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Roberto Carlos, The Voice, serestas: as histórias de Gilson, músico e autor de nova marchinha do Carnaval barbarense

Aposentado Gilson Antônio Fernandes, de 74 anos, e seu violão têm muita histórias para cantar, ou melhor, contar

Por Jucimara Lima

11 de fevereiro de 2024, às 08h18 • Última atualização em 11 de fevereiro de 2024, às 12h10

O aposentado Gilson Antônio Fernandes, de 74 anos, e seu violão com certeza têm muita histórias para cantar, ou melhor, contar.

Autor de mais de 50 composições, ele usa a música como forma de homenagear pessoas e situações da vida cotidiana. Hoje, logo mais às 15h, quando o bloco “Apareceu a Margarida” descer a Avenida Monte Castelo, em Santa Bárbara d’Oeste, ele também será uma das vozes que puxará as marchinhas e apresentará a sua mais recente composição, “Apareceu a Margarida”.

Talentoso, Gilson tem facilidade em compor. “Para mim, as canções que escrevi são como filhos e lembro todas de cor”, orgulha-se.

Filho de um trombonista e irmão de uma professora de acordeon, Gilson conta que nasceu no meio musical. “A primeira vez que cantei em público tinha 5 anos”, recorda. Prodígio, ele chegou a ganhar por quatro anos consecutivos a “Grande Gincana Kibon”, promovida pela TV Record, o primeiro programa de auditório infantil do Brasil.

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“Era como um The Voice Kids, mas um pouco diferente porque tinha os melhores do mês, que depois concorriam aos melhores do ano”, explica.

Com o tempo, foi se envolvendo cada vez mais no meio, tendo como marco o período em que trabalhou na equipe de apoio do cantor Roberto Carlos, na época áurea da Jovem Guarda.

Nesse trabalho, costumava abrir os shows do rei. “Fiquei de 66 a 67 na produção dele, então, vivi muita coisa. Roberto é uma pessoa fantástica”, lembra.

Na época da Jovem Guarda, Gilson à direita de Roberto Carlos – Foto: Arquivo Pessoal

Apesar de boas memórias do cantor, o aposentado não esconde uma frustração. “Uma vez apresentei uma música para ele e ele falou que era muito boa, só que eu estava cantando um amor passado e ele estava cantando um amor presente. Depois, disse que eu tinha uma voz aveludada e que me apresentaria um produtor, só que na época acabou não dando certo, em função da rápida ascensão de Roberto, aí nunca mais consegui chegar perto dele”.

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Infelizmente, quando Gilson gravaria o primeiro disco, uma rouquidão de última hora o impediu. “Me apresentaria no programa do comunicador Júlio Rosenberg. Tinha feito shows quinta, sexta e sábado. No domingo, acordei sem voz, porque estava com um calo. Precisei fazer uma raspagem na corda vocal, tentei continuar, mas não consegui. Aos 20 anos, encerrei a carreira.”

O retorno

Nascido em Guarulhos, Gilson veio para a região em 1976, quando ainda tinha 27 anos. Na época, ele se mudou para trabalhar na indústria têxtil e logo se inspirou na cidade de Americana para compor o samba “Filho Adotivo”.

No início dos anos 2000, ele fez um CD apenas com canções católicas, contudo, nunca divulgou o trabalho. “Senti no meu coração o desejo de fazer uma música sobre o calvário de Maria, então, acabei de rezar e escrevi ela inteira.”

Ainda menino, na época da Grande Gincana Kibon da TV Record – Foto: Arquivo Pessoal

Apesar desse breve ensaio de retorno, Gilson não se envolveu mais no universo artístico até 2016, quando conheceu o grupo Amigos Seresteiros. “Fui convidado para assistir um encontro deles na Estação Cultural. Chorei muito quando os vi cantando. Com eles, voltei a compor, cantar, então, sempre digo que os Seresteiros deram vida a minha vida”, acrescenta.

Muito ativo, o grupo tem como objetivo resgatar a seresta. “Cantamos canções do passado e levamos emoção para muitos corações.”

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The Voice. Em 2022, Gilson viveu mais um grande momento. Após ser relacionado entre os 60 melhores candidatos de todo Brasil, ele foi convidado para participar do The Voice+, da TV Globo.

Infelizmente, novamente os imprevistos impediram o aposentado de realizar o sonho, a começar pelo voo cancelado.

“Precisava estar no Rio de Janeiro às 9h e acabei chegando quase 11h”. Ainda assim, ele chegou a ensaiar, gravar a entrevista com André Marques, porém, devido a um problema com o celular, ficou incomunicável no quarto de hotel e perdeu a vez da apresentação.

Gilson e seu violão têm “muitas histórias para cantar” – Foto: Claudeci Junior / Liberal

“Foi tão frustrante que cheguei a colocar o meu violão à venda. Tudo aquilo me fez reviver todas as dificuldades que já tinha passado”, lamenta.

Esperança

Ainda assim, o amor pela música falou mais alto e a participação nos Seresteiros fez com que ele refletisse sobre seu talento e voltasse a se alegrar.

“Tudo que me magoou é coisa do passado. Eu amo demais minha família, tenho os Seresteiros, minha segunda família, e tenho consciência que o dom que Deus me deu é um presente, então, eu me sinto muito grato por tudo”, diz.

Atualmente, Gilson está gravando um CD autoral com 12 músicas, sendo que duas faixas já estão prontas. Questionado sobre o que pretende com o trabalho, ele mantém a humildade e resiliência que, assim como o amor à música, lhe acompanharam até aqui. “Apenas deixar registrada a minha música. Só isso”, finaliza.

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