Volkswagen T-Cross: pensado para ser fora da curva

Modelo tem bons equipamentos e tecnologia, e chega para competir no concorrido mercado nacional até com modelos de categoria superior


A Volkswagen decidiu nivelar o T-Cross por cima. Tanto que colocou sua configuração de topo, a Highline 250 TSI, com valores bem próximos a versões intermediárias de SUVs médios. Com todos os opcionais disponíveis, o carro custa mais de R$ 125 mil. Por outro lado, a marca alemã soube distribuir atributos pela configuração que, não fosse pelo tamanho compacto, seriam capazes de competir mesmo com modelos de categoria superior. A começar pelo próprio trem de força.

Foto: Márcio Maio / CARTA Z NOTÍCIAS
A Volkswagen conseguiu, na versão topo de linha do T-Cross, alinhar elementos que remetem à robustez, à esportividade e à construção moderna

O motor 1.4 turbo que equipa o T-Cross Highline 250 TSI entrega 150 cv a 4.500 rpm e 25,5 kgfm em 1.500 giros, o mesmo que move as variantes de entrada dos médios Jetta e Tiguan. Este conjunto o deixa alinhado, em relação ao desempenho, com Honda HR-V Touring e Chevrolet Tracker, também animados por motores turbo. A boa performance fica clara já no próprio zero a 100 km/h, cumprido em 8,7 segundos. A transmissão é automática, com seis velocidades, e há aletas atrás do volante para trocas manuais.

De série, o T-Cross traz um pacote de segurança bem completo, com seis airbags, assistente de partida em rampa, controle de estabilidade e tração e bloqueio eletrônico do diferencial. Controle de velocidade de cruzeiro, assistente de partida em rampas, sistema start/stop para desligar o motor em paradas rápidas e chave presencial, com partida do motor e acesso ao carro pelo toque das mãos, complementam a lista de tecnologias que chegam de fábrica. A lista de opcionais, no entanto, reserva itens que o distanciam de boa parte de seus concorrentes.

Foto: Márcio Maio / CARTA Z NOTÍCIAS
A Volkswagen adota um esquema quase padrão em seus modelos e quem já está habituado com o interior de um modelo da marca certamente se vira muito bem no T-Cross Highline

O primeiro deles é a central multimídia, com sistema de navegação próprio e Android Auto e Apple CarPlay. Além disso, a variante mais cara do T-Cross pode receber painel digital personalizável e som premium com assinatura da Beats. Outro “mimo” que aparece na lista de opcionais e melhora bastante a habitabilidade, já que amplia a sensação de espaço, é o generoso teto solar panorâmico.

Com estes equipamentos, o Volkswagen T-Cross Highline certamente se torna um excelente automóvel de vitrine nos showrooms da marca. Embora isso não seja suficiente para torná-lo um campeão de vendas. Em junho, terceiro mês de vendas do modelo, o T-Cross ficou na sétima posição entre os SUVs compactos, com 2.918 unidades. Ele está nas lojas há menos de três meses.

Primeiras impressões

A Volkswagen decidiu apostar alto no segmento de crossovers compactos. A marca demorou, inclusive, a investir nesse segmento. Mas, quando fez, partiu para um conceito que aproxima dinamicamente seu modelo mais próximo de um carro de passeio, com o espaço interno de um SUV.

O modelo tem recursos bons tecnológicos, graças à adoção da plataforma modular MQB, que serve de base para a maior parte dos modelos da marca, como os sedãs Jetta, Passat e Virtus, os hatches Golf e Polo e até mesmo o próprio SUV médio Tiguan. E é na configuração Highline 250 TSI que as tecnológicas desta plataforma mais aparecem. O motor é o conhecido 1.4 250 TSI, de 150 cv e 25,5 kgfm de torque.

Foto: Márcio Maio / CARTA Z NOTÍCIAS
O T-Cross acomoda bem quatro adultos e uma criança

Entre os itens que aparecem apenas na variante mais cara, destaca-se um que melhora especialmente a relação entre o condutor e o carro. Trata-se do opcional painel digital configurável. Extremamente moderno e personalizável, ele possibilita que o motorista ajuste as informações de diversas formas. A central multimídia também é bem completa, traz até GPS nativo e interage com smartphones a partir dos sistemas Apple CarPlay e Android Auto.

A motorização 250 TSI, com propulsor 1.4 litro turbo de 150 cv e o câmbio de seis marchas, faz o T-Cross acelerar e retomar velocidade com bom vigor. O trem de força permite que o utilitário esportivo compacto entregue alguma dose de diversão e, ao mesmo tempo, o conjunto suspensivo, bem rígido, mantém o automóvel equilibrado mesmo em curvas mais acentuadas. Por outro lado, rouba uma boa parte do conforto dos ocupantes.

A não ser pelo bom sistema de som da Beats, que é opcional, o SUV compacto não chega a impressionar por dentro. A simplicidade e a composição dos materiais tentam deixar o SUV com um ar mais jovial que boa parte da sua gama, mas falta sofisticação. Segue o estilo mais focado na funcionalidade e na praticidade, típico da fabricante.

Mas o painel e console central ganham aplique plástico e o revestimento dos assentos em dois tons – no caso da unidade avaliada, um cinza claro com preto – tentam dar um ar moderno ao interior.

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