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Eleições 2020

Filho liderou eleição de Chico a prefeito: ‘dever cumprido’

Franco Ravera Sardelli deixou a plateia para se tornar agente ativo na campanha do pai, próximo prefeito de Americana

Por João Colosalle

29 nov 2020 às 07:55 • Última atualização 29 nov 2020 às 09:53

A primeira lembrança de Franco Ravera Sardelli da vida política do pai remonta a 2000. No final de junho daquele ano, Chico Sardelli, então filiado ao PFL, lançara candidatura a prefeito de Americana.

Em uma festa na Fidam, o grande palco dos eventos da época, o empresário americanense reuniu 2,5 mil pessoas para apresentar a chapa com o ex-prefeito Carroll Meneghel (PL). Seria a segunda das cinco tentativas de chegar ao paço da Avenida Brasil.

Franco tinha nove anos. Dali até a adolescência, ainda veria o pai tentar por mais duas vezes assumir o governo. Chico, hoje no PV, perderia nas duas eleições municipais seguintes, em 2004 e 2008, mas, neste entretempo, se tornaria deputado estadual, em 2006, sedimentando a atuação política com mandatos consecutivos.

Franco Sardelli, em entrevista ao LIBERAL no escritório político do pai, no Jardim São Paulo – Foto: Marcelo Rocha / O Liberal

Vinte anos depois daquela noite agitada na Fidam, o cenário em 2020 foi outro. Formado em direito pela PUC-Campinas e com experiência empresarial e comercial, Franco deixou a plateia para se tornar agente ativo na campanha do pai, em uma nova tentativa de ser prefeito.

O convite surgiu há cerca de um ano, quando atuava representando Chico no shopping Via Direta, de propriedade da família Sardelli. Na época, o pai passou a cogitar a candidatura e a necessidade de ter alguém ao lado, de
confiança, para coordenar a campanha.

Filho único do casamento de Chico com a professora universitária Lionela Ravera Sardelli, Franco não chegou a opinar se concordava ou não com a candidatura do pai, mas embarcou na missão. “Me senti no dever de ajudar”, contou ao LIBERAL em entrevista na última segunda-feira.

CAMPANHA
Desde então, o escritório político do pai, no Jardim São Paulo, passou a ser parte da rotina de Franco Sardelli. E o “dever de ajudar” se tornou, na verdade, a liderança da campanha vitoriosa do ex-deputado.

Franco, de 29 anos, não tinha experiência na atividade política, mas contou com o auxílio de quem já acompanhava o pai há anos, dentre eles, o ex-secretário municipal Jesuel de Freitas.

Com a candidatura de Chico definida, o trabalho intenso teve início a partir do segundo semestre. A estrutura da equipe de campanha foi dividida em
quatro frentes: comunicação, marketing, jurídico e política.

O fato de ser um velho conhecido dos americanenses e a concorrência de adversários mais jovens, com atuação mais recente no meio político, fez a candidatura tomar um rumo esperado.

A imagem do ex-deputado foi moldada para realçar a experiência de quem, há anos, representa a população. “Acabamos chegando à conclusão que essa era a característica mais forte, que o diferenciava muito dos outros”,
comentou Franco.

Em uma campanha marcada pela pandemia do novo coronavírus, o que se viu, porém, foi uma disputa que ultrapassou o campo das ideias e propostas. Apontado como o nome a ser batido nas urnas, apesar de um cenário aberto, Chico foi alvo de ataques recorrentes de candidaturas adversárias.

Na última semana antes da votação, houve apreensões de materiais distribuídos pela cidade contra o ex-deputado. Antes, a equipe jurídica da campanha já derrubara na Justiça conteúdos falsos.

Episódios como este levaram Franco a lidar com uma situação que, na sua avaliação, foi a mais desafiadora: conciliar a parte emocional e familiar, o papel de filho, com a coordenação da campanha.

“Eu sou uma pessoa racional, mas todo mundo entendeu que, além da parte política, comigo ainda mexia com a parte emocional, de ser filho. Mas a equipe foi sensacional, porque todo mundo entendeu isso”, disse. “Eu no começo me peguei muito, assim, querendo revidar”.

Chico se comportara diferente, segundo Franco. Para o ex-deputado, a política é um jogo de xadrez. Não de boxe. “Você percebia que ele escutava, entendia, digeria o problema. Ele não se abala tanto”.

Com os ataques, o trabalho da equipe se dividiu entre a campanha e a tentativa de minimizar os danos pelos adversários. “O maior estrago de tudo isso não foi nem o material em si. Foi mais a equipe tendo que parar para correr atrás desse tipo de coisa”.

ELEIÇÃO
No dia da eleição, a mistura de ansiedade com nervosismo começou a se dissipar logo após o encerramento da votação. Antes mesmo das 18h, a partir da verificação de boletins das urnas, a expectativa era a de que a eleição viria. “Vai dar”, dizia Chico, eleito prefeito ao final da noite, com 40.014 votos, pouco mais de dez mil a mais do que a segunda mais votada.

Para o coordenador e filho, a sensação foi de dever cumprido. “Fizemos uma campanha limpa. Não fizemos uma campanha agressiva. muito pelo contrário, mas propositiva e defensiva”, defendeu Franco, que diz não saber se pretende ajudar o pai no governo a partir de 2021.

Correção: diferente do informado, as eleições de 2000 foram a segunda de Chico Sardelli a prefeito. Ele concorreu por cinco vezes (92, 2000, 2004, 2008 e 2020). Texto corrigido às 9h52 deste domingo (29).

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