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POLÍCIA

Operação Torre Eiffel: como foi a ação da PF e do Baep em Americana e região

Policiais fizeram prisões em Americana, Santa Bárbara d'Oeste, Nova Odessa e Sumaré em investigação sobre esquema milionário de tráfico de drogas

Por João Colosalle

28 de novembro de 2023, às 16h46 • Última atualização em 28 de novembro de 2023, às 18h11

Ação da PF contou com apoio do Baep na região de Americana - Foto: 10° Baep/Divulgação

A ação da Polícia Federal e de policiais militares do 10° Baep na região, em cumprimento de mandados da Operação Torre Eiffel, nesta terça-feira (28), teve prisões e apreensões de armas, drogas, carros e até uma lançha.

A investigação, conduzida há quase um ano pela Polícia Federal de Jales, mirou suspeitos de integrarem um grupo criminoso envolvido em tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. Estima-se a movimentação de cerca de R$ 50 milhões provenientes da venda de drogas.

“É uma investigação de quase 12 meses e a evolução que ela tomou nos últimos cinco meses, até a gente ficou espantado, pela quantidade de pessoas envolvidas que nós nem imaginávamos”, disse o delegado Marco Morini, da Polícia Federal de Jales, em coletiva de imprensa.

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O 10° Baep, batalhão de ações especiais da PM paulista, atuou como apoio da Polícia Federal para o cumprimento de mandados de prisão e de busca e apreensão na região. No final da manhã desta terça, o batalhão divulgou um resumo das ações que participou. Veja os destaques:

Americana

Agentes foram fizeram diligências em ao menos três bairros da cidade. No Jardim da Balsa II, um alvo foi preso por tráfico. Também foram localizados cheques e anotações de movimentações financeiras.

No Residencial Jaguari, foi cumprido um mandado de busca e apreensão em uma residência. Já no Jardim Nossa Senhora do Carmo, o alvo dos mandados – inclusive de prisão – não foi localizado.

Santa Bárbara

Policiais prenderam um homem no Jardim Pérola, que revelou manter uma pistola de calibre 9mm, carregador e munições embaixo da cama. Com ele, também foram apreendidos cinco celulares e anotações que seriam referentes ao tráfico de drogas.

Pistola apreendida em Santa Bárbara – Foto: 10° Baep/Divulgação

Ainda no bairro, outro homem chegou a ser procurado, mas não foi encontrado.

No bairro Planalto do Sol II, também na zona leste barbarense, um homem foi alvo de busca e mandado de prisão. Segundo a polícia, os agentes precisaram arrombar a entrada da residência e, ao entrarem no quintal, avistaram o suspeito, que tentou se trancar dentro de casa, mas foi alcançado.

Em busca na residência, foram encontradas drogas na chaminé da churrasqueira. A polícia apreendeu porções de maconha e cocaína e R$ 8,2 mil em dinheiro.

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Em relação a este alvo, também foram apreendidos três veículos, uma lancha, uma balança de precisão e sete aparelhos eletrônicos, entre celulares, notebooks, tablet e DVR.

No Jardim Esmeralda, um suspeito de 28 anos, alvo da operação, também foi preso.

Nova Odessa

Em Nova Odessa, policiais receberam informação de que um dos alvos da operação estaria escondido na casa de uma irmã, onde o encontraram, no bairro Campos Verdes. A prisão ocorreu mais tarde, já no andamento da ações, por volta de 10h30.

Sumaré

A busca e apreensão em Sumaré terminou em prisão. Policiais foram até uma residência no Jardim Volobueff, na região de Nova Veneza, e encontraram equipamentos e maquinários utilizados para o preparo, refino e embalagem de cocaína, além de porções da droga prontas para serem comercializadas. O suspeito foi preso.

Policiais federais e do 10° Baep cumprem mandados em endereço de Sumaré – Foto: 10º Baep/Divulgação

Como funcionava o esquema

As investigações da PF identificaram um grande esquema de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro que tinha como base o município de Santa Fé do Sul, na região de Jales. A ação dos criminosos, entretanto, repercutia em outras cidades do interior paulista.

Em Santa Fé, a PF diz ter identificado pelo menos duas empresas suspeitas – um hotel e um centro de beleza estética – que foram adquiridas pelo líder do grupo para lavagem de dinheiro do tráfico.

“A esposa dele figura como sócia no CNPJ dessas empresas, que tinham movimentação financeira atípica suspeita. Dois homens foram presos nesta cidade”, informou a polícia.

No município de Jales, as investigações demonstraram que o grupo tinha integrantes que “lavavam” o dinheiro do tráfico em empresas de mototáxi e em um restaurante, além da prática de agiotagem e compra e venda de imóveis e veículos de luxo. Dois empresários foram presos.

Em Votuporanga, a PF apreendeu veículos em uma revenda, que mantinha movimentação financeira com outro indivíduo que foi preso na cidade de Balneário Camboriú, mas que administrava de lá vários pontos de vendas de drogas em Votuporanga.

De acordo com as investigações, estima-se que somente nos últimos dois anos, o grupo movimentou mais de R$ 50 milhões em transações financeiras, mobiliárias e imobiliárias relacionadas ao tráfico de drogas utilizando contas de empresas adquiridas pelo líder do grupo bem como em contas de “laranjas” da organização criminosa na compra e venda de bens móveis e imóveis.

Dentre as formas de “lavar” o dinheiro do tráfico de drogas, informou a PF, foram identificadas movimentações financeiras relacionadas a centros de beleza e estética, hotéis, concessionárias de revenda de veículos, empresas de mototáxis, açougue, supermercado, compra e venda de bens móveis, imóveis, entre eles uma cobertura no litoral, jet-skis, lanchas, joias, veículos de luxo e até mesmo o patrocínio de um time de futebol da região de Americana.

“As investigações também demonstraram a relação do líder do grupo com integrantes de facções criminosas. Entre os presos está a esposa do líder do grupo, que é advogada e acredita-se que ela utilizava a sua prerrogativa para atender aos interesses do marido e da organização criminosa principalmente relacionadas a alguns detentos vinculados ao grupo, que estão no sistema prisional paulista. Estas e outras informações serão aprofundadas com a continuidade das investigações”, informou a PF.

Os presos responderão por vários crimes relacionados ao tráfico de drogas e lavagem de dinheiro com penas máximas de até 30 anos de reclusão. Os detidos serão conduzidos para unidades prisionais da região em que foram detidos.

Colaborou Cristiani Azanha

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