Dise prende grupo suspeito de execuções a mando do PCC

12 pessoas são investigadas por realizar “tribunais do crime” na região; duas vítimas já foram identificadas pela polícia


Em uma operação realizada nesta terça-feira, a Dise (Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes) de Americana prendeu 12 pessoas suspeitas de realizarem, na região, os chamados “tribunais do crime”, julgamentos em que o PCC (Primeiro Comando da Capital) determina punições a quem “viola suas normas”. Duas vítimas já foram identificadas.

Foto: Denny Cesare / Código 19 / Estadão Conteúdo
Mandados de prisão e busca e apreensão foram cumpridos pela Dise (Delegacia de Investigação Sobre Entorpecentes)

Uma delas foi condenada à morte pela facção criminosa por molestar uma criança, crime pelo qual foi absolvido na Justiça. Investigações realizadas na época apontavam que o verdadeiro responsável pelo crime sexual seria o padrasto da criança que, para se livrar da polícia, denunciou outra pessoa para a organização criminosa.

O jovem, de 21 anos, foi sequestrado e agredido no Jardim dos Lírios e seria morto a marretadas, mas o crime foi impedido pela PM (Polícia Militar), que prendeu três pessoas em flagrante após receber uma denúncia anônima.

As investigações derivadas dessas prisões levaram aos indícios de participação das pessoas presas nesta terça-feira.

“Nos celulares apreendidos foram encontradas informações sobre julgamentos que estavam sendo feitos. A partir daí foi realizado um trabalho que nos permitiu identificar vítimas e pedir os mandados de prisão e de busca e apreensão”, explica o delegado responsável pela especializada, Luiz Carlos Gazarini.

Além da vítima que sobreviveu, a Polícia Civil já identificou mais uma, que teria sido morta pelo grupo. O corpo dela nunca foi encontrado. Por conta do sigilo nas investigações, o delegado não quis informar o nome dessa pessoa nem a data do desaparecimento.

Os mandados foram expedidos pela Vara do Júri de Americana, que será responsável pelos processos de crimes contra a vida, e pela 2º Vara Criminal, onde devem correr as ações penais pelos outros crimes.
Ao todo, foram cumpridas 43 ordens de busca e apreensão, nove de prisão temporária (com prazo de 30 dias) e um de prisão preventiva (que não tem data para expirar). Duas pessoas foram detidas em flagrante.

Nos locais vistoriados, foram apreendidas drogas, armas e munições, além de uma marreta, bastante utilizada nas execuções determinadas pelo PCC. Também foram localizados R$ 11,7 mil em dinheiro.

A ação contou com apoio da DIG (Delegacia de Investigações Gerais), de equipe aérea do SAT (Serviço Aerotático), subordinado ao Deic (Departamento de Investigações sobre Crime Organizado), e da Polícia Civil de Piracicaba. Todos os envolvidos vão responder pelos crimes de homicídio (tentado e consumado), ocultação de cadáver, tráfico de drogas e organização criminosa.

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