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Pet

Fique de olho na pele e no pelo do seu animal

Confira as doenças que mais acometem a pele e os pelos de cães e gatos e saiba como preveni-las no dia a dia para manter o seu bichinho sempre saudável

Por Isabella Holouka

08 Maio 2021 às 08:39

Um dos principais problemas a prejudicar a pele dos cães, a dermatite atópica canina é uma doença alérgica provocada por fatores ambientais. Segundo a médica veterinária da Clínica Dermatopet, Sibila Weidman, especialista em dermatologia veterinária, é importante que os tutores estejam atentos aos primeiros sinais, procurando um especialista para que a situação não se agrave.

“Os primeiros sintomas costumam aparecer até os três anos de idade, que podem ser lambeduras de patinhas, infecções recorrentes de ouvido e coceira, principalmente na região da virilha, axila e rostinho”, afirma Sibila.

Doenças causadas por fungos ou ácaros também são comuns nos cachorros, e podem causar falhas nos pelos do corpo do animal, além de crostas na pele e coceira. Em todos os casos, o diagnóstico precoce é fundamental para o controle do problema.

Confira as doenças que mais acometem a pele e os pelos de cães e gatos e saiba como preveni-las no dia a dia para manter o seu bichinho sempre saudável – Foto: Adobe Stock

“A maioria destas doenças precisará de tratamentos multimodais, pois várias ações precisam ser feitas em conjunto para que o resultado seja positivo. Às vezes, vai precisar de banhos terapêuticos, medicações por via oral e produtos tópicos sendo aplicados na pele”, afirma.

A especialista defende a importância da escovação dos pelos dos cães, que ajuda na retirada de pelos soltos, deixando a pele mais limpa e saudável. O cuidado deve ser diário e também ajuda o tutor a se manter atento a possíveis sinais de doenças de pele.

“Cuidados que fazem parte da higiene do animal, como a escovação dos pelos ou dentes e limpeza dos ouvidos, devem ser feitos por toda a vida e se começam desde cedo eles não estranham, ficam acostumados”, orienta.

Para cães não habituados com a escovação, a dica é iniciar aos poucos, conforme ele se acostuma, até conseguir escovar o corpo todo do animal.

No caso dos bichanos, as principais patologias que podem acometer a pelagem, segundo a especialista, são a sarna otodécica, uma otite causada por ácaros, e a doença fúngica. Esta última muitas vezes é assintomática nos felinos, mas pode ser transmitida aos cães em caso de convivência conjunta, causando muita coceira.

Uma questão recorrente entre os tutores diz respeito à necessidade de banhar os gatos, e a especialista retoma a importância da escovação dos pelos. Não existe uma frequência ideal para os banhos, desde que o tutor esteja atento e cuide da pelagem do gatinho.

“Um gatinho obeso pode não conseguir fazer a higienização, justamente pela sua anatomia. Eles podem desenvolver seborreia, um tipo de casquinha, que pode se parecer com caspa”, exemplifica.

“Mesma coisa nos gatos de pelo longo, que começam a juntar subpelo e fazem nós. A pessoa chega desesperada no petshop para tosar o gato inteiro, mas se fizesse a escovação diária em casa, que leva 5 minutos, isso poderia ser evitado”. 

Produtos cosméticos e alergia

Xampus, condicionadores ou perfumes podem causar alergias se não forem próprios para os pets. Além de estarem de acordo com o pH da pele do animal, os cosméticos precisam ser hipoalergênicos, recomenda Samuel Castro, do Ateliê de Estética Animal, em Americana.

Ele ressalta ainda a preferência por fragrâncias mais suaves, e com boa fixação, já que um cheiro muito forte também pode incomodar os animais. Outra dica é evitar produtos de qualidade duvidosa, que costumam focar na limpeza, mas não promovem a hidratação do pelo e da pele.

“Quando identificado o processo alérgico por conta dos cosméticos, é importante que seja refeito o banho. Utilizamos uma água mais gelada, natural, que ajuda a acalmar a pele. Produtos com o princípio ativo do aloe vera, a babosa, também ajudam”, recomenda o profissional.

Já para a higienização das patinhas após os passeios, um cuidado que precisou ser intensificado durante a pandemia do novo coronavírus (Covid-19), ele indica produtos em spray.

“Além de fazer a limpeza por completo, inclusive de vírus e bactérias, também ajuda no ressecamento das patas, evitando rachaduras e hidratando as almofadinhas. Um pano com água não é suficiente e muitos colocam sabão ou detergente, o que destrói e super resseca a pata”, alerta.

Sarna sarcóptica e democécica

Famosa pela coceira que provoca, a sarna é uma doença que pode ser causada por parasita ou ácaro. No primeiro caso, a chamada sarna sarcóptica ou escabiose é mais prevalente em cães com acesso à rua ou de canis com pouca higiene, explica a médica veterinária Patrícia Comelato, da Univet Clínica Veterinária, em Americana.

“A dermatose parasitária causa forte prurido, tanto em animais quanto em humanos, por se tratar de uma zoonose”, alerta a veterinária.

O tratamento consiste em antiparasitários, limpeza e desinfecção de ambientes. Não é indicado que os tutores durmam com seus animais, já que precisam ser isolados até que ambos estejam completamente curados.

Já no caso da sarna demodécica, a causa é um ácaro chamado Demodex canis, que normalmente habita na pele do animal de forma controlada.

“Quando esse controle é perdido, os ácaros se reproduzem de forma exacerbada causando feridas, coceira, mau odor, vermelhidão. Em casos mais crônicos, há também escurecimento da pele”, afirma ela.

“É uma doença que não se transmite por contato direto, nem a humanos e nem a outros animais. Mas por ser uma doença genética, aconselhamos a castração do animal acometido, para que ele não perpetue a doença. Ela pode e deve ser controlada por toda a vida do animal”, orienta Patrícia.

Sempre que o sistema imunológico do animal for afetado, a doença pode manifestar os sintomas, ao contrário da sarna sarcóptica, que pode ser curada com o tratamento adequado.

Prevenção contra pulgas e carrapatos salva vidas

Além do incômodo com a coceira, pulgas e carrapatos podem causar sérios problemas à saúde dos cães e gatos. A recomendação é que os tutores não esperem infestações para medicar os pets. Pelo contrário, o ideal é manter a proteção sempre em dia, seja com medicamentos mensais ou trimestrais.

O alerta é da médica veterinária Débora Godoy, da Real Pet Shop Banho e Tosa, em Santa Bárbara d’Oeste.

“Se o preventivo estiver em dia, a pulga ou carrapato não ficam no animal, picam e morrem”, explica ela, afirmando que a prevenção também é importante para os animais que vivem em apartamento.

“A pulga pode dar verme em grandes quantidades, sem contar que o animal vai se machucar devido à coceira. No caso do carrapato, o risco é pela erliquiose canina ou babesiose, doenças distintas, sem contar que tem animais alérgicos às picadas”, complementa.

Mais conhecida como doença do carrapato, a erliquiose canina é uma das muitas enfermidades transmitidas pelo ectoparasita que se reproduz com mais facilidade nas estações mais quentes do ano.

A doença destrói células sanguíneas, tem impacto no sistema imunológico e na capacidade de cicatrização do organismo do hospedeiro e pode ser letal se não descoberta a tempo.

Para controlar uma infestação, o ideal é medicar o animal e, ao mesmo tempo, tratar o ambiente. O pet deve estar ausente nesse momento, devido ao risco de intoxicação pelo produto indicado. Depois, a veterinária recomenda a realização de exame para detecção de possíveis doenças.

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