Americanense tem dois títulos mundiais de som automotivo

Leandro Gomes de Oliveira tem salário na função e volume faz com que ele tenha que deitar no para-brisa, para que o mesmo não se desloque nos torneios


O som automotivo, que se apresenta apenas como um acessório, também protagoniza competições. Em Americana, inclusive, há um morador que é campeão mundial e possui um salário fixo devido à prática da modalidade.

Trata-se de Leandro Gomes de Oliveira, de 34 anos. No dia 27 de outubro, em Guarujá, ele conquistou o título do dB Drag Racing, torneio disputado por competidores de todo o mundo.

Foto: Marcelo Rocha / O Liberal
Leandro e o filho Nicolas, na loja que administra no Jardim São José: título mundial e reconhecimento

“O evento mais importante que existe nesse meio é esse evento do dB Drag, em que você fica conhecido no mundo todo. São 56 países. Na minha categoria mesmo, são 514 competidores”, explica.

Ele venceu na categoria Pro Stock 2K, em que cada participante pode usar, no máximo, 2 mil watts de potência. O troféu fica com aquele que conseguir mais decibéis. No campeonato, o som de Leandro atingiu 158.4 dB e estabeleceu um novo recorde mundial.

O americanense já havia sido campeão no ano passado, em outra categoria: a Street Stock 1K, que permite até 1 mil watts. Naquela oportunidade, ele também obteve a melhor marca do mundo, com 155.1 dB.

Foto: Marcelo Rocha / O Liberal
No campeonato, Leandro atingiu 158.4 decibéis, estabelecendo um novo recorde mundial

Por trás, Leandro conta com apoiadores que bancam todas as despesas relacionadas à prática da modalidade. Ele recebe ainda uma remuneração mensal de R$ 1,8 mil, valor desembolsado pela empresa Taramps, uma das patrocinadoras. “Às vezes, a turma passa aqui e acha que é uma brincadeira, mas não é. De hobby já passou a trabalho mesmo”, afirma.

Paralelamente, o americanense administra uma loja de som automotivo no Jardim São José, onde costuma se preparar para os torneios.

PREPARAÇÃO

Leandro compete com um GM Corsa ano 2001. Até o título mundial, o carro passou por uma série de mudanças que ajudaram a elevar o nível de decibéis. Nos campeonatos, os jurados utilizam equipamentos que avaliam somente o interior do veículo. Então, quanto mais o som for abafado, melhor.

Leandro seguiu essa receita à risca. Ele revestiu seu Corsa com poliuretano, uma espécie de isolante acústico, e uma manta de 10 mm. “Se atirar bala, com revólver, não passa para dentro do carro”, exemplifica.

Dentro, existem duas baterias, que abastecem o automóvel por meio de dez cabos de 120 mm: cinco no positivo e cinco no negativo. “Se eu passasse um cabinho de cada aí, eu estaria tendo perda na descarga da bateria”, diz. O som em si se encontra no porta-malas, ligado a um amplificador.

Diante de tanta onda sonora, Leandro precisa deitar sobre o para-brisa nos torneios, para que o vidro não desloque. Os competidores não se apresentam com músicas, mas com frequência fixa, som uniforme.

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