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Delação CCR

Promotor pede investigação à Polícia Federal

LIBERAL revelou depoimentos sobre pedidos de doação irregular por Cauê Macris, Antonio Mentor e Chico Sardelli, que negam acusação

Por Walter Duarte

02 de junho de 2019, às 09h06 • Última atualização em 02 de junho de 2019, às 09h14

O promotor de Justiça Flávio Eduardo Turessi, da 1ª Zona Eleitoral de São Paulo, pediu à PF (Polícia Federal) que investigue os políticos citados pela holding CCR – empresa dona de concessionárias de rodovias – como beneficiários de Caixa 2.

Em março, O LIBERAL revelou que três políticos de Americana – o deputado estadual Cauê Macris (PSDB) e os ex-deputados Antonio Mentor (PT) e Chico Sardelli (PV) – estão na relação. Os três negam recebimento de recursos não contabilizados para campanhas.

Foto: Arquivo / O Liberal
Cauê Macris, Antonio Mentor e Chico Sardelli negam acusações

O Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) da Capital remeteu para Turessi, em janeiro, os depoimentos do “termo de autocomposição” firmado com a empresa para investigação de possíveis ilícitos na esfera eleitoral.

Nesses casos, a investigação é sempre conduzida pela PF e um eventual processo correria no TRE (Tribunal Regional Eleitoral). A pena máxima prevista no Código Eleitoral para o crime de “falsidade ideológica eleitoral” é de cinco anos de prisão, além de multa.

A reportagem questionou a Assessoria de Imprensa do Ministério Público Estadual sobre a demora na adoção da medida – já que a investigação foi pedida em maio. Não houve resposta.

Segundo os ex-executivos da CCR, Mentor, Macris e Sardelli solicitaram pessoalmente as doações, que eram ilícitas já que concessionários de serviços públicos, como rodovias, não podiam colaborar com campanhas políticas.

Foto: MP-SP / Divulgação
Promotor de Justiça Flávio Eduardo Turessi que que o caso seja investigado pela Polícia Federal

Cauê e Chico foram citados por Maurício Vasconcelos, ex-presidente da CCR AutoBAn, concessionária do sistema Anhanguera-Bandeirantes. Já Mentor foi delatado por José Roberto Gonzaga Meirelles, ex-assessor da presidência do grupo. Todos os depoimentos foram confirmados por Renato Vale, ex-presidente da Holding CCR.

Ao longo das negociações, a promotoria concluiu que os eventuais crimes cometidos pelos executivos – falsidade ideológica e associação criminosa – já estavam prescritos. A CCR fez acordo para pagar R$ 81 milhões em multas.

Quando os depoimentos foram divulgados pelo LIBERAL, Mentor disse que não havia tido acesso a eles, e se sentida “enojado” com as declarações. Por meio de sua assessoria, Cauê disse que “todas as doações recebidas pelo parlamentar foram legais, declaradas e aprovadas pela Justiça Eleitoral”. Já Sardelli declarou que seu relacionamento com Vasconcelos era “republicano”. “Todas as minhas doações foram recebidas de forma legal”, disse.

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