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POLÍTICA

Justiça manda vereador bolsonarista excluir vídeo com ataque à vereadora de Americana

Felipe Corá, de Santa Bárbara, sugeriu ácido sulfúrico para “lavar a boca” da vereadora Professora Juliana, do PT

Por João Colosalle e Maria Eduarda Gazzetta

04 ago 2021 às 10:27 • Última atualização 04 ago 2021 às 11:43

O vereador de Santa Bárbara, Felipe Corá, em vídeo em que ataca Professora Juliana - Foto: Redes sociais / Reprodução

Uma decisão da Justiça de Americana determinou que o vereador Felipe Corá (Patriota), de Santa Bárbara d’Oeste, retire em até 24 horas um vídeo em que faz ataques à vereadora Professora Juliana (PT), de Americana.

Conhecido pelo alinhamento com o presidente Jair Bolsonaro, Corá publicou um vídeo em sua página no Facebook e em seu perfil no Instagram, no dia 27 de julho, em que ataca a parlamentar fazendo afirmação como a de que ela é “defensora de bandido” e de posições como o direito ao aborto e a ideologia de gênero.

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O vídeo do ataque é uma resposta a uma fala da vereadora, durante sessão da Câmara de Americana, em que ela critica o tratamento precoce contra Covid-19 defendido pelo presidente e representantes do governo federal, sem comprovação de eficácia.

“Lave sua boca com ácido sulfúrico antes de falar do presidente Jair Bolsonaro, você é uma vergonha”, ataca Corá. Até a manhã desta quarta-feira (4), o vídeo tinha mais de 11 mil visualizações e 138 comentários, parte deles ofendendo a vereadora.

O caso ganhou repercussão no meio político após manifestações de correligionários da petista. As secretarias nacional e estadual de Mulheres do PT divulgaram nota de solidariedade à vereadora.

“Além de disseminar mentiras através de frases feitas, sem qualquer respaldo científico, validando as falas negacionistas do governo bolsonaro, ele [Corá] faz uma ameaça de violência física, incentivando a violência contra mulheres e o feminicídio. Tipo de crime que só tem aumentado nos últimos anos, principalmente por ser validado por figuras públicas, como a do vereador, que ao invés de usar seu espaço de fala para coibir e combater a violência, usa para propagar intolerância e ódio”, diz a nota.

A vereadora Professora Juliana – Foto: Claudeci Junior / Câmara de Americana

A ação protocolada por advogados da vereadora (leia aqui), na manhã desta terça-feira (3), defende que o discurso de Corá ultrapassou os limites de atuação legislativa e chegou ao nível de ofensa pessoal e de gênero contra a Professora Juliana. Corá é integrante da Comissão de Direitos Humanos da Câmara de Santa Bárbara.

“A violência produzida pelo vereador em face da requerente [Professora Juliana] configura quebra de decoro parlamentar e afeta mulheres de todas as classes sociais. Nos dias atuais a violência contra as mulheres é entendida não como um problema de ordem privada ou individual, mas como um fenômeno estrutural, de responsabilidade da sociedade como um todo”, afirma a ação.

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A decisão pela exclusão do vídeo (leia aqui) foi do juiz Fábio D’Urso, da Vara do Juizado Especial Cível de Americana, nesta terça-feira. O magistrado determinou que o conteúdo seja retirado das redes em até 24 horas. Corá diz não ter sido notificado.

Além do pedido para remoção do vídeo, a vereadora também cobra uma indenização por danos morais no valor de R$ 10 mil, além da retratação pública do parlamentar.

Outro lado

Questionado sobre a decisão da Justiça, Corá disse ao LIBERAL que “é um tremendo atentado à liberdade de expressão”.

“De forma arbitrária, a Justiça tende a beneficiar a vereadora que usou de sua prerrogativa como parlamentar para deferir ataques ao presidente Jair Bolsonaro. De forma democrática debati no campo das ideias de forma enérgica e fiz, sim, duras críticas à vereadora Juliana e não à ela como mulher. Ela por ser mulher não está imune a críticas. Até porque em nenhum momento falei nada no pessoal e sim me referi à vereadora de Americana”, disse.

Sobre dizer para a vereadora lavar “sua boca com ácido sulfúrico”, o vereador disse que a frase é uma figura de linguagem. “Eu não disse que lavaria a boca da vereadora e sim recomendei como uma figura de linguagem, força de expressão que está sendo tirada de contexto a fim de colocar a vereadora numa posição vitimista”.

Sobre a retirada do vídeo nas redes sociais, o parlamentar disse que ainda não foi notificado pela Justiça e que está consultando o que fazer no caso. “Sou cumpridor da lei. Se a decisão final for para a retirada do vídeo, será feito”.

Em nota, a vereadora Professora Juliana disse que “é inaceitável que um vereador utilize seu posto para fomentar discurso de ódio contra minha orientação político-partidária, para fazer afirmações levianas sobre meus posicionamentos políticos e para naturalizar a violência contra as mulheres. Não se trata, portanto, de manifestação de ideias ou de divergências políticas, mas de discurso de ódio, porque foge à racionalidade, é hostil, insulta, intimida e constrange”, disse.

Ainda de acordo com ela, “é fundamental que haja uma punição exemplar para evitar que casos de violência como esse continuem ocorrendo na nossa sociedade. Nosso objetivo com a indenização é reverter o valor para entidades que trabalhem com mulheres vítimas de violência”.

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