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Notícias que inspiram

A viagem de férias que virou uma luta contra a Covid-19

Guarda municipal de Americana, que passou mais de 100 dias internado em Maceió, volta ao trabalho

Por Jucimara Lima

15 de maio de 2022, às 09h14

Casal tem três filhos; Janaina, única mulher, acompanhou a entrevista - Foto: Marcelo Rocha - O Liberal.JPG

Os passos são mais lentos, porém não menos firmes e corajosos. Praticamente um ano após viver o pior pesadelo da vida, o guarda municipal José Luiz Muller, de 62 anos, voltou ao trabalho na Gama (Guarda Municipal de Americana).

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Segundo relatos dos companheiros, quando retornou, há cerca de dois meses, ele ainda não caminhava sozinho, contudo, aos poucos, ele, que já venceu tantos desafios, vai deixando a fragilidade física para trás.

Na última semana, ele levou nossa equipe para conhecer sua sala de trabalho, que inclusive, fica no alto de uma escadaria. “É muito bom vê-lo encarando as escadas, mesmo devagarzinho, no tempo dele”, comenta o instrutor de policiamento Sebastião Geraldo, de 59 anos, uma das pessoas que mais ajudaram durante no processo de recuperação e que considera o amigo “um verdadeiro guerreiro”.

Muller teve sua história bem repercutida na cidade, pois chegou a ficar 112 dias internado na UTI (Unidade de Tratamento Intensivo) de um hospital de Maceió (AL), por complicações decorrentes da Covid-19.

Após uma longa batalha pela vida, travada em abril de 2021, apenas no dia 7 de março desse ano que ele conseguiu, contrariando até expectativas médicas, a voltar ao trabalho, mesmo caminhando com dificuldade e sentindo dores na perna e no pé esquerdo, sequelas da doença que também prejudicou seus rins.

Para a família, ver Muller reconquistando sua vida é uma providência divina. “Ele é o milagre dos milagres. O estado que ele ficou não era para sobreviver, mas graças a Deus tenho o meu marido de volta”, comenta Maria Aparecida da Silva Muller, de 61 anos, esposa do guarda.

Início do pesadelo. A viagem para Maceió era um sonho antigo do casal que até então nunca havia andado de avião. “Saímos daqui para um passeio de sete dias e só voltamos mais de 100 dias depois”.

O casal recorda que assim que chegaram ao aeroporto de lá, Muller mal conseguia andar e foi direto para uma UPA (Unidade de Pronto Atendimento), onde testou positivo para Covid-19.

“Depois disso, apaguei. Fiquei 50 dias desacordado, passei por seis semanas de hemodiálise, fui intubado, fiz traqueostomia, me colocaram de barriga para baixo e não lembro de nada”, conta.

Dos 112 dias de internação, o guarda passou mais de 80 na UTI, dos quais 26 foram intubados. Hemorragia estomacal, anemia profunda, falência dos rins, perda de peso (foram 34 kg) e muitos outros problemas deixaram sua saúde tão frágil que ele demorou seis meses para voltar a caminhar.

A Guarda me ajudou muito, tanto espiritualmente quanto financeiramente. Agradeço desde o diretor e seus assessores até os guardas.
Sou muito grato, muito grato mesmo. O suporte que eles nos deram foi fundamental. A verdade é que foi uma rede muito grande de solidariedade.”

José Luiz Muller
José Luiz Muller, de 62 anos, retornou à rotina na Gama; infecção da Covid o deixou 26 dias intubado em Alagoas – Foto: Marcelo Rocha – O Liberal.JPG

Solidariedade na dificuldade. Apesar de todas as dificuldades emocionais e financeiras enfrentadas pelo casal, nunca lhe faltou solidariedade. Familiares, amigos e principalmente o pessoal da Gama se uniram para dar o suporte necessário. Além deles, os próprios médicos que fizeram atendimento também contribuíram.

“Ele ficou pele e osso, então precisava tomar uma alimentação especial pela veia que custava mais de R$ 500 por dia, e o SUS não queria cobrir. Fiquei sabendo que eles fizeram uma vaquinha”, conta a esposa.

O cuidado foi tanto que até hoje uma das médicas que atendeu Muller, Solange Novelli, dá suporte mesmo de longe. “Deus colocou quatro médicos muito especiais para me atender, então, acho que sobrevivi porque não era minha hora, mas também pela dedicação deles”.

Após todo susto, afirmam: assim que puderem, vão voltar a Maceió. “Quero curtir minhas férias”, brinca o guarda.

História na Guarda
Com 34 anos de serviços prestados à Guarda, Muller é aposentado desde 2008, mas continuou fazendo serviços internos. Em sua trajetória, atuou no atendimento de ocorrências externas e no monitoramento e transporte de menores.

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