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Entrevista

De novo no ar, Juca de Oliveira relembra personagem traumatizado

Juca de Oliveira ainda se emociona com os traumas do aterrorizado personagem Samuel, de “Flor do Caribe”, que foi exibida em 2013

Por Márcio Maio / TV Press

06 jan 2021 às 07:36 • Última atualização 06 jan 2021 às 07:47

Aos 85 anos, Juca de Oliveira coleciona personagens memoráveis em uma carreira de 56 anos de atuação na tevê. Um deles está no ar, na faixa das 18h da Globo: o traumatizado Samuel de “Flor do Caribe”. A novela foi gravada e exibida em 2013, mas a emissora a escolheu para ocupar a lacuna deixada pela paralisação das gravações em seus estúdios, que durou de março a agosto, em função da pandemia do novo coronavírus.

Na história, Samuel é o pai da mocinha Ester, papel de Grazi Massafera, e marido de Lindaura, interpretada por Ângela Vieira. Nascido na Holanda, de família judia, aos cinco anos foi separado dos pais, mas se interessou desde cedo pela arte de sua família, o design e fabricação de joias.

“Foi uma construção difícil. Eu tinha de trabalhar o personagem para que ele fluísse. Era muito complexo. Eu achava, quando comecei as primeiras cenas e fui tocado pela tragédia daquele menino, que a vida (dele) não poderia, jamais, se resolver”, recorda.

O último trabalho de Juca foi em “O Outro Lado do Paraíso”, como o ardiloso advogado Natanael – Foto: Divulgação

O que você achou da escolha de “Flor do Caribe” neste momento?
Achei muito positiva. Ela é uma obra perfeita sobre o homem brasileiro, suas fraquezas, ambições, paixões e, com certeza, nos ajudará a cruzar essa trágica pandemia.

O que a novela tem para ajudar nesse processo?
O Jayme é diretor incrível. A beleza do Nordeste, que nós visitamos, com suas dunas, praias e o sol… O espírito da novela é muito delicado, solidário, gentil. O público vai se reconciliar com ele, a despeito de estarmos vivendo um período tão trágico.

Como foi a gravação no Rio Grande do Norte?
Aquele momento, com aquela paisagem excepcional e aquelas pessoas felizes, lamentavelmente, não se repete mais. À medida que o tempo passa, o homem agride o ambiente. Nós podemos ver isso hoje, com a pandemia. Então, acho que devemos aprender que temos de voltar a fazer as pazes com a natureza, os animais, os insetos, com tudo.

O que mais lhe chamou atenção nesse papel?
A trajetória do Samuel era complicadíssima. Com cinco anos, ele assiste ao encarceramento dos seus pais nos crematórios nazistas. Ele não consegue se livrar desse terror, mas consegue fugir para o Brasil. Aqui, a vida fica absolutamente maravilhosa. Mas, de quando em quando, volta tudo. Foi uma construção difícil.

Como foi o processo de construção?
Passei a consultar judeus egressos do holocausto nazista no Brasil e também alguns psiquiatras, para saber como era o comportamento de pessoas que tiveram esse passado. Tive a chance de conversar com judeus que vieram para o Brasil naquele período. Você acaba vivendo através dos personagens que você representa. Tem de desenvolver um trabalho de análise, até que você se encontre com ele.

Qual foi a cena mais difícil?
Há um momento em que Samuel vem caminhando tranquilo pela praia, em um dia ensolarado. De repente, vê no céu três aviões da FAB e os confunde imediatamente com aviões nazistas em ação de extermínio na Alemanha, durante sua infância. Ele volta ao passado e passa a se comportar como uma criança em pânico, tentando salvar sua mulher e sua filha.

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