste tiveram alta na movimentação e comerciantes questionam decisão do governo estadual; estabelecimentos fecham a partir de segunda

Por Maíra Torres

04 jul 2020 às 17:26 • Última atualização 04 jul 2020 às 17:28

O último dia permitido para o funcionamento de comércios não essenciais, neste sábado (4), foi movimentado em Americana e Santa Bárbara d’Oeste, de acordo com comerciantes das duas cidades, que apontam a véspera de pagamento e o anúncio de fechamento a partir de segunda-feira (6) como os motivos do maior número de pessoas nas ruas.

Os consumidores abordados pelo LIBERAL neste sábado, em maioria confirmaram que foram às ruas fazer compras específicas.

Centro de Americana teve grande movimento neste sábado – Foto: Maíra Torres / O Liberal

Americana e Santa Bárbara, assim como as outras três cidades da RPT (Região do Polo Têxtil), se enquadram no DRS (Departamento Regional de Saúde) de Campinas e, por isso, vão voltar a fazer parte da fase 1 (vermelha) do Plano São Paulo, conforme anunciado pelo governador João Doria (PSDB) na última sexta-feira (3).

Uma cena comum no calçadão de Americana foi a formação de filas nas portas de grandes lojas para o pagamento de carnês. Essa era a situação de Júlia Barros, de 20 anos, auxiliar de escritório que esperava para pagar pagar contas numa loja de departamentos, cuja fila ultrapassava os 100 metros.

Com o fechamento do comércio não essencial a partir de segunda-feira, muitos decidiram fazer suas compras neste sábado – Foto: Maíra Torres / O Liberal

“Só vim para pagar o carnê mesmo. Eles seguraram as contas por dois meses e, quando abriu o comércio, eu vim pagar. Agora estou aqui pra saber como vou fazer para pagar nos próximos meses. Já sei que pelo menos uma hora eu vou ficar aqui”, lamentou.

Alguns comerciantes de Americana ainda se disseram surpresos com o anúncio e alegam não saber como proceder com as vendas diante das mudanças, como é o caso de Andreia de Oliveira, gerente de uma loja de roupas.

“Está tudo muito incerto, eu procurei falar com alguns lojistas e uns vão abrir, outros não vão, vão continuar com drive-thru, delivery, outros não sabem se vai ter multa, se o prefeito vai fazer vista grossa… Nós estamos extremamente desamparados, falta uma orientação melhor”, comentou.

Enquanto comerciantes criticaram a decisão do governo estadual, consumidores afirmaram não estar surpresos com a medida – Foto: Maíra Torres / O Liberal

Quando questionada sobre orientação para os lojistas, a Acia (Associação Comercial e Industrial de Americana) disse que foi compartilhado com os comerciantes um comunicado da prefeitura, que traz os termos apresentados pelo governo do Estado para a fase vermelha. A associação disse ainda que está disponível para esclarecer as dúvidas

Os consumidores, por sua vez, não se disseram surpresos com o fechamento das atividades não essenciais. Andrezza Carolina Luca, técnica de enfermagem de 24 anos, afirmou que a situação das ruas reflete a dos hospitais.

“Só a gente que vive dentro dos hospitais sabe. Muitas pessoas estão aqui sem necessidade, não usam delivery das lojas e preferem vir se expor ao vírus. É bastante difícil, as pessoas morrem e a gente não pode fazer nada, remédios não fazem efeito e as pessoas não têm conscientização”, desabafou.

Comércio em Santa Bárbara também teve dia movimentado neste sábado – Foto: Maíra Torres / O Liberal

Santa Bárbara
Já em Santa Bárbara d’Oeste, alguns comerciantes se mostraram decepcionados por conta do retrocesso e apontaram que o comércio está sendo prejudicado em função das aglomerações de outros locais que, mesmo na fase vermelha, devem continuar funcionando, pois atuam como atividades essenciais.

“Temos que priorizar a saúde, mas as pessoas têm que entender, e não é porque eu tenho loja, que a concentração que se tem em farmácia, correios e bancos é muito maior do que no comércio, porque as lojas têm álcool em gel, fazem a higienização e tomam os cuidados. O comércio é que está sendo sacrificado”, destacou Michele Taver, proprietária de uma loja de roupas no Centro.

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