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Americana

Em reabertura, Americana tem Centro lotado e desrespeito às normas sanitárias

Grandes redes varejistas nem tinham aberto as portas no Calçadão, mas filas já eram formadas na parte externa sem respeitar o distanciamento de 1,5 m entre clientes

Por Leonardo Oliveira

01 jun 2020 às 14:29 • Última atualização 02 jun 2020 às 07:42

Americana retomou as atividades comerciais na manhã desta segunda-feira (1º) com um movimento acima do esperado pelos lojistas. Embora animados com o retorno das vendas, muitos comerciantes relataram preocupação com o desrespeito das normas sanitárias para combater a proliferação do novo coronavírus (Covid-19).

Para reabertura gradual da economia da cidade dentro do “Plano São Paulo”, do governo estadual, a Prefeitura de Americana editou diversas regras como abertura dos estabelecimentos somente por 4 horas e número reduzido de clientes dentro das lojas.

Comércio de Americana reabriu nesta segunda-feira e viu grande movimento de pessoas, aliado ao desrespeito às normas sanitárias – Foto: Marcelo Rocha / O Liberal

A reportagem do LIBERAL percorreu o Centro da cidade nas primeiras horas da reabertura. As grandes redes varejistas nem tinham aberto suas portas no Calçadão, mas filas já eram formadas na parte externa. Na maior parte delas não era respeitado o distanciamento de 1,5 m entre os consumidores.

Além disso, muitos estabelecimentos não cumpriam com o que diz o decreto publicado no último sábado pela Prefeitura de Americana e tinham mais consumidores do que funcionários dentro dos comércios. Houve aglomeração de pessoas, principalmente, naqueles dedicados à venda de roupas.

“Se todo mundo colaborar, não vai ter problema não. Está bem mais movimentado do que a gente imaginava. O pessoal não tá respeitando, você vê aglomeração. O pessoal não mantém a distância que precisa, eu acho que tem que ser mais consciente”, disse o proprietário da Yoko Fashion, em Americana, Clóvis Yamasaki.

A justificativa usada por aqueles que decidiram ir até o Centro foram das mais diversas. Enquanto uns alegavam a necessidade de comprar algum produto específico, outros só queriam mesmo era sair de casa.

“Estou há três meses em casa. Eu estou estressada. Costumava sair todo dia, andava nas lojas. Não tenho medo. Eu não vou me matar dentro de casa. Se é um vírus, você vai pegar aqui, vai pegar dentro de casa, onde você tiver”, disse a dona de casa Aura Dias, de 62 anos.

Questionada pelo LIBERAL, a Prefeitura de Americana informou que não notificou comerciantes nesta segunda, mas que foi feito o trabalho de orientação.

“É natural que neste primeiro dia de funcionamento haja algumas infrações, que tendem a ser corrigidas nos dias subsequentes. Hoje se identificou, sobretudo, filas para pagamentos de carnês acumulados em algumas lojas”, diz a nota enviada ao LIBERAL.

Plano São Paulo

Americana faz parte da região do DRS (Departamento Regional de Saúde) de Campinas, que se enquadra na segunda fase do “Plano São Paulo”. Com isso, foi possível a reabertura com restrições de shoppings center, imobiliárias, concessionárias, escritórios e lojas de rua.

A retomada econômica no Estado de São Paulo é realizada de acordo com a classificação das regiões, que foi definida pelo governo paulista com base na disponibilidade de leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) para o novo coronavírus (Covid-19) e na evolução dos casos durante a pandemia.

Região será classificada novamente em 15 dias e poderá avançar, retroceder ou permanecer na mesma fase de reabertura econômica – Foto: Divulgação

A cada 7 dias haverá uma reclassificação com base na evolução dos indicadores. A partir daí, a cada 15 dias, a região poderá ser “promovida” a fases mais flexíveis. Entretanto, o Estado alerta que há possibilidade de regressão, conforme a evolução das características locais.

Isso significa que Americana e região podem voltar para a fase 1, “Alerta Máximo”, voltando para a quarentena rígida e com abertura apenas dos comércios considerados essenciais.

Podcast Além da Capa
O novo coronavírus representa um desafio para a estrutura de saúde de Americana, assim como outros municípios da RPT (Região do Polo Têxtil), mas não é o primeiro a ser encarado. H1N1, dengue, malária, febre maculosa. Outras doenças também modificaram rotinas, exigiram cuidados além do trivial – ainda que não tenha havido quarentena, como agora – e servem de experiência para traçar paralelos com o atual cenário. Nesse episódio, o editor Bruno Moreira conversa com a repórter Marina Zanaki, que assina uma série de reportagens sobre outras epidemias em Americana.