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Livro

Livro-reportagem apresenta histórias reais de trabalho na infância

Livro “Meninos Malabares – Retratos do trabalho infantil no Brasil”, dos jornalistas Bruna Ribeiro e Tiago Queiroz Luciano, traz dez histórias reais

Por Isabella Holouka

09 jun 2021 às 08:44 • Última atualização 09 jun 2021 às 09:05

Nos faróis, nos cemitérios, nas lanchonetes e nas plantações, crianças e jovens tentam sobreviver ganhando seu próprio dinheiro, seja para garantir o alimento do dia ou para ajudar a família. Com o objetivo de humanizar uma das mais graves violações de direitos contra crianças e adolescentes, os jornalistas Bruna Ribeiro e Tiago Queiroz Luciano apresentam dez histórias reais em “Meninos Malabares – Retratos do trabalho infantil no Brasil”.

Livro foi publicado pela Panda Books – Foto: Divulgação

O leitor conhece os meninos que equilibram cones e tochas de fogo, os adolescentes que limpam túmulos nos cemitérios de São Paulo em busca de uns trocados, um menino de oito anos que trabalha em uma plantação de palmitos. A obra traz relatos sobre trabalho infantil na praia, na feira, na lanchonete, no Carnaval, além da mendicância durante a crise causada pela pandemia de Covid-19, seguida de uma verdadeira pandemia da fome.

Mas apresenta também a trajetória de uma família de bolivianos que, com muito esforço, conseguiu romper o ciclo da exploração de uma oficina de costura. As fotos que acompanham cada uma das histórias emocionam e escancaram a situação vivida pelas crianças.

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Ao LIBERAL, o repórter fotográfico Tiago Queiroz Luciano contou que a publicação é originada em reportagens publicadas pela dupla de autores no jornal O Estado de S. Paulo desde 2015.

“A importância deste trabalho está em dar maior visibilidade para esse problema social, crônico, que assola as grandes capitais brasileiras, assim como médias e pequenas cidades. O trabalho infantil é estrutural, porque ainda existe na sociedade a percepção de que é melhor trabalhar do que roubar, e sabemos que as crianças precisariam estar brincando e estudando”, disse.

“Mostrar isso em texto e imagens dá visibilidade a um problema que muitas vezes é invisível, está longe das grandes pautas da mídia brasileira”.

Jornalistas são colaboradores do jornal O Estado de S. Paulo, na capital paulista – Foto: João Pedro Batista

Os relatos revelam o trabalho infantil como consequência de um problema estrutural, e que exige políticas públicas intersetoriais frente à desigualdade. Ao final do livro, os autores apresentam dados que contextualizam uma reflexão mais profunda sobre o assunto, com perspectiva histórica, jurídica, cultural e social.

Bruna Ribeiro é jornalista e aprofundou seu trabalho como repórter na área de educação e direitos humanos, tendo recebido neste ano o prêmio Jornalista Amigo da Criança. Já Tiago Queiroz Luciano é repórter fotográfico há quase 20 anos, e em 2020 ganhou o 37º Prêmio Direitos.

Trabalho infantil

Em 12 de junho é celebrado o dia Mundial de Combate ao Trabalho Infantil. O ano de 2021 foi declarado pela Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas) como o Ano Internacional para a Eliminação do Trabalho Infantil.

Trabalho infantil é toda forma de trabalho realizado por crianças e adolescentes abaixo da idade mínima permitida pela legislação. No Brasil, é proibido para menores de dezesseis anos, mas se for noturno, perigoso ou insalubre, a proibição se estende aos dezoito anos. Na condição de aprendiz, a lei permite o trabalho protegido a partir de quatorze anos.

Entre as causas do trabalho infantil estão a desigualdade social, o racismo estrutural e questões culturais. Como consequência, a violação de direitos expõe as crianças a violências físicas, psicológicas e sexuais, além de prejudicar a aprendizagem e causar evasão escolar, perpetuando a reprodução do ciclo da pobreza nas famílias.

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