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Revista L - Motors

Carro por assinatura vale a pena?

Modalidade de aluguel cresce no País e demonstra nova mentalidade dos consumidores; confira se solução é para você

Por Isabella Holouka

25 de setembro de 2023, às 11h04 • Última atualização em 25 de setembro de 2023, às 11h07

No total, o setor contava com 1.434.299 veículos em janeiro de 2023 - Foto: Adobe Stock

Na cultura dos brasileiros, os carros são como integrantes das famílias, ao mesmo tempo em que comunicam status social. Para muitas pessoas, ter um carro novo na garagem é um sonho que justifica dívidas extrapolando o orçamento familiar. Na contramão desta realidade, o setor de locação de veículos cresce com uma nova modalidade: carros por assinatura.

Segundo dados da ABLA (Associação Brasileira das Locadoras de Automóveis), no ano passado a frota da modalidade representava 8% do total do setor de locação, porcentagem que aumentou para 10% em 2023. No total, o setor contava com 1.434.299 veículos em janeiro de 2023, incluindo apenas os veículos de empresas de locação – sem contabilizar, portanto, a frota de montadoras que também já oferecem o serviço.

Paulo Miguel, conselheiro e gestor da associação, afirma que o mercado é crescente. “Vemos uma movimentação de pessoas entendendo que é mais inteligente pagar pelo uso do que pela posse, sem precisar se preocupar com nada na utilização do carro no dia a dia”, relata.

Ele conta que a popularidade do serviço de carro por assinatura foi impulsionada pela pandemia da Covid-19. “Nós tínhamos as pessoas saindo do transporte individual e indo para o coletivo. Mas, com a pandemia e o risco de contágio, muitos deixaram o transporte coletivo e voltaram para o individual, em uma medida de proteção. Vemos isso como um fator de crescimento também para os próximos anos”, diz.

O crescimento é sólido, constante e sustentável, e apresenta
potencial de expansão tanto em Pessoa Física quanto no mercado de pequenas e médias empresas, na opinião de Glauco Zebral, diretor Meoo, da Localiza.

“Recentes estudos mostram que o total de assinaturas deve mais que triplicar nos próximos anos e que assinar um carro custa, em média, 40% menos do que comprá-lo via financiamento e 20% menos que adquiri-lo à vista, considerando custos com seguro, manutenção, impostos e depreciação”, pontua o diretor.

Glauco concorda com uma mudança gradual de hábito, em que a posse tem menor relevância do que a conveniência e a comodidade, somadas à possibilidade de economia inerente aos produtos. “Considerando os diferentes perfis de clientes (classes A, B e C; PF e PJ; portadores de CNH), temos um mercado endereçável no Brasil de 14,5 milhões de pessoas, o que mostra o potencial de expansão dessa solução de mobilidade.”

COMO FUNCIONA. Os principais diferenciais da assinatura em relação à locação são o período de contrato, que varia entre 12 e 48 meses, e o acesso a um veículo zero km. Ao final, o cliente pode renovar a assinatura e ter outro carro zero na garagem. Em geral, os pré-requisitos são ter no mínimo 18 anos e CNH definitiva e válida, além de cartão de crédito válido e não ter restrições financeiras.

Existem empresas especializadas nesta modalidade, como a Drive Select e a Flua!. Mas locadoras tradicionais, como Localiza, Movida e Unidas, e a seguradora Porto Seguro, também oferecem carro por assinatura. Dentre as montadoras, estão Audi, Caoa, Chevrolet, Ford, Jeep, Mitsubishi, Nissan, Peugeot, Renault, Toyota e Volkswagen.

É possível encontrar diferentes modelos de carros hatch, sedã, utilitários e SUVs – estes últimos são maioria, segundo a ABLA.Normalmente, o usuário pode personalizar a quilometragem que pretende utilizar, variando entre 500 e 3.000 km/mês, e paga um valor fixo mensal, sem entrada e sem juros.

A comodidade é uma das vantagens mais apontadas pelos consumidores, principalmente devido à gestão integral do carro. Revisões, manutenções, pagamento de tributos e seguro já são considerados na mensalidade e ficam sob responsabilidade das empresas.

Além da estrutura de apoio 24h, elas também costumam oferecer programas de fidelidade ou indicação com benefícios para os clientes. No final das contas, além da mensalidade, o único custo que se tem é com combustível. Os sites costumam disponibilizar simulações com preços, que variam entre R$ 1 mil e R$ 7 mil ao mês, segundo apurou a reportagem.

Comprar ou alugar?

A escolha entre comprar um carro à vista, financiado ou alugar um carro depende de diversos fatores, considerando que há vantagens e desvantagens em todas as opções.

Economista e professor de economia da Fatec (Faculdade de Tecnologia) de Americana, Marcos Dias lembra que comprar à vista elimina juros, proporciona propriedade imediata e poder de negociação, mas requer um grande desembolso, enquanto financiar permite pagamento parcelado, manutenção de liquidez e investimento em outras oportunidades, mas envolve pagamento de juros e restrições contratuais.

Por outro lado, alugar oferece baixo investimento inicial, manutenção inclusa e possibilidade de trocar de carro, mas implica em pagamentos constantes, falta de propriedade e restrições de uso. Já no carro por assinatura, o consumidor tem pagamento fixo mensal, atualização frequente, baixo investimento inicial, mas falta de propriedade, restrições contratuais e alto custo a longo prazo.

“Por isso, deve-se considerar qual será a utilidade do veículo, se será utilizado constantemente, para trabalho, ou eventualmente, para passeios no fim de semana. No meu ponto de vista, o carro por assinatura é vantajoso para quem utiliza em profissões que necessitam de um carro novo constantemente”, opina.

Segundo o especialista, gastos com veículos não devem ser considerados investimentos, e sim custos. Ao fazer uma escolha, é necessário considerar o que os economistas chamam de “custo de oportunidade” – valor que se perde ao escolher entre duas ou mais alternativas. Caso o consumidor opte pelo financiamento ou pela assinatura, mas possua o valor do carro em mãos, a dica é investir no mercado financeiro.

Para Paulo Miguel, da ABLA, a assinatura de veículos é especialmente vantajosa para quem troca de carro a cada dois ou três anos. Ele lembra a importância de considerar também a depreciação dos veículos, e os riscos que os proprietários têm no momento de vendê-los ou trocá-los.

ATENÇÃO. Na hora de assinar o contrato, quem opta pelo carro por assinatura precisa conferir as coberturas de seguro inclusas, se tem direito a um carro reserva ou não, em quanto tempo ele será disponibilizado e o valor da franquia em caso de sinistro, recomenda Paulo Miguel, conselheiro e gestor da ABLA.

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