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Covid-19

Médico da Unicamp que coordenou estudos comemora eficácia da Coronavac

Especialista aponta que ao reduzir ocorrência de casos graves, imunizante vai diminuir hospitalizações e sequelas deixadas pela doença

Por Marina Zanaki

08 jan 2021 às 07:30

A notícia da eficácia de 78% da vacina Coronavac foi comemorada por especialistas, que destacam a capacidade do imunizante de reduzir os casos graves e internações pela doença Covid-19.

Coordenador do estudo da Coronavac na Unicamp, um dos 16 Centros onde a terceira fase de testes foi realizada, o médico Francisco Hideo Aoki definiu a eficácia como “enorme” e destacou sua importância no controle da pandemia.

“É extremamente importante pois protege 100% contra doença graves e de média complexidade. Ou seja, indivíduos que teriam que ir para a terapia intensiva é bem provável que não tenham que ir caso sejam vacinados, ou mesmo não ser internados”, analisou o médico.

Francisco Hideo Aoki – Foto: Antonio Scarpinetti / Unicamp

Infectologista do Instituto Emílio Ribas, que também participou dos testes, Rosana Richtmann disse que a vacina atende ao principal requisito para controle da pandemia.

“O nosso primeiro objetivo é diminuir o impacto da doença na fase aguda que vê nos hospitais e as consequências da doença, que são as sequelas que a gente tem visto. O impacto dessa pandemia nos casos graves hospitalizados é muito grande”, disse a médica durante a coletiva de imprensa no Instituto Butantan.

Os dois médicos lembram da importância do acesso aos dados mais detalhados da terceira fase, não detalhados na coletiva. Esses dados foram enviados à Anvisa e serão divulgados em publicações científicas.

Ainda falta também indicar se há diferença na eficácia entre idosos, já que esse grupo tem imunologia diferente de indivíduos mais jovens, situação já foi identificada nas duas fases anteriores dos testes.

O grupo de voluntários conta com pessoas acima de 60 anos e não foi identificado nenhuma diferença até o momento, mas um estudo específico com idosos está previsto.

Responsabilidade
Aoki contou que as informações passadas pelos 16 Centros que coletaram os dados da fase três foram avaliados por duas empresas de auditoria que atuam de forma “cega”, ou seja, sem conhecer os resultados.

“Os 16 centros que coletaram esses dados, enviam esses dados de maneira cega, eles também não sabem o que acontece, e isso faz com que essas empresas analisem e devolvam esse resultado de eficácia, que é extremamente segura”, afirmou.

“Lógico que vamos ver os resultados de exames, os cientistas querem ver em maiores detalhes. Mas genericamente é isso que deve ter acontecido e a responsabilidade institucional do Instituto Butantan não faria a divulgação que não fosse real”, garantiu o médico.

Outro aspecto positivo em relação à seguridade da terceira fase de testes é o fato de que os voluntários estavam na linha de frente do coronavírus, extremamente expostos à infecção.

“São profissionais que atendem diretamente, manipulam. São enfermeiros, técnicos, fisioterapeutas, residentes, que atendem diretamente esses pacientes. Esse resultado é extremamente importante, e acho que ficamos assim bastante seguros”, defendeu.

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