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OPERAÇÃO TORRE EIFFEL

Traficantes movimentaram R$ 50 milhões e usaram time de futebol da região de Americana para lavar dinheiro, diz PF

Operação da Polícia Federal de Jales prendeu alvos em Americana, Santa Bárbara, Nova Odessa e Sumaré na manhã desta terça-feira

Por João Colosalle

28 de novembro de 2023, às 10h54 • Última atualização em 28 de novembro de 2023, às 16h04

Operação da PF apreendeu armas e munições - Foto: Polícia Federal/Divulgação

As investigações da Polícia Federal de Jales identificaram que o grupo criminoso alvo da Operação Torre Eiffel, deflagrada na manhã desta terça-feira (28), movimentou cerca de R$ 50 milhões em transações financeiras, mobiliárias e imobiliárias relacionadas ao tráfico de drogas, utilizando contas de “laranjas”.

Uma das formas de promover a lavagem de dinheiro do comércio de drogas seria o “patrocínio” em um time de futebol da região de Americana – detalhes sobre qual seria este time não foram revelados pelos investigadores.

A investigação, que durou quase um ano, chamou a atenção da polícia. “É uma investigação de quase 12 meses e a evolução que ela tomou nos últimos cinco meses, até a gente ficou espantado, pela quantidade de pessoas envolvidas que nós nem imaginávamos”, disse o delegado Marco Morini, da Polícia Federal.

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Ainda na manhã desta terça, a operação estava em andamento. Na região, policiais do 10° Baep, que apoiam a ação da PF de Jales, confirmaram prisões em Americana, Santa Bárbara d’Oeste, Nova Odessa e Sumaré.

Até a publicação desta reportagem, a polícia havia confirmado ao menos oito prisões na região e 14 mandados de busca e apreensão – incluindo Piracicaba -, mas não deu detalhes sobre onde estas prisões foram feitas nem sobre as suspeitas que recaem sobre os alvos.

Além da região, a operação mira suspeitos e endereços em outras onze cidades de São Paulo (Jales, Santa Fé do Sul, Votuporanga, São José do Rio Preto, Monte Aprazível, Rio Claro, Piracicaba e Guarujá), Santa Catarina (Balneário Camboriú) e Minas Gerais (Catuti).

Policiais federais e do 10° Baep atuam na região na Operação Torre Eiffel – Foto: 10º Baep/Divulgação

Em Americana, os policiais do Baep cumpriram mandados de busca e apreensão e de prisão nos bairros Jardim da Balsa, Residencial Jaguari e Jardim Nossa Senhora de Fátima.

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Já em Santa Bárbara, as buscas e prisões foram feitas em bairros da zona leste da cidade – Jardim Pérola, Jardim Esmeralda, Cidade Nova II e Planalto do Sol II.

Em Nova Odessa, houve um preso no bairro Campos Verdes. Na cidade de Sumaré, a operação foi ao Centro e ao Jardim Volobueff, na região de Nova Veneza.

Como funcionava o esquema

As investigações da PF identificaram um grande esquema de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro que tinha como base o município de Santa Fé do Sul, na região de Jales. A ação dos criminosos, entretanto, repercutia em outras cidades do interior paulista.

Em Santa Fé, a PF diz ter identificado pelo menos duas empresas suspeitas – um hotel e um centro de beleza estética – que foram adquiridas pelo líder do grupo para lavagem de dinheiro do tráfico.

“A esposa dele figura como sócia no CNPJ dessas empresas, que tinham movimentação financeira atípica suspeita. Dois homens foram presos nesta cidade”, informou a polícia.

No município de Jales, as investigações demonstraram que o grupo tinha integrantes que “lavavam” o dinheiro do tráfico em empresas de mototáxi e em um restaurante, além da prática de agiotagem e compra e venda de imóveis e veículos de luxo. Dois empresários foram presos.

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Em Votuporanga, a PF apreendeu veículos em uma revenda, que mantinha movimentação financeira com outro indivíduo que foi preso na cidade de Balneário Camboriú, mas que administrava de lá vários pontos de vendas de drogas em Votuporanga.

Ação da PF contou com apoio do Baep na região de Americana – Foto: 10° Baep/Divulgação

De acordo com as investigações, estima-se que somente nos últimos dois anos, o grupo movimentou mais de R$ 50 milhões em transações financeiras, mobiliárias e imobiliárias relacionadas ao tráfico de drogas utilizando contas de empresas adquiridas pelo líder do grupo bem como em contas de “laranjas” da organização criminosa na compra e venda de bens móveis e imóveis.

Dentre as formas de “lavar” o dinheiro do tráfico de drogas, informou a PF, foram identificadas movimentações financeiras relacionadas a centros de beleza e estética, hotéis, concessionárias de revenda de veículos, empresas de mototáxis, açougue, supermercado, compra e venda de bens móveis, imóveis, entre eles uma cobertura no litoral, jet-skis, lanchas, joias, veículos de luxo e até mesmo o patrocínio de um time de futebol da região de Americana.

“As investigações também demonstraram a relação do líder do grupo com integrantes de facções criminosas. Entre os presos está a esposa do líder do grupo, que é advogada e acredita-se que ela utilizava a sua prerrogativa para atender aos interesses do marido e da organização criminosa principalmente relacionadas a alguns detentos vinculados ao grupo, que estão no sistema prisional paulista. Estas e outras informações serão aprofundadas com a continuidade das investigações”, informou a PF.

Os presos responderão por vários crimes relacionados ao tráfico de drogas e lavagem de dinheiro com penas máximas de até 30 anos de reclusão. Os detidos serão conduzidos para unidades prisionais da região em que foram detidos.

Colaborou Cristiani Azanha

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