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AMERICANA, 145 ANOS

Ocupação avança para regiões do Pós-Represa e Pós-Anhanguera

Município planeja desenvolvimento de áreas até então desocupadas, conciliando zonas residenciais, comerciais e industriais

Por André Rossi

27 ago 2020 às 08:54 • Última atualização 27 ago 2020 às 17:16

Com uma área de quase 134 km², Americana não tem muitas áreas sem seu perímetro urbano para crescer. No entanto, as duas principais regiões que serão desenvolvidas nos próximos anos carregam um grande potencial para o comércio, turismo e habitações de interesse social.

Uma delas é a região do Pós-Represa, que representa um terço do território da cidade. Neste mês de agosto, inclusive, a câmara aprovou o projeto de regularização daquela área, conhecida como Apama (Área de Preservação Ambiental de Americana).

De acordo com o secretário de Planejamento da cidade, Angelo Marton, o estudo da região foi feito para conciliar o zoneamento industrial com o comércio e a residência do trabalhador. A ideia é de que a prestação de serviço também seja acessível.

“Para o sistema viário do Pós-Represa a gente procurou colocar vias arteriais com ciclovias, prevendo que o emprego fique próximo da moradia. Para que a pessoa possa se locomover até por bicicleta naquela região”, explicou Marton.

Estrada Municipal Ivo Macris, que avança pela região do Pós-Represa, em Americana – Foto: Marcelo Rocha / O Liberal

Ainda na questão da locomoção, a Estrada Vicinal Ivo Macris terá um papel importante para o desenvolvimento da região. Atualmente, a via passa por uma perícia judicial para identificar falhas na pavimentação, já que é alvo de uma disputa entre prefeitura e Estado para determinar de quem é a responsabilidade pela manutenção.

“A Ivo Macris, que liga Paulínia a Americana, é a artéria principal. A gente procurou convergir todo o sistema viário para aquela rodovia. Está no processo para ser recuperada. Toda a área da Apama vai estar interligada com essa rodovia”, disse Marton.

Tegião do Pós-Represa representa um terço do território da cidade – Foto: Renan Magri – RM Drone

Os empreendimentos que lá se instalarão vão ditar a necessidade de investimentos nas áreas da saúde e educação, segundo o secretário. A ideia é que boa parte dos equipamentos públicos sejam implantados via contrapartida das empresas.

No curto prazo, uma das prioridades é resolver o problema de abastecimento de água e tratamento de esgoto. Já existem assentamentos na região que dependam da infraestrutura.

“O que a gente está fazendo hoje é tentar um convênio com Paulínia e Cosmópolis, cidades mais próximas da área, para procurar atender o que já está instalado lá. Como é muito distante de Americana, nós estamos tentando uma parceria com esses dois municípios para atender a curto prazo essa necessidade”, ressaltou Marton.

O secretário de Habitação e Desenvolvimento Urbano da cidade, Charley Cornachione, aponta que foram definidas algumas regiões de zona mista que podem ter loteamentos abertos horizontais e verticais no futuro. No entanto, não é um grande volume.

“A gente entende que aquela região tem outros potenciais, como o turístico, e também o econômico. O desenho inicial que a Apama traça para aquela região tem sim previsão para núcleos habitacionais, e aí quando ela começar a se desenvolver, serão destacadas áreas para instalação de equipamentos e projetos do município, que podem surgir a partir desse destacamento de núcleos de interesse social para baixa renda”, esclareceu Charley.

Viadutos

Os maiores vazios urbanos da cidade se concentram na região do Pós-Anhanguera. Entretanto, o desenvolvimento da área só pode acontecer após a implantação de dois viadutos de transposição na Rodovia Anhanguera (SP-330).

Rodovia Anhanguera em trecho que passa por Americana – Foto: Fernando Giordano / Divulgação

Isso porque um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) firmado com o MP (Ministério Público) prevê que dois viadutos devem ser construídos para evitar congestionamentos e estrangulamento do tráfego. O primeiro teria de ser entregue em 2022, enquanto o segundo até 2027.

A prefeitura já iniciou um diálogo com a Artesp (Agência de Transporte do Estado de São Paulo) para encontrar uma saída, já que não dispõe do recurso necessário para construção dos viadutos. O primeiro tem custo estimado em R$ 10 milhões, enquanto o segundo seria de R$ 15 milhões.

“Enquanto não se iniciar a primeira obra, esse TAC trava toda a expedição de documentação e habite-se no local. Se não tiver o viaduto começando, o empreendedor não vai ter o habite-se e não vai poder vender essas unidades”, diz o secretário de Planejamento.

Um dos estudos realizados em conjunto com a Artesp propõe uma solução alternativa enquanto não se constrói o viaduto. A iniciativa, no entanto, precisaria do aval do MP.

“A ideia era fazer o prolongamento de uma marginal, que passa em frente ao posto rodoviário. Essa marginal entraria direto no viaduto de Americana, exclusiva para quem vem do sentido interior. Fora do fluxo da Anhanguera principal. Se for aceita essa solução, o promotor flexibiliza esse TAC de 2022, deixando o viaduto mais para frente”, explicou Marton.

Segundo o secretário de Habitação, já existem dois projetos de interesse social aprovados para no Pós-Anhanguera. Um deles é da Cooperteto (Cooperativa Nacional da Habitação e Construção), que prevê 98 unidades pelo Minha Casa Minha Vida Entidades.

O segundo é de responsabilidade da Asta (Associação dos Sem-Teto de Americana). O loteamento com 439 unidades será aberto, horizontal e construído pelo Minha Casa Minha Vida.

Ambos já estão com projeto aprovado. No caso do primeiro, basta liberação do governo federal para início das obras, enquanto o segundo passa por um reenquadramento junto à Caixa Econômica Federal.

“Já deveriam ter sido entregues, mas diante de tudo que aconteceu… Esses processos são desde a época da Dilma, e aí teve a virada Dilma-Temer. Agora Bolsonaro, pandemia. Tudo isso vem colaborando para o governo federal ir postergando. Como depende exclusivamente do governo, não dá para estabelecer uma data”, afirmou Charley.

Negócios

Existem ainda dois distritos industriais que serão desenvolvidos nos próximos anos. Um fica na região da Avenida São Jerônimo, enquanto outro está na Avenida 9 de Julho.

No final do mês passado, a Secretaria de Planejamento lançou o programa Invista Americana. Elaborado pelo GIA (Grupo Investe Americana), o objetivo é divulgar a cidade para empreendedores e atrair novos investimentos, o que inclui os novos distritos que estão praticamente vazios no momento.

“São distritos que estão prontos para as empresas virem se instalar”, comentou Marton. “O grupo foi formado com a colaboração de alguns empresários e a gente elaborou esse material de divulgação bilíngue. É para mostrar para quem está fora o que Americana tem para oferecer”, disse.

Um vazio em pleno Centro

Entre os poucos vazios urbanos que existem em Americana, um deles chama atenção pela localização estratégica. Trata-se de uma área no cruzamento entre as ruas Marechal Deodoro da Fonseca e Dom Pedro, no Centro.

Área no Centro, entre as ruas Marechal Deodoro da Fonseca e Dom Pedro, que deve se tornar um projeto habitacional com 64 apartamentos – Foto:

O terreno pertence à União e já teve um projeto habitacional da Cooperteto aprovado em 2015. Serão 64 apartamentos para famílias já inscritas no cadastro habitacional.

Segundo a diretora administrativa da Cooperto, Norma Roseli Segatti, após a liberação da verba por parte do governo federal, o prazo para término das obras é de até três anos. O custo estimado é de R$ 7 milhões.

“Está 100% aprovado, já tramitou em todos os órgãos competentes e nós só estamos aguardando o ‘ok’ do governo para poder começar a obra. É uma área de patrimônio da União e a Cooperteto entrou com o pedido”, contou Norma.

Na visão do secretário de Habitação, o empreendimento dará uma “nova vida” para a região. Hoje, o Centro é basicamente ocupado por comércios que encerram as atividades até às 19 horas. Depois disso, se torna praticamente um vazio urbano.

“Ali tem alguns prédios de um padrão mais médio e alto. E agora vai chegar um prédio de padrão social. Quando as famílias foram habilitadas, elas tinham de ter renda máxima de R$ 1,8 mil. Estamos falando, em termos urbanísticos, de um projeto bem emblemático”, classificou Charley.

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