Americana atinge o seu maior índice de envelhecimento

Pela primeira vez desde 1980, início da série histórica, cidade tem mais idoso que criança de até 14 anos


Foto: João Carlos Nascimento - O Liberal
Idosos superam o número de crianças em Americana

Para cada 100 crianças com idade entre 0 e 14 anos, existem 101 idosos em Americana. É o maior índice de envelhecimento na cidade desde o início da série, em 1980. Os dados são da Fundação Seade (Sistema Estadual de Análise de Dados).

Atualmente, a Prefeitura de Americana elabora licitação para contratar uma empresa que será responsável por realizar o “diagnóstico do idoso” na cidade. A partir deste documento, será formulado um Plano Municipal com ações voltadas à população idosa (leia texto ao lado).

O índice da Fundação Seade considera a proporção de pessoas com mais de 60 anos por 100 indivíduos de 0 a 14 anos. Em 1980, o índice era de 19,88%, ou seja, eram cerca de 19 idosos para 100 crianças. O balanço mais recente é de julho deste ano e bateu os 101,33%, índice superior ao registrado no Estado de São Paulo no mesmo período: 78,13%.

Segundo Tirza Aidar, pesquisadora do Departamento de Demografia do IFCH (Instituto de Filosofia e Ciências Humanas) e do Nepo (Núcleo de Estudos de População Elza Berquo), ambos da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), o índice é “bem alto”.

“É resultado de dois processos demográficos de longo e médio prazos. A forte e constante diminuição da fecundidade nas últimas décadas e a melhoria das condições de saúde, aumentando a longevidade das gerações nascidas há mais de 60 anos, época em que a fecundidade era bem alta”, comentou Tirza.

A pesquisadora diz que o principal desafio é compreender as necessidades de uma população “muito heterogênea”. Em 2018 haviam em Americana 59 pessoas com mais de 100 anos, segundo o Informativo Socioeconômico da cidade.

“De 60 a 70 anos, em sua grande maioria, especialmente entre os mais escolarizados, os idosos ainda têm boa saúde. Necessitam bastante de atendimento médico, de prevenção, mas também de lazer, espaço para cultura e praticidade de convivência, e às vezes até de trabalho, pois ainda têm muita experiência, muita energia e muito conhecimento”, explicou Tirza.

“Na outra ponta, temos os idosos com mais de 80 anos. Aí sim precisam realmente de muitos cuidados médicos e também de entretenimento, de companhia, de atividades que auxiliem na qualidade de vida”, disse.

Prefeitura vai elaborar diagnóstico do idoso

A Prefeitura de Americana tem um convênio de R$ 125 mil com o governo do Estado de São Paulo para elaborar um diagnóstico do perfil da população idosa local. O vínculo foi aditado e o prazo para execução é até abril de 2020. O governo Omar Najar (MDB) informou que está em processo de licitação, mas não deu nenhuma previsão para a publicação do edital.

“A partir do diagnóstico, vamos formular um Plano Municipal com ações voltadas ao atendimento das demandas do município quanto à população idosa, em conjunto com todas as secretarias e, posteriormente, concretizá-lo de forma a melhor atender esse público”, disse a prefeitura.

Coordenadora do grupo da terceira idade Vida Nova, Maria Helena Neves Fernandes, de 67 anos, conta que as principais reclamações envolvem o atendimento na Saúde e também no transporte público.

“Está a desejar. O pessoal demora muito para ser atendido. Também se queixam do transporte, que os motoristas não têm paciência com os idosos. O problema mesmo é no transporte e saúde. Opções de lazer tem várias”, comentou.

De acordo com o vereador Gualter Amado (PRB), que é presidente do Comid (Conselho Municipal do Idosos) de Americana, a elaboração do diagnóstico é fundamental para identificar as ações necessárias.

“O mais importante para a gente é esse diagnóstico, que até agora não saiu do papel. O dinheiro já está na conta. Dentro do próprio Comid se formou uma comissão para acompanhar a empresa no diagnóstico, com pessoas do Creas (Centro de Referência Especializado de Assistência Social), de várias entidades”, disse Gualter.

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