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Covid-19

Empresa de Santa Bárbara ajuda a criar tecido que elimina o novo coronavírus

Desenvolvido em parceria com startup, material que inativa vírus em até dois minutos pode ser usado em roupas hospitalares e outros produtos

Por Rodrigo Alonso

21 jun 2020 às 07:35 • Última atualização 21 jun 2020 às 10:25

Uma empresa de produtos químicos de Santa Bárbara d’Oeste ajudou a criar um tecido capaz de inativar o novo coronavírus (Covid-19). Durante os testes, o material, que possui micropartículas de prata na superfície, eliminou 99,9% do vírus após dois minutos de contato.

Nas próximas semanas, produtos reforçados com essa tecnologia, como máscaras de proteção e roupas hospitalares, já devem estar no mercado. A própria empresa barbarense ficou responsável pela comercialização para a indústria têxtil.

O diretor da Star Colours, Rogerio Segura; empresa fez aplicação em tecidos para deixá-los resistentes ao novo coronavírus – Foto: Marcelo Rocha / O Liberal

“Tem muita gente já pedindo para fazer provas, tanto no Sul do Brasil como aqui na região, que é um polo têxtil importante. É impressionante”, contou ao LIBERAL o diretor da Star Colours, Rogerio Segura.

Os trabalhos da criação do tecido foram liderados por pesquisadores da Nanox, empresa com sede em São Carlos. O desenvolvimento teve apoio da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo).

Produtos que utilizam a a tecnologia devem estar no mercado nas próximas semanas – Foto: Marcelo Rocha / O Liberal

Também houve participação de pesquisadores da USP (Universidade de São Paulo), da Universitat Jaume I, da Espanha, e do CDMF (Centro de Desenvolvimento de Materiais Funcionais).

Toda a parte de aplicação das micropartículas no tecido, que é composto de polyester e algodão, foi feita pela Star Colours, que fica no Distrito Industrial barbarense.

“Inclusive, um dos produtos que ancora, que segura os íons de prata no tecido, foi desenvolvido aqui em Santa Bárbara”, explicou Rogerio.

Antes, por causa de sua atividade antibacteriana e fungicida, essas micropartículas já eram fornecidas pela Nanox para indústrias têxteis e de outros segmentos. Com a pandemia, a empresa também buscou explorar a efetividade antiviral dessa tecnologia.

“Quando veio a pandemia, a gente sabia que esses produtos à base de prata têm ação antivírus, mas a gente nunca tinha testado o nosso produto”, afirmou o CEO da Nanox, Luiz Gustavo Pagotto Simões.

A tecnologia pode ser aplicada em diferentes tipos de tecido, inclusive camisetas e jeans. Rogerio aponta que o produto, em toda sua formação, não conta com nenhuma matéria-prima importada. “É um produto que a gente tem em casa, é um produto doméstico”.

DESENVOLVIMENTO
Para realizar os ensaios, a Nanox se associou a pesquisadores do Instituto de Ciências Biomédicas da USP (ICB-USP), que conseguiram logo no início da epidemia no Brasil isolar e cultivar em laboratório o vírus SARS-CoV-2 obtido dos dois primeiros pacientes brasileiros diagnosticados com a doença.

As amostras de tecido foram mantidas em contato direto com os vírus em intervalos de tempo diferentes, de dois e cinco minutos, para avaliar a atividade antiviral.

“A quantidade de vírus que colocamos nos tubos em contato com o tecido é muito superior à que uma máscara de proteção é exposta e, mesmo assim, o material foi capaz de eliminar o vírus com essa eficácia”, diz Lucio Freitas Junior, pesquisador do ICB-USP.

“É como se uma máscara de proteção feita com o tecido recebesse um balde de partículas contendo o vírus e ficasse encharcada”, comparou o pesquisador.

Os desenvolvedores pretendem avaliar, agora, a duração do efeito antiviral das micropartículas no tecido. Em testes relacionados à propriedade bacteriana, os materiais puderam controlar fungos e bactérias mesmo depois de 30 lavagens.

“Como o material apresenta essa propriedade bactericida mesmo após 30 lavagens, provavelmente mantém a atividade antiviral por esse mesmo tempo”, diz Luiz Gustavo. COM INFORMAÇÕES DA AGÊNCIA FAPESP.

Podcast Além da Capa
O mais festejado dos cinco títulos mundiais da seleção brasileira? A resposta é subjetiva, depende da percepção de cada um. Independentemente disso, a conquista da Copa do Mundo de 1970, no México, completa 50 anos sem ter ameaçado seu lugar no Olimpo do futebol. O ambiente de Americana naqueles dias de junho pauta essa edição do Além da Capa. O editor Bruno Moreira conversa com o repórter Rodrigo Alonso, além de contar com a contribuição de convidados.

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