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Turismo

Turismo sustentável

Etnoturismo aproxima não-indígenas dos povos originários em experiências com grande impacto socioambiental positivo

Por Jéssica Amaral _DePropósito Comunicação de Causas

09 de outubro de 2023, às 11h20 • Última atualização em 09 de outubro de 2023, às 11h21

Já pensou em realizar uma expedição em que você tem contato direto com a vida, cultura, saberes, medicinas tradicionais e outros aspectos de um determinado povo indígena brasileiro? O Etnoturismo é uma das principais opções de turismo sustentável e de impacto, não só para quem o realiza, mas também para os moradores da região, que recebem os grupos e obtêm uma fonte de renda extremamente significativa. A expedição também desperta a preocupação socioambiental, preservando a biodiversidade local, o modo de vida e saberes ancestrais.

As aldeias indígenas que atuam com este tipo de prática oferecem serviços de estadia, alimentação, diversas oficinas e vivências, que aproximam os visitantes de seu modo de vida, realizando um intercâmbio entre pessoas que muitas vezes têm rotinas radicalmente diferentes do apresentado, o que potencializa as trocas realizadas. A venda de artesanato movimenta a economia local e traz inúmeros benefícios para as famílias.

“O turismo sustentável na aldeia Shanenawa tem trazido muito aprendizado, conhecimento e ajuda financeira para dar oportunidade de pessoas realizarem cursos, graduações e capacitações fora da aldeia e, posteriormente, para que sejam aplicados dentro dela. Isso tem sido uma porta aberta para vender nossos artesanatos, mostrar nossa cultura e provar que não somos menos do que qualquer outra cultura ou povo brasileiro. Nunca na nossa história havíamos tido essa oportunidade”, destaca o cacique Teka Shanenawa, do povo Shanenawa do Acre.

Quando realizado de forma responsável e com cuidados socioambientais, o turismo é também uma ação de resistência, pois aproxima a população não-indígena dos povos originários, de sua cultura, espiritualidade e saberes ancestrais, valorizando-os, ajudando a protegê-los e quebrando preconceitos ou estereótipos, além de ajudar a manter as terras nas mãos de seus donos originais e provando seu uso sustentável. A Vivalá, organização especializada em turismo sustentável no Brasil, possui três expedições criadas em parceria com povos indígenas brasileiros nas terras indígenas Katukina Kaxinawá, no Acre, Kariri Xocó, no Alagoas, e Tenondé Porã, em São Paulo, nos biomas da Amazônia e Mata Atlântica.

As terras indígenas possuem algumas regras específicas, como não consumir bebida alcoólica; não fazer barulho excessivo para não perturbar a fauna; não marcar nomes ou sinais em árvores, pedras, placas ou qualquer outro bem natural ou do parque e deixar pedras, conchas, flores e todos os outros itens no local.

Vídeos e fotos são bem-vindos, mas acompanhados de bom senso. Não tire fotos de crianças desacompanhadas ou sem seu consentimento, assim como pessoas com corpos expostos ou em situações que possam gerar constrangimento.

Conhecer uma aldeia índígena, mesmo que dentro de seu país, é um aprendizado e provoca choque cultural. Busque aprender sobre aquela comunidade antes da visita e dê preferência para palavras e termos apropriados.

Conteúdo informativo

Como maneira de reforçar a pauta indígena, com boas formas de comunicação, a Articulação dos Povos Indígenas no Brasil (APIB) disponibilizou um conteúdo informativo.

Terra Indígena Katukina Kaxinawá, Acre

No coração da maior floresta do mundo, a Amazônia, e dentro de um dos estados com a maior diversidade de povos indígenas do Brasil, se encontra a Aldeia Shanenawa, do povo Shanenawa, conhecido como povo do pássaro azul. Com oito saídas exclusivas ao longo do ano e 20 vagas disponíveis em cada uma, as expedições partem de Rio Branco, capital do Acre, e tem  valores de investimento a partir de R$ 5.225 para 8 dias de vivência, incluindo as hospedagens, transportes, alimentação, oficinas, vivências como banhos ritualísticos de ervas e de argila, pintura corporal, consagração de medicinas da floresta (ayahuasca, chamado de Uni pelos Shanenawa; rapé, sananga, kambo), visita à agrofloresta, plantio de árvores, muita música e danças tradicionais, seguro, guias e facilitadores.

Terra Indígena Kariri-Xocó, Alagoas

Outra forma de adentrar territórios indígenas de maneira consciente, autorizada e profunda é no encontro da Caatinga com a Mata Atlântica, às margens do Rio São Francisco e na divisa de Alagoas com Sergipe, onde habita o povo Kariri-Xocó. A expedição é repleta de muita natureza e saberes ancestrais. Grande parte das vivências acontecem no espaço cultural criado pela comunidade, inclusive o ritual do Toré, – uma consagração de medicinas tradicionais da floresta, como a Jurema e o rapé -, banhos ritualísticos, oficina de ervas, danças, músicas e navegação com mergulho no Velho Chico.  Com saídas de Aracaju (SE) e valor a partir de R$ 2.500, a Vivalá realizará mais duas expedições este ano, nos feriados de Dia dos Finados e réveillon, ambas com menos de dez vagas disponíveis.

Terra Indígena Tenondé-Porã, São Paulo

Para quem busca uma vivência mais curta existem roteiros acessíveis e próximos da capital. A expedição para a terra indígena Tenondé-Porã é perfeita para conhecer os hábitos, a luta por autonomia e a resistência do povo Guarani.  A terra indígena Tenondé Porã tem uma extensão aproximada de 16 mil hectares. É possível caminhar pelas exuberantes trilhas do território e vivenciar o nhanderekó (modo de ser) do povo originário que vive e resiste nas fronteiras da maior metrópole do Brasil. Os roteiros acontecem quatro vezes ao mês. Valores a partir de R$ 250 por pessoa.

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