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Fundação Seade

Americana atinge o seu maior índice de envelhecimento

Pela primeira vez desde 1980, início da série histórica, cidade tem mais idoso que criança de até 14 anos

Por André Rossi

25 ago 2019 às 08:51 • Última atualização 25 ago 2019 às 08:52

Foto: João Carlos Nascimento - O Liberal
Idosos superam o número de crianças em Americana

Para cada 100 crianças com idade entre 0 e 14 anos, existem 101 idosos em Americana. É o maior índice de envelhecimento na cidade desde o início da série, em 1980. Os dados são da Fundação Seade (Sistema Estadual de Análise de Dados).

Atualmente, a Prefeitura de Americana elabora licitação para contratar uma empresa que será responsável por realizar o “diagnóstico do idoso” na cidade. A partir deste documento, será formulado um Plano Municipal com ações voltadas à população idosa (leia texto ao lado).

O índice da Fundação Seade considera a proporção de pessoas com mais de 60 anos por 100 indivíduos de 0 a 14 anos. Em 1980, o índice era de 19,88%, ou seja, eram cerca de 19 idosos para 100 crianças. O balanço mais recente é de julho deste ano e bateu os 101,33%, índice superior ao registrado no Estado de São Paulo no mesmo período: 78,13%.

Segundo Tirza Aidar, pesquisadora do Departamento de Demografia do IFCH (Instituto de Filosofia e Ciências Humanas) e do Nepo (Núcleo de Estudos de População Elza Berquo), ambos da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), o índice é “bem alto”.

“É resultado de dois processos demográficos de longo e médio prazos. A forte e constante diminuição da fecundidade nas últimas décadas e a melhoria das condições de saúde, aumentando a longevidade das gerações nascidas há mais de 60 anos, época em que a fecundidade era bem alta”, comentou Tirza.

A pesquisadora diz que o principal desafio é compreender as necessidades de uma população “muito heterogênea”. Em 2018 haviam em Americana 59 pessoas com mais de 100 anos, segundo o Informativo Socioeconômico da cidade.

“De 60 a 70 anos, em sua grande maioria, especialmente entre os mais escolarizados, os idosos ainda têm boa saúde. Necessitam bastante de atendimento médico, de prevenção, mas também de lazer, espaço para cultura e praticidade de convivência, e às vezes até de trabalho, pois ainda têm muita experiência, muita energia e muito conhecimento”, explicou Tirza.

“Na outra ponta, temos os idosos com mais de 80 anos. Aí sim precisam realmente de muitos cuidados médicos e também de entretenimento, de companhia, de atividades que auxiliem na qualidade de vida”, disse.

Prefeitura vai elaborar diagnóstico do idoso

A Prefeitura de Americana tem um convênio de R$ 125 mil com o governo do Estado de São Paulo para elaborar um diagnóstico do perfil da população idosa local. O vínculo foi aditado e o prazo para execução é até abril de 2020. O governo Omar Najar (MDB) informou que está em processo de licitação, mas não deu nenhuma previsão para a publicação do edital.

“A partir do diagnóstico, vamos formular um Plano Municipal com ações voltadas ao atendimento das demandas do município quanto à população idosa, em conjunto com todas as secretarias e, posteriormente, concretizá-lo de forma a melhor atender esse público”, disse a prefeitura.

Coordenadora do grupo da terceira idade Vida Nova, Maria Helena Neves Fernandes, de 67 anos, conta que as principais reclamações envolvem o atendimento na Saúde e também no transporte público.

“Está a desejar. O pessoal demora muito para ser atendido. Também se queixam do transporte, que os motoristas não têm paciência com os idosos. O problema mesmo é no transporte e saúde. Opções de lazer tem várias”, comentou.

De acordo com o vereador Gualter Amado (PRB), que é presidente do Comid (Conselho Municipal do Idosos) de Americana, a elaboração do diagnóstico é fundamental para identificar as ações necessárias.

“O mais importante para a gente é esse diagnóstico, que até agora não saiu do papel. O dinheiro já está na conta. Dentro do próprio Comid se formou uma comissão para acompanhar a empresa no diagnóstico, com pessoas do Creas (Centro de Referência Especializado de Assistência Social), de várias entidades”, disse Gualter.