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Pai e mãe de gatos

Carinhosos, gatos despertam paixão dos tutores

Conheça histórias de "gateiros" assumidos e veja dicas de como cuidar bem da espécie

Por Isabella Holouka

29 abr 2021 às 07:32

Eles têm personalidade. São donos de um jeito desprendido e, ao mesmo tempo, carinhoso. É verdade que muitas pessoas ainda têm preconceito com gatos, mas quem conhece se apaixona.

A prova disso é que os brasileiros estão cada vez mais gateiros: já são mais de 23,9 milhões de gatos no país, e a expectativa é ultrapassar 30 milhões até 2022, segundo levantamento de 2018, do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e atualizado pela inteligência comercial do Instituto Pet Brasil.

Para se ter uma ideia, em 2018, também foram contabilizados no país 54,2 milhões de cães; 39,8 milhões de aves; 19,1 milhões de peixes e 2,3 milhões de répteis e pequenos mamíferos. A estimativa total chega a 139,3 milhões de animais de estimação.

Também houve um crescimento na quantidade de casas que escolhem o gato como animal de estimação, ainda segundo os dados de 2018 levantados pelo IBGE. No acumulado, esse foi o animal cuja presença mais cresceu, com alta de 8,1% desde 2013. A média geral é de 5,2%.

Para a médica veterinária especialista na espécie Camila Cristina Bento, da Clínica Veterinária Pet Horse, em Americana, cada vez mais pessoas têm percebido que o gato é um animal de companhia, incrível e único, fácil de cuidar e bastante higiênico.

Ela conta que a amizade entre gatos e pessoas iniciou no Egito Antigo, entre 5 e 3 mil anos a. C., com a percepção de que os felinos selvagens eram predadores naturais e, portanto, ótimos no controle de pragas e roedores que ameaçavam o armazenamento de alimentos.

Com a convivência, as pessoas passaram a admirá-los, inclusive pela sua beleza e personalidade. Semelhante aconteceu na Ásia e na Europa, depois nas Américas.

“Os gatos são ricos em características de personalidade. São ágeis e flexíveis, mas a grande característica que trouxeram ao longo da história foi o instinto de caça”, afirma a especialista.

“Estudos dizem que os felinos não são domesticados e nunca serão, sempre serão selvagens. Quem convive com o gato percebe que de vez em quando ele dá um presentinho para a gente, uma lagartixa, uma barata, e quem não está acostumado acha um horror, mas na verdade são presentes”, explica.

Assim como a amizade entre seres humanos e felinos, o preconceito contra os gatos também vem da antiguidade. Há quem diga que o animal é individualista, adota a casa e não o dono, gosta de viver sozinho, ou dá azar, e por aí vai…

“Diziam que os gatos tinham uma alma ruim, principalmente os gatos pretos, que poderiam ter um envolvimento com bruxarias. Temos uma preocupação com os gatos pretos no Halloween, que vem crescendo muito no Brasil, e rituais macabros que envolvem o sacrifício desses animais”, lamenta a veterinária.

Vale lembrar que maus-tratos a animais é crime, consta no artigo 32 da Lei de Crimes Ambientais 9.605/98, com pena prévia de três meses a um ano de reclusão, além de multa.

Bianca se considera gateira desde que se entende por gente – Foto: Ernesto Rodrigues / O Liberal

Moradora de Santa Bárbara d’Oeste, a auxiliar administrativa Bianca Priscila Ribeiro, de 34 anos, se considera gateira “desde que se entende por gente”, atraída especialmente pela personalidade da espécie.

“Precisamos aprender a respeitar o espaço deles, porque o amor deles é gratuito. Quando eles quiserem te dar não é por interesse não, mas porque eles gostam de você mesmo. São muito carinhosos, conseguem ver além da nossa alma”, diz.

Atualmente ela tem três, Gata, Miá e Amora, com 3, 2 e 1 ano, respectivamente. “A Gata é mais reservada, não é muito de brincar.
A Miá já é toda carinhosa e engraçada, vesguinha. E a Amora é pretinha,
o meu grude, aonde eu vou ela está junto”, conta Bianca.

As personalidades únicas dos gatos também encantam as irmãs e comerciantes Aline Rodrigues, de 20 anos, e Caroline Rodrigues, de 25, de Americana. Elas são tutoras de cinco gatos e a vida toda tiveram contato com a espécie.

Aline e Caroline são tutoras de cinco gatos e a vida toda tiveram contato com a espécie – Foto: Ernesto Rodrigues / O Liberal

“Nossos pais já tinham gatos, então para a gente sempre foi muito natural. Gostamos muito, sempre vemos anúncios de gatinhos para doação e ficamos com pena, acabamos pegando. Eles fazem companhia um para o outro, mas acredito que as pessoas têm vários gatos porque pegam gosto mesmo”, comenta Aline.

“Muitas pessoas dizem que eles são traiçoeiros, mas eles são muito companheiros, grudados ao dono. São muito engraçados, brincam o tempo todo. E se adaptam fácil, ficam bem sozinhos, não dão tanto trabalho”, acrescenta.

Ao contrário de Bianca, Aline e Caroline, que são gateiras desde a infância, Ana Paula Ciavatta Correa conta que o gosto pelos bichanos a pegou na vida adulta, depois que ela completou 40 anos. Mais ou menos 8 anos depois, são mais de 40 gatos e oito cachorros, boa parte resgatados, que ela cuida na companhia do marido.

“Todos vivem juntos, cães e gatos, são super amigos. Mas tem arranca-rabos, disputas de caças de baratas ou lagartixas, essas coisas. Nunca precisei separá-los. Esse problema eu tenho só com os cães, que eu tenho que ficar muito em cima”, conta.

Ana Paula garante que todos os seus animais são super saudáveis, castrados, vacinados todos os anos, medicados contra pulgas e vermes, e têm suas caixinhas de areia – cuidados que fazem com que os animais sejam tranquilos e caseiros. “O cuidado com o animal ‘indoor’, dentro da sua casa, envolve muitas coisas. Mas se as pessoas soubessem o benefício emocional que o felino te traz…” 

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