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Motors

JAC volta a apostar no custo-benefício

T60 é uma mostra de como a indústria chinesa se adapta rapidamente às novidades estéticas do mercado

Por Auto Press

14 dez 2019 às 15:52

Foto: Divulgação
Carro se insere no segmento de SUVs médios

O mercado abocanhado pelo Jeep Compass é, sem dúvida, um dos mais suculentos do mercado automotivo no Brasil atualmente. Por isso mesmo, todos querem um pedaço. Seja a Volkswagen, com o insosso Tiguan, ou a Chevrolet, que acaba de lançar uma versão depenada e mais barata do Equinox para tentar atrair o consumidor.

Nesta estratégia de preço, porém, a JAC é imbatível. A marca chinesa, controlada no Brasil pela SHC, apresentou o SUV-crossover médio T60. Seu principal chamariz é o fato de custar 20% menos que outros SUVs médios e ter conteúdo e tamanho semelhantes. A versão mais barata custa R$ 99.990, enquanto a versão com bancos em couro e teto solar adiciona R$ 5 mil à conta e sai a R$ 104.990.

O T60 é uma mostra de como a indústria chinesa se adapta rapidamente às novidades estéticas apresentadas no mercado automobilístico. Dois bons exemplos disso: a grade com rebites cromados e o painel tátil no console central que controla a climatização e o som, detalhes encontrados em modelos de luxo alemães, como Mercedes e Audi.

As lanternas, com led e efeito tridimensional, também ajudam a dar um ar mais moderno ao SUV chinês. Apesar de adotar alguns parâmetros visuais, os acabamentos e os materiais empregados no interior deixam a desejar.

Em tamanho e potência, o JAC T60 regula com outros modelos do segmento. Ele mede 4.41 metros de comprimento, 1,80 m de largura e 1,66 m de altura. Já o entre-eixos tem 2,62 m, um dos menores entre os SUVs médios. Sob o capô, o motor 1.5 com comando de válvulas variável, rende bons 168 cv de potência, com torque de 21,4 kgfm.

Ele é gerenciado por um câmbio CVT de seis marchas e empurra o T60 até 195 km/h e de zero a 100 km/h em 9,6 segundos. Ainda segundo a JAC, ele também é extremamente econômico: é capaz de fazer a média de 12,45 km/l na cidade e 15,68 km/l na estrada.

Conteúdo. Mas é no custo-benefício que a SHC aposta suas fichas. O conteúdo do T60 não fica nada a dever para outros SUVs médios. Além dos óbvios ar, direção e trio elétrico, o modelo tem chave presencial, controle de cruzeiro, sensores dianteiros e traseiros, câmara de ré e câmera 360°, sensor de luminosidade, controle de estabilidade e tração e luz de neblina, entre outros.

Com estes argumentos, a JAC espera emplacar em 2020 em torno de 1 mil unidades do modelo. Não é um volume grande, mas é uma projeção realista para a marca, que tem uma rede de pouco menos de 40 concessionários e precisa vencer os preconceitos contra carros chineses, que é ainda mais forte em segmentos que custam em torno de R$ 100 mil.

Primeiras impressões

O visual e o porte inserem o T60 bem no miolo do segmento de SUVs médios. Nesses aspectos, ele se assemelha com modelos como Hyundai Tucson, Mitsubishi ASX ou mesmo Caoa Chery Tiggo7. Também em relação ao conteúdo, o T60 não se destaca, para o bem ou para o mal. E foi exatamente esta a intenção da JAC. Afinal, o principal argumento de venda do novo modelo da marca chinesa é mesmo o custo-benefício. Isso fica claro quando se confronta o conteúdo com a tabela de preços.

O T60 é pragmático. Tem um motor que lida bem com os 1.365 kg da carroceria, mas não oferece um comportamento esportivo.

O motor pequeno, de 1.5 turbo, sente a grande inércia do modelo, principalmente nas acelerações até os 60 km/h. Em boa parte, a culpa disso é do câmbio CVT, que anestesia as reações do motor. Depois que o giro sobe, no entanto, o T60 se mostra mais ágil.

A suspensão é simples, com McPherson na frente e eixo de torção atrás, e tem um ajuste ligeiramente rígido, mas ainda capaz de filtrar pequenas imperfeições do piso. Durante o teste de avaliação, o T60 enfrentou uma chuva torrencial na rodovia. E nesse ponto, mostrou uma ótima dirigibilidade e muita estabilidade ao enfrentar as poças d’água.

Mas também mostrou que o habitáculo não tem um isolamento acústico dos mais eficientes. Mas o maior pecado do T60 está nos comandos, pouco intuitivos. Seja para configurar o painel e o computador de bordo quanto para conectar o smartphone ao sistema multimídia.