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ELEIÇÕES 2020

Rafael Macris propõe construção de ETA para atender o Pós-Represa

Candidato a prefeito do PSDB defende concessão do DAE e projeta R$ 350 milhões em investimentos no setor nos primeiros cinco anos

Por André Rossi

30 out 2020 às 08:00 • Última atualização 30 out 2020 às 12:01

O vereador e candidato a prefeito de Americana Rafael Macris (PSDB) propõe a construção de uma nova ETA (Estação de Tratamento de Água) nas margens da Represa Salto Grande para atender a região do Pós-Represa, que representa um terço do território da cidade.

A promessa de campanha foi apresentada durante sabatina do Grupo Liberal nesta quinta-feira (29). A entrevista foi ao ar nas rádios Clube AM 580 e FM Gold 94.7 e nas páginas do LIBERAL no Facebook e no YouTube.

Candidato do PSDB disse que o projeto de se lançar já tinha algum tempo, e que seu partido fez parte de reconstrução – Foto: Marcelo Rocha / O Liberal

Rafael é o único dos nove candidatos a prefeito que defende abertamente a concessão do DAE (Departamento de Água e Esgoto) para a iniciativa privada. Ele projeta que o modelo permitirá cerca de R$ 350 milhões em investimentos no setor nos cinco primeiros anos da terceirização.

Dentro desse planejamento, está a construção da nova ETA. O candidato reforça que garantir a infraestrutura para a região do Pós-Represa é fundamental para o desenvolvimento de Americana nos próximos anos.

“Esse movimento de investimento para uma nova ETA é para preparar Americana para o seu crescimento. Americana é uma das cidades com um dos menores espaços territoriais perante a sua população e o único espaço que temos para crescimento da cidade e desenvolvimento é o Pós-Represa”, explicou Rafael.

Confira abaixo os principais trechos da entrevista, que pode ser assistida na íntegra no site do LIBERAL.

Sua campanha usa o slogan “Americana Grande de Novo”, ainda que seu partido tenha feito parte de forma vitoriosa das últimas quatro eleições municipais – três regulares e uma suplementar. Seu grupo político tem dificuldade de contribuir sem uma posição de protagonismo, para que agora, tendo você como cabeça de chapa, projete a solução de problemas de governos dos quais fez parte?
Primeiro que nós estivemos sempre ao lado de todos os governos que estiveram aí, a disposição para ajudar a cidade de Americana. Meu pai, o deputado federal Vanderlei Macris, ajudou todos os prefeitos desde sua eleição para deputado estadual, no início, e agora deputado federal. Sem distinção, sempre estando ao lado das gestões, independentemente do partido e de quem fosse o prefeito.

É um projeto de algum tempo que a gente tinha, de lançar  uma candidatura própria do partido neste momento. Desde o início, quando iniciamos o projeto de coligação junto com o prefeito Omar, com a ideia de colocar as contas em ordem na cidade, de recuperar as finanças do município, a CND, nós já havíamos sido bem claros para o prefeito que nós teríamos candidatura própria no ano de 2020.

Temos total tranquilidade para disputar a eleição neste momento. Fizemos parte da reconstrução da cidade de Americana, da organização das contas públicas, de colocar as coisas em ordem junto com o prefeito Omar. O próprio prefeito reconhece isso, com apoio a nossa candidatura, mas agora é hora de nós colocarmos o nosso nome a disposição.

Com as contas da cidade em ordem, com o caixa que o prefeito está deixando para a próxima administração, agora nós temos que colocar a cidade no trilho do desenvolvimento. De realmente resgatar aquele sentimento que nós temos de orgulho da cidade, aqui dentro do nosso coração, resgatar aquele sentimento de alegria, de poder sair às ruas feliz.

É saber que a questão do emprego está resolvida, que não temos mais problemas de saúde, que a educação está funcionando bem. Fazer Americana grande de novo é um trabalho em conjunto em todas essas áreas.

Nas eleições de 2018, você participou ativamente como cabo eleitoral incentivando o chamado voto BolsoDoria na cidade durante o segundo turno. Apesar do resultado vitorioso tanto do governador quanto do presidente, sua campanha não explora essa relação. Ter sua imagem explicitamente ligada a eles, hoje, mais atrapalha do que ajuda?
A população tem que ter a certeza de que quem vai governar essa cidade não é o presidente Bolsonaro, nem o governador João Doria. É o prefeito Rafael Macris, tendo a caneta na mão e buscando desenvolver Americana.

O prefeito que fica arrumando picuinha com governador e presidente, fica arrumando briga desnecessária, não pensa no interesse público, no melhor para as pessoas. Não pensa em buscar recursos nessas duas esferas e contribuir com o desenvolvimento de Americana.

Eu penso de outra forma. Eu penso que o prefeito tem que ter sim relacionamento com as duas esferas para nós podermos participar dos programa do governo federal, buscar recursos nos ministérios, nas secretaria do governo do Estado porque existem muitos programas tanto no governo federal quanto estadual.

Agora, quem tem portas fechadas nessas esferas infelizmente vai ficar patinando e não vai conseguir trazer esses recursos para Americana. Nós precisamos desses recursos nesse momento. E a parte de não exploração da imagem de presidente e governador, na realidade nós temos que pensar na cidade, e quem vai governar a cidade é o prefeito. E o prefeito, se Deus quiser, vai ser Rafael Macris.

Seu plano de governo é aberto com a menção à reforma e reestruturação administrativa da prefeitura. Você fala em valorização por mérito, ao mesmo tempo em que menciona adequação à realidade fiscal do município. Como se fazer entender para o servidor público que especialmente neste ano ficou sem qualquer reajuste nos seus salários?
Nós temos que entender que o processo de austeridade já foi iniciado no governo Omar e tem que ter continuidade. Nós vamos agir com responsabilidade fiscal, saber que o cobertor é curto e temos que priorizar os nossos gastos e investimentos.

O prefeito Omar assumiu a prefeitura com cerca de sete mil funcionários e hoje esse número já caiu próximo de cinco mil. Já temos uma estrutura mais enxuta de atendimento da população. Agora temos que pensar na valorização dos funcionários, principalmente os funcionários de carreira. Por conta disso, existe a colocação dentro do nosso plano de governo de desenvolver realmente um plano de carreira para esses funcionários.

Nada imposto de cima para baixo, nada de sopetão, tudo isso conversado e construído com os funcionários da cidade de Americana. Eles dedicam as suas vidas para prestar um bom serviço público e é obrigação nossa reconhecer. Sabemos que existem muitos funcionários hoje bastante técnicos, comprometidos e capacitados para poder ocupar espaços de comando dentro da nossa administração. Tudo isso vai ser construído em conjunto com cada um deles.

Rafael Macris participou de entrevista no estúdio da FM Gold (94.7) – Foto: Marcelo Rocha / O Liberal

Você é único dos nove candidatos que defende a concessão do DAE para a iniciativa privada. O atual prefeito disse que acha injusta a concessão num momento em que o departamento voltou a ter poder de investimento e planejamento. O dado atualizado mostra que é necessário trocar quase 500 km de redes defasadas, o que representa cerca de 40% da cidade. Por que você acredita que o DAE não tem capacidade de resolver o problema com as próprias pernas?
Nós somos a única candidatura que propõe a água na torneira do cidadão sem aumento de tarifa. É uma proposta muito clara e concreta para poder trazer a iniciativa privada para administração do DAE com poder de investimento, capacidade para troca de redes, com gestão mais eficiente do que a gente tem hoje.

Eu respeito a posição do prefeito. Inclusive foi ele que enviou o projeto em 2017 para poder alterar a lei orgânica dentro da câmara municipal para viabilizar a concessão do DAE. Eu fui o vereador que mais defendeu essa proposta. Fui o vereador mais perseguido, inclusive, por movimentos corporativos dentro do DAE porque não queriam que houvesse essa mudança.

Na situação que a gente está hoje, com uma necessidade de troca de mais de 500 km de rede antiga, em que temos uma perda de água hoje de mais de 20 milhões de litros todos os dias. É dinheiro do pagador de impostos indo para o ralo. Quase da metade daquilo que você paga na sua conta de água, na verdade você não está recebendo.

A captação é feita, mas até chegar na torneira da pessoa, o que muitas vezes não chega, ela é perdida praticamente na metade do caminho. Isso é algo inaceitável.

Me sinto na obrigação de resolver esse problema como prefeito da cidade e não dá para empurrar esses problemas com a barriga, que sejam colocadas propostas vazias. “Vamos aumentar investimentos, vamos buscar recursos”. Não. A população espera um prefeito que assuma essa responsabilidade no peito e dê o caminho para resolver os problemas.

Trazer a iniciativa privada é uma proposta concreta, não haverá aumento de tarifa, e uma proposta em que a gente vai conseguir, nos primeiros cinco anos, mais de R$ 350 milhões em investimentos. Nós temos vários exemplos no Brasil de lugares que a concessão foi muito positiva.

Americana precisa de um prefeito que resolva o problema e escreva seu nome na história da cidade. Quero ser reconhecido daqui dez ou 20 anos em Americana como o prefeito que resolveu o problema de falta de água na nossa cidade.

Ainda nesta área, o seu plano fala na intenção de construir uma ETA (Estação de Tratamento de Água) nas margens da Represa Salto Grande. A ideia passa também por captar água diretamente da represa?
Num primeiro momento não. Essa ETA é para que a gente tenha a condição de ampliação da nossa cidade, para o Pós-Represa. Com a capacidade que nós temos hoje de tratamento de água, nós teremos muitas dificuldades de conseguir essa ampliação da cidade, com relação a distribuição de água para toda aquela região.

Nós passamos os últimos anos aprovando o plano de diretrizes de toda aquela região do Pós-Represa e nós sabemos que não é simplesmente chegar lá e colocar um monte de gente, lotear os espaços. Precisamos de infraestrutura.

Esse movimento de investimento para uma nova ETA é para preparar Americana para o seu crescimento. Americana é uma das cidades com um dos menores espaços territoriais perante a sua população e o único espaço que temos para crescimento da cidade e desenvolvimento é o Pós-Represa.

Para isso, o poder público precisa pensar na estrutura de atendimento daquela população. Nós não podemos cometer o mesmo erro que foi cometido décadas e décadas atrás aqui em Americana, que foi simplesmente abandonar as obras debaixo da terra, as obras de saneamento. Muitas vezes isso a curto prazo não aparece para a população. Para muitos prefeitos isso não dá voto.

Nós temos responsabilidade e por conta disso colocamos essa estação de tratamento a ser construída no nosso governo.

Rafael Macris defende implantação de creche 12 horas no município – Foto: Marcelo Rocha / O Liberal

Na área da educação, você promete zerar a fila de espera por vagas em creche por meio de parcerias com entidades filantrópicas. No mesmo setor, fala ainda em creches de 12 horas. O planejamento é tirar esses projetos do papel em quanto tempo?
As questões estão em conjunto com o que a gente pensa em relação ao desenvolvimento na cidade. Nós vemos muitas mães e pais que não conseguem se colocando no mercado de trabalho porque não tem sua vaga em creche ou porque seu trabalho no comércio, o seu horário de atuação não permite que ela consiga buscar o filho mais cedo na escola e é algo que prejudica demais.

Fizemos a proposta de zerar a fila por vaga em creche. Todos os candidatos falam isso, mas não mostram o caminho de como fazer esse procedimento. Nós colocamos, deixamos muito claro o caminho e como vamos fazer isso. Vamos comprar vagas em creches particulares e vamos ampliar a parceria com creches filantrópicas, que por sinal prestam um serviço muito bacana aqui na cidade.

O custo disso para prefeitura é menos do que a metade do custo de uma criança hoje no sistema público de educação. Nós temos a oportunidade de zerar essa fila.

E a creche 12 horas é outra proposta muito bacana. Nós não estamos inventando a roda. É um modelo de gestão de Educação que já existe em Santa Bárbara e Nova Odessa e funciona muito bem. Isso não significa de maneira nenhuma que a mãe vai largar a criança por 12 horas dentro da creche.

É muito mais pela flexibilidade de horário, por permitir que a mãe que trabalha no comércio, que saia às 18 horas, 18h30, tenha tranquilidade de saber que até esse momento o filho dela vai estar bem cuidado, bem educado e bem alimentado.

Objetivo é iniciar esse processo logo no início da nossa gestão. A partir de 2021 nós já vamos colocar em prática.

Uma das razões para renovação do Pronto-Socorro do Hospital Municipal a partir de um novo prédio era a precariedade do espaço físico que estava sendo usado anteriormente. Seu plano tratar de usar esse antigo prédio para reabertura do Hospital Infantil André Luiz. Em que condições, candidato?
Precisamos ter atendimento diferenciado para as crianças em Americana. É triste ver que elas são atendidas e tratadas junto com os todas as outras pessoas em idade adulta e a gente sabe que isso não é legal e não é bom.

Nós temos condição, sim, de retomar o atendimento infantil nos moldes que acontecia no André Luiz, agora nesse novo espaço. Faz parte de toda a estrutura de atendimento do hospital municipal, no antigo pronto-socorro onde nós temos espaço suficiente para poder fazer esse atendimento, e é claro que nós vamos buscar recursos em Brasília e em São Paulo para melhorar ainda mais a estrutura daquele lugar.

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