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Revista L

Síndrome do Coração Partido: o que é?

Vítimas apresentam alteração súbita e transitória do músculo do coração, semelhante ao infarto; causas estão ligadas ao emocional

Por Débora de Souza

02 jul 2019 às 09:58

A Síndrome do Coração Partido se refere a uma alteração súbita no músculo cardíaco após um intenso episódio de estresse emocional ou físico, comprometendo o funcionamento do coração. Seus sintomas são semelhantes aos de um infarto agudo do miocárdio (ataque cardíaco): dores no peito, palpitações, fraqueza intensa e falta de ar.

Não se sabe ao certo a causa exata da síndrome, no entanto, ela é associada à liberação exagerada de adrenalina no corpo, provocada por grande estresse. Situações como um acidente, a notícia de um diagnóstico de doença grave, o fim de um relacionamento, a morte de um ente querido, demissão e mesmo episódios de alegria como ganhar na Mega-Sena, podem desencadear o problema.

“A síndrome é um quadro de instalação súbita, como a um infarto. No entanto, ela ocorre após um longo período de descarga de adrenalina em excesso no coração, provocada por esse estado de estresse, de pânico, de ansiedade prolongados”, explica o cardiologista e cardiogeriatra, Ricardo Silveira, de Americana.

Também conhecida como Síndrome de Takotsubo ou miocardiopatia do estresse, ela foi reconhecida pela primeira vez em 1993, no Japão. Geralmente acomete mulheres orientais e caucasianas com idade acima de 40 anos. “Embora rara, a síndrome pode acontecer em qualquer idade, seja homem ou mulher, dependendo do estresse que a pessoa vive”, ressalta Silveira. Estudos revelam ainda uma segunda hipótese para a ocorrência da síndrome: o hiperconsumo de energia pelo coração ocasionado por uma inversão em seu metabolismo. A causa dessa mudança não é conhecida.

O cardiologista Diego Garcia diz que a síndrome ainda necessita de estudos para ser melhor compreendida. Mas, ele cita uma pesquisa realizada pela Universidade do Arkansas, nos Estados Unidos que usou um banco de dados de cerca de mil hospitais americanos e detectou que mulheres com menos de 55 anos de idade são cerca de nove vezes mais propensas a sofrer com a síndrome em relação aos homens dessa idade. “As causas exatas para isso ainda não foram esclarecidas, novos estudos são necessários”, observa Garcia.

Miocardiopatia do estresse

Nas situações de estresse elevado, o coração é bombardeado por substâncias chamadas catecolaminas que, por sua vez, alteram o movimento de contração do músculo – como ocorre durante um ataque cardíaco. A síndrome somente é detectada após realização de exames laboratoriais.

Foto: Adobe Stock
Vítimas apresentam alteração súbita e transitória do músculo do coração, semelhante ao infarto

“A pessoa chega ao hospital com dores no peito e o eletrocardiograma sugere que ela esteja tendo um infarto, que é a principal causa de morte no mundo. O quadro é tratado como sendo um infarto. Ela passa por outros exames e é encaminhada ao cateterismo cardíaco de urgência. É aí que se pode ver que não se trata de um infarto e sim da Síndrome do Coração Partido”, explica o cardiologista Ricardo Silveira.

Diferente do infarto, o coração acometido pela síndrome não apresenta obstrução das vias coronárias. Ou seja, apesar da contração do músculo estar alterada, as artérias estão “limpas”. A miocardiopatia do estresse ou Síndrome do Coração Partido representa apenas 1% dos casos de cardiopatias registradas ao longo de um ano.

O também cardiologista Diego Garcia explica que a síndrome possui um menor risco de mortalidade, quando comparado ao infarto. Segundo ele, na síndrome, o órgão diminui a sua função, mas volta ao normal em semanas ou meses. “Já em um infarto as artérias coronárias se encontram obstruídas totalmente ou parcialmente e parte do coração não volta a funcionar posteriormente”, esclarece Garcia.

Atenção psicológica

Apesar de se tratar de uma lesão transitória do músculo cardíaco – com duração de até 30 dias –
é fundamental o acompanhamento cardiológico e psicológico para recuperação do paciente.

“As sessões podem ser individuais ou em grupo, dependendo do paciente e da intensidade com que ele recebe algumas situações. Às vezes, no início do tratamento, ele não consegue elaborar suas emoções sendo necessária intervenção psiquiátrica para regulação bioquímica do corpo, para que não se desregule facilmente”, explica a psicóloga e consultora de relacionamento do site Amor&Classe, Yris Monalizza.

“Todo estresse é somatizado pelo corpo. Em algumas pessoas surgem manchas ou espinhas na pele, outras ficam sem dormir, têm dores de cabeça, dificuldade em se relacionar. Quando o corpo dá sinais de que algo não está bem, é momento de parar e elaborar suas emoções, para que quadro não piore e aconteça a síndrome”, explica Monalizza.

O tratamento exige ainda alimentação balanceada, prática de exercícios físicos regulares e proíbe o consumo de bebidas alcoólicas e tabaco. A probabilidade de uma nova crise é alta se o problema não for tratado adequadamente.

Em alguns casos há indicação de remédios para controle de arritmia cardíaca e hipertensão, por tempo determinado. “Cabe ao cardiologista ter a mente aberta para lidar com a hipótese de uma síndrome. Receitar medicação sem necessidade real, traz efeitos colaterais ao paciente”, cita o cardiologista Ricardo Silveira.

O também cardiologista Diego Garcia comenta que essa síndrome não é considerada uma doença meramente psicológica, “pois situações não relacionadas com a mente também são estímulos para provocar a síndrome, como outras doenças graves ou quadros clínicos críticos”, esclarece.

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