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ELEIÇÕES 2020

Kim quer diversificar transporte coletivo de Americana

Candidato a prefeito de Americana pelo Solidariedade sugere integração com vans e defende um novo edital para a concessão do transporte no município

Por André Rossi

27 out 2020 às 08:00 • Última atualização 27 out 2020 às 09:34

Vereador por cinco mandatos e agora candidato a prefeito de Americana, Marco Antonio Alves Jorge, o Kim (Solidariedade) quer diversificar o transporte coletivo da cidade. Integração com vans para desafogar regiões pouco atendidas e um novo modelo de edital para concessão do transporte são defendidas pelo político.

A proposta foi apresentada durante sabatina do Grupo Liberal nesta segunda-feira (26), dando início às entrevistas com os candidatos a prefeito de Americana. A transmissão foi ao ar nas rádios Clube AM 580 e FM Gold 94.7 e nas páginas do LIBERAL no Facebook e no YouTube.

Kim apresentou suas propostas no estúdio da FM Gold nesta segunda – Foto: Marcelo Rocha / O Liberal

Em seu plano de governo, Kim fala em em desenvolver estudos para  regulamentar  cooperativas e “transporte alternativo”. Uma das ideias é utilizar vans para socorrer regiões com poucos passageiros ou com linhas deficitárias.

“Vamos fazer com organização, com os pés no chão. O que não dá é para repetir o mesmo modelo que há 200 anos é ônibus, ônibus, ônibus. O pessoal está contente? Está atendendo? Não dá para fazer diferente repetindo a mesma coisa”, afirmou Kim.

O candidato também defende a revisão do edital para concessão do transporte público.

“Quando entrei há 40 anos na prefeitura, era ônibus da AVA, depois veio Ouro Verde. O que muda? A cor do ônibus, um pouquinho melhor, mas é o modelo antigo ainda. Nós temos que inovar, gente”, disse Kim.


O senhor já falou anteriormente que entende ter cumprido seu papel como vereador e que agora era o momento de disputar a prefeitura. Antes você estava no MDB, um dos maiores partidos da cidade, e acabou se transferindo para o Solidariedade, sigla de menor expressão. Disputar uma campanha a prefeito num partido menor, sem coligação, não dificulta seu objetivo?
No momento que vivemos, que o mundo passa por uma pandemia, todo mundo refletindo que não dá para obter resultados diferentes fazendo sempre igual, é que tomamos a decisão de realmente fazer diferente. A minha vida, minha história foi de acreditar que é possível sim fazer diferente. Aliás, um diferente que deveria ser normal. Devemos fazer política da maneira correta.

Eu encontrei no Solidariedade, que no seu nome tem a palavra que eu acredito, que eu confio, que é o que o mundo está apontando que nós devemos ter, solidariedade entre as pessoas, entre as organizações. É por esse motivo que eu aceitei o desafio do Solidariedade e confiamos sim que a população está atenta para não repetir os erros do passado e fazer diferente. Estou aqui para isso.

Seu plano de governo fala em reabrir com “inteligência e inovação” todos os postos de saúde que foram fechados. De qual forma isso pode ser realizado?
Nós vamos abrir todas as unidades com tecnologia moderna que funciona. Eu já experimentei, já fui paciente da telemedicina e é possível colocar em todos os postos médicos uma rede de especialistas credenciados para dar consulta através da telemedicina e encaminhar ao HM apenas os casos que necessitam de internação.

No aplicativo que será implantado, todos os médicos especialistas serão credenciados pela prefeitura, e de qualquer posto médico você pode realizar a consulta na hora, receber a receita médica na hora, pedidos de exame, e o encaminhamento para o hospital, caso o médico avalie que seja necessário.

Seu plano também fala em um novo André Luiz. O hospital infantil foi fechado pelo Governo Omar, em 2015. Antes disso, porém, o espaço já tinha sérias carências, como a ausência de UTI pediátrica. A sua ideia é criar um novo André Luiz do zero ou aproveitando alguma estrutura já existente? E é uma meta para quanto tempo?
Tem que ver o que existe de estrutura disponível e aproveitá-la. O que pretendemos é dar humanização no atendimento das crianças, um ambiente apropriado para que não apenas as crianças, mas as mães também seja bem acolhidas e possam ali serem bem atendidas na estrutura existente.

Acredito que no primeiro ano de governo já é possível sim fazer essas melhorias, que não são muitas. Muito será de preparar nossa equipe, adaptar a estrutura já existente e colocar em prática um atendimento focado na criança.

Candidato do Solidariedade a prefeito de Americana abriu ontem a série de sabatinas com postulantes do município – Foto: Marcelo Rocha / O Liberal

Em relação ao hospital municipal, seu plano fala em desafogar e preparar o hospital para atender melhor. Não dá para fugir dessa corrida em círculos quando o assunto é o HM, especialmente depois da entrega do novo pronto-socorro?
O hospital hoje está sendo muito procurado para consultas. A gente criando em todos os postos médicos o atendimento pela telemedicina, somente vai ao hospital aquele que necessitar de internação. E o prontuário digital vai facilitar muito.

Por exemplo. A pessoa foi atendida no posto médico A, B ou C. O prontuário dele estará disponível para qualquer médico poder atendê-lo, sem precisar ter de procurar fichas manuais e saber o que aconteceu na vida pregressa do paciente.

A tecnologia vai desafogar muito e nós  deixaremos os médicos presenciais para atender realmente os casos que necessitam de uma intervenção e da presença do médico ali in loco.

A fala do senhor dá a entender, nesse aspecto da telemedicina, que é algo que seria implantado de uma maneira não opcional aos pacientes. Seria uma ideia de fixar esse modelo de atendimento para expandi-lo entre as unidades e torná-lo um padrão para casos que demandem esse contato físico com o médico?
É a maneira que encontramos de ter em todo os postos médicos de todas as especialidades. Ou seja, o médico que for credenciado, seja de Americana ou de de qualquer cidade do país, ele estará credenciado e a nossa equipe do posto de atendimento médico vai estar preparada para receber o paciente, colocá-lo na consulta e fazer os encaminhamentos necessário.

O médico que estiver disponível, vai estar em todos os postos. Aquele paciente que necessitar da especialidade naquele momento, através de um clique ele vai ter a consulta, a receita, pedido de exame e o encaminhamento.

Já estamos estudando. Isto é real. A telemedicina no Brasil era proibida até antes da pandemia. Após a pandemia foi autorizado e abriu as portas.

A falta d’água é um dos problemas que mais afetam a vida do americanense. O senhor ressalta no plano de governo que o DAE já pagou R$ 70 milhões em dívidas e que é preciso resolver os problemas com tecnologia e parcerias, sem precisar vender o DAE. Você acredita que o DAE terá capacidade financeira para realizar as obras necessárias sem a iniciativa privada?
Nós estaremos priorizando os recursos do DAE para fazer a água chegar na torneira. Essa é a prioridade número um. Os recursos do DAE nós vamos investir pesadamente para que a água chegue na torneira. Estabelecendo prioridades.

Primeiro passo. Com tecnologia que vai identificar porque esse bairro tem água e aquele não. Existem hoje ferramentas que identificam. Você vai poder, de imediato, fazer a obra naquele ponto para tentar equalizar a distribuição de água.

Existe necessidade de substituição de rede? Lógico, mas isso é no momento seguinte. Primeiro, água na torneira. Segundo, reduzir vazamentos onde está vazando mais, e assim por diante até que se substitua toda a rede antiga e consigamos perder menos água e garantir o abastecimento de toda a população.

Kim defende implantação do transporte fluvial em Americana – Foto: Marcelo Rocha / O Liberal

O déficit de vagas em creche é de 750, segundo a secretária de Educação. Anualmente, cerca de 1500 crianças passam do maternal para as Emeis. No entanto, a média de nascimentos em Americana é de 2.600 crianças. O seu plano de governo promete zerar a espera por vagas em creche. Num cenário como esse, o senhor acredita ser factível alcançar a meta em quanto tempo?
É uma meta difícil de bater. A creche é direito da criança. Se for levar ao pé da letra, toda criança tem direito a creche. Vamos precisar de muita persistência e não vai ser do dia para a noite.

Primeiro, claro, vamos atender as crianças da mães que mais necessitam, mas não podemos perder de vista que toda criança tem direito a creche. Por isso é importante fortalecer não só as unidades do município existentes, ampliar quando houver necessidade,  construir quando for preciso e reformar aqueles prédios precisando de reforma.

Não podemos esquecer da parceria com as entidades que tem prestado um importante serviço. Temos creches no município que são um bom exemplo de trabalho digno e que pode oferecer opção para as mães de atendimento próximo ao local de trabalho, ou muitas vezes também da sua residência. É possível ampliar essas parcerias, fazer trabalho com tranquilidade, que eu não tenho dúvidas que mais entidades estarão dispostas a fazer.

Seu plano usa a expressão “policiamento diferenciado” para atuação nas orlas e pontos turísticos. Por orlas, eu imagino que sejam as das praias Azul e dos Namorados. Qual a sua ideia de diferenciação para essas regiões?
Um ponto importe é o desenvolvimento econômico. É preciso gerar emprego, renda para a população. Uma das alavancas e um potencial que Americana tem muito grande, que alia a geração de emprego com a preservação ambiental, é o desenvolvimento do turismo.

Nós temos em Americana, uma preciosidade, que é a represa de Salto Grande. Temos também o Rio Piracicaba, o Rio Jaguari. Nós precisamos incentivar o turismo. Fazer com que as pessoas de São Paulo, Campinas, das cidades da região, venham passar o final de semana em Americana. Ele vai vir aqui, poder navegar na represa, ficar na orla. Precisamos desenvolver e estimular que os restaurantes atendam bem o turista.

E o policiamento diferenciado que eu coloco, seja na Praia Azul seja na dos Namorados,  que seja aquele que dê segurança ao turista e cordialidade ao mesmo tempo. Se chega um cidadão com som alto, atrapalhando, ele chega e avisa da área turística. Essa abordagem acolhedora.

O turista que vem aqui precisa voltar com a família, amigos e divulgar.Eu não tenho dúvida que havendo policiamento diferenciado, o visitante ficará seguro e vai se hospedar em Americana, gerar emprego e renda para a população.

Muito do seu plano de governo envolve a região do Pós-Represa por conta do potencial turístico.  Há até mesmo a intenção de criar uma rota fluvial, conectando a Praia dos Namorados, Praia Azul, Região do Zanaga e os iates de Americana e Campinas. O que é necessário para tirar esse projeto do papel?
O que é necessário para tirar do papel é experiência e competência em fazer diferente. Não é novidade nenhuma o transporte fluvial. Todos já devem ter passeado no barco escola. O que nós vamos fazer é colocar rotas com finalidade turística, que vai ser mantida pelos passageiros que vão vir e poder embarcar desde o Zanaga, Vale das Nogueira. Vão poder passear em qualquer ponto, inclusive atravessar no Pós-Represa dentro de um roteiro turístico.

O meio de transporte terrestre também está aliado. Teremos desde o ônibus, vans, minivans, automóvel para passageiro adaptado para isso, ciclovias, ciclofaixas. Tudo que pode fazer com que o turista chegue na rodoviária e lá tenha um ponto de partida do ônibus ou van turística, que vai não apenas levar para a região da Praia, mas também paro o turismo de negócio.

Ele pode ir na loja da fábrica, fazer sua compra e se a pessoa vai comprar ingresso no teatro, ele vai ser convidado a passar o final de semana aqui. Vai ser incentivado a consumir no restaurante que vai oferecer desconto.  E vai ter o roteiro turístico pela internet, impresso na rodoviária, dizendo que Americana tem coisa bonita para ser ver.

Você propõe estudos para regulamentação das cooperativas e transporte alternativo, uma pauta que sempre encontrou resistência para andar na cidade. Qual sua ideia de transporte alternativo?
Nós temos aqui um transporte turístico? Não tem. Precisamos ter. E se não cabe um ônibus, tem que ter uma van. Hoje nós temos os proprietários de vans escolares que estão passando um sufoco danado. Por que a gente não dá oportunidade para esse pessoal trabalhar de uma forma honesta, regulamentada e que atenda o cidadão?

Tenho discutido muito. Está faltando ônibus lá na Praia Azul? “Quantidade de passageiro é pequena, linha deficitária”. Gente. Põe uma van. Vamos fazer com organização, com os pés no chão. O que não dá é para repetir o mesmo modelo que há 200 anos é ônibus, ônibus, ônibus. O pessoal está contente? Está atendendo? Não dá para fazer diferente repetindo a mesma coisa.

A prefeitura deve encerrar o ano sem conseguir concluir a concessão do transporte público, que está travada na justiça através de uma liminar. O que o senhor pensa do edital, que está na terceira versão? O senhor faria algo diferente?
É a oportunidade de pegar e fazer um novo edital, com um novo modelo, novo pensamento. Não dá para repetir os erros do passado.

Quando entrei há 40 anos na prefeitura, era ônibus da AVA, depois veio Ouro Verde. O que muda? A cor do ônibus, um pouquinho melhor, mas é o modelo antigo ainda. Nós temos que inovar, gente.

Existe tecnologia para fazer isso. Por exemplo. Por que o ônibus não pode oferecer bagageiro para levar bicicleta? Eu não posso sair daqui, ir de bicicleta até o terminal, embarcar e descarregar na Praia Azul e ir até minha casa de bicicleta? Isso é integração.

Se  a gente tiver um transporte público coletivo de qualidade, com alternativa saudável, vamos diminuir a quantidade de carros na rua, diminuir a poluição, e não vamos precisar ficar investindo tanto em viadutos, alargamento de avenidas.

Esse que é o caminho. Oferecer condições de transporte de qualidade, terminais confortáveis, para que todo cidadão pense duas vezes antes de sair de casa de carro. Que ele prefira sair de transporte coletivo.

*Colaborou Maíra Torres

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