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OPERAÇÃO MARCO POLO

Justiça manda soltar contador preso por lavagem de dinheiro

Marcelo Rodrigo Pio está proibido de deixar a cidade e deve permanecer em recolhimento domiciliar no período noturno e dias de folga

Por André Rossi

02 jun 2020 às 08:18 • Última atualização 02 jun 2020 às 08:43

A 2ª Vara Criminal de Americana mandou soltar na última sexta-feira o empresário Marcelo Rodrigo Pio, de 44 anos, acusado dos crimes de lavagem de dinheiro e ocultação de bens.

Ele foi preso em outubro do ano passado na Operação Marco Polo, do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) de Piracicaba.

Responsável por conceder a liberdade provisória, o juiz Eugênio Augusto Clementi Júnior é o mesmo que aceitou a denúncia apresentada pelo MP (Ministério Público) contra o empresário.

O homem está proibido deixar a cidade e deve permanecer em recolhimento domiciliar no período noturno e nos dias de folga até que o caso seja julgado.

De acordo com seu advogado, Anderson Pio, o réu já deixou o CDP (Centro de Detenção Provisória) de Americana e não concederá entrevista. “Não vamos nos manifestar porque não tem nada julgado”, resumiu o defensor.

Empresário foi preso na academia da qual era proprietário, que fechou dois dias depois da prisão dele – Foto: João Carlos Nascimento – O Liberal.JPG

A investigação do Gaeco aponta que Marcelo movimentou mais de R$ 300 milhões nos últimos cinco anos em um esquema de lavagem de dinheiro que utilizava sete empresas de fachada.

O empresário foi preso em Americana no dia 29 de outubro de 2019 na academia Performance Gym, da qual é proprietário e que fechou as portas dois dias depois da prisão.

Em entrevista ao LIBERAL em 30 de outubro, o promotor responsável pelo caso, Alexandre de Andrade Pereira, diz que o homem era contratado para lavar o dinheiro de traficantes e estelionatários. Em seguida, direcionava a verba para contas no exterior, em paraísos fiscais. Marcelo recebia de comissão uma porcentagem sobre cada movimentação financeira.

Além dos crimes de lavagem de dinheiro e ocultação de bens, o empresário também foi denunciado por evasão de divisa. Esse crime ocorre quando o dinheiro é enviado ao exterior sem que seja declarado.

Na denúncia apresentada pelo MP, existe a relação das sete empresas utilizadas pelo contador. Uma delas, a Manfrini Importação, Serviços e Logística Eirelli-EPP, sediada em Americana, movimentou R$ 54 milhões no período de 27 de setembro de 2016 a 14 de agosto de 2018.

Apesar da movimentação financeira, a Manfrini nunca registrou empregados, segundo o MP, que apontou ainda que o endereço da empresa é o mesmo onde funciona o escritório de advocacia do irmão do réu, Anderson Natal Pio, que não foi denunciado no caso.

Dos R$ 54 milhões movimentados pela Manfrini, R$291.904,79 foram creditados em favor da empresa por Victor Jun Ho Kim, que foi denunciado em 2014 pelo MPF (Ministério Público Federal) de São Paulo por um esquema de evasão de divisas por meio de importações reais e falsas. Ele e mais três pessoas atuavam em uma quadrilha que foi desmantelada em 2011 na Operação Pomar.

‘Falido’

Nas alegações finais apresentadas no processo no dia 3 de abril, a defesa afirma que Marcelo está “falido”.

Entretanto, o termo não foi utilizado para caracterizar sua situação jurídica, e sim “para demonstrar a condição de fracasso; ruína, insucesso financeiro do réu, quando de sua prisão”.

Para ilustrar o ponto, o advogado diz que o único bem que o empresário tinha era sua caminhonete Amarok, avaliada em R$ 35 mil.

Além disso, é dito que o homem possui uma série de débitos relacionados a escola das filhas, dívidas pessoais e também da esposa. O montante citado é de R$ 873 mil, dentre outras pendências financeiras que não foram citadas.

“Como já salientado anteriormente, o réu está completamente endividado, não sendo crível, que se tivesse participação na lavagem de dinheiro pelo menos suas contas pessoais estariam em dia, sem que seu nome estivesse não órgão de proteção de crédito, sendo despejado na academia onde administrava, devendo vários anos o colégio das filhas”, argumentou Pio.

A defesa pondera ainda que o Gaeco e o MP não conseguiram provar que Marcelo cometeu o crime de lavagem de dinheiro, nem que tinha acesso às contas bancárias. Um exemplo citado é de que houve movimentação na conta do Santander, em nome da Manfrini, horas depois de Marcelo ser preso.

A tese é contestada pelo MP. “Não é possível, apenas com base nas informações trazidas pela Instituição Financeira, identificar a localização do usuário no momento das transações bancárias”, rebateu o promotor Alexandre.

O acusado admitiu ser contador de seis empresas citadas, com exceção da S.E.R. Transportes. No entanto, diz que nunca se beneficiou das transações bancárias e que “sequer sabia ou tinha conhecimento das vultuosas quantias que eram operadas em cada empresa”.

Podcast Além da Capa
O novo coronavírus representa um desafio para a estrutura de saúde de Americana, assim como outros municípios da RPT (Região do Polo Têxtil), mas não é o primeiro a ser encarado. H1N1, dengue, malária, febre maculosa. Outras doenças também modificaram rotinas, exigiram cuidados além do trivial – ainda que não tenha havido quarentena, como agora – e servem de experiência para traçar paralelos com o atual cenário. Nesse episódio, o editor Bruno Moreira conversa com a repórter Marina Zanaki, que assina uma série de reportagens sobre outras epidemias em Americana.