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Símbolos

Vereadora sugere projeto que pode barrar Festa Confederada em Santa Bárbara

Esther Moraes defende mudança na lei para proibir a realização de eventos com símbolos racistas em solo barbarense

Por Leonardo Oliveira

11 jan 2021 às 18:33 • Última atualização 11 jan 2021 às 18:59

A vereadora Esther Moraes (PL) protocolou nesta segunda-feira (11) um projeto de lei para proibir a realização de festas com símbolos racistas em Santa Bárbara d’Oeste. Um dos objetivos da proposta é mudar a Festa dos Confederados, realizada anualmente no Cemitério do Campo.

Esther propõe alterações no Código de Posturas, que regula o uso do espaço urbano pela população. A ideia é incluir um artigo que proíba a concessão de licença para festas públicas que tenham bandeiras, nomes, emblemas e outros símbolos que façam apologia a movimentos racistas ou segregacionista.

Evento poderia ser realizado, mas sem a utilização da bandeira, de acordo com projeto de lei – Foto: Prefeitura de Santa Bárbara / Divulgação

Da mesma forma, os eventos que já tenham licença sofreriam a cassação dela caso tenham essas simbologias. A Festa dos Confederados é citada na justificativa do projeto como exemplo de opressão e “indiferença com a trajetória do outro”.

“Entendo a necessidade de rememorar a trajetória dos antepassados, mas a simbologia não pode agredir o outro. A festa pode ser realizada, desde que tenha respeito à história e aos descendentes de escravizados, retirando os símbolos confederados e impedindo a entrada de pessoas com trajes que tragam esses símbolos em suas vestimentas”, disse Esther ao LIBERAL.

Símbolo do lado derrotado na guerra civil americana do século 19 e associado ao racismo nos Estados Unidos, a bandeira confederada está perdendo força no país norte-americano há pelo menos uma década.

Projeto é de autoria da vereadora Esther Moraes – Foto: Ernesto Rodrigues / O Liberal

O exemplo mais recente aconteceu em junho do ano passado. Depois de 126 anos, o último estado que ainda ostentava o símbolo, o Mississippi, retirou a marca de sua bandeira. A lei foi sancionada pelo governador Tate Reeves.

A decisão veio na esteira dos protestos raciais que explodiram no país. O assassinato do homem negro George Floyd, de 46 anos, por um policial branco, no dia 25 de maio, em Minneapolis, desencadeou o movimento #BlackLivesMatter (Vidas Negras Importam).

A motivação é histórica e tem como base a guerra civil norte-americana, também conhecida como Guerra da Secessão. O conflito armado começou em 12 de abril de 1861 e só teve fim em 22 de junho de 1865.

Bandeira dos confederados vem perdendo força até mesmo nos Estados Unidos nos últimos anos – Foto: Divulgação

Os estados do Sul se separaram do restante do país diante da perspectiva de terem de desistir da escravidão como mão de obra. Com o passar do tempo, a bandeira confederada se tornou símbolo do racismo e da escravidão para os afro-americanos.

“Santa Bárbara é o único município brasileiro a manter as tradições e a carga de opressão representada pela bandeira dos confederados, demonstrando a falta de dimensão histórica e indiferença com a tragetória do outro”, defendeu Esther.

A reportagem tentou contato com o presidente da Fraternidade Descendência Americana, João Leopoldo Padoveze, para comentar a iniciativa. Ele disse que primeiro precisaria ler o projeto e que só depois poderia responder – adiantou, no entanto, que isso não aconteceria nesta segunda-feira.

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