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Santa Bárbara

Cooperativa ajuda mulheres a terem renda em Santa Bárbara

Local nasceu para dar oportunidades a mulheres deixadas de lado pelo mercado de trabalho e antigos moradores favela Zumbi dos Palmares

Por Leonardo Oliveira

07 fev 2021 às 10:06 • Última atualização 07 fev 2021 às 10:07

Renata Cristiane Silva de Oliveira, de 27 anos, perdeu o marido em um trágico acidente quando estava de mudança para uma nova casa, em Santa Bárbara d’Oeste, em 2019. Com cinco filhos para criar e vindo de seis anos sem um emprego, encontrou ainda mais resistência para se inserir no mercado de trabalho.

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Marcela Rodrigues Sisareli, de 31 anos, teve o primeiro de seus três filhos em 2011. Era balconista até então, mas, depois disso, ficou quase uma década sem um emprego fixo. “Eles não dão oportunidade por causa das crianças”, disse a mulher, que hoje também não conta com a ajuda do ex-companheiro para cuidar dos filhos.

Antonio Carlos Viana de Barros, 62 anos, fundador da cooperativa.JPG – Foto: Leonardo Oliveira – O Liberal

Já Ilma Azevedo Bispo, de 36 anos, também viveu a perda do companheiro, em 2015, quando um dos filhos havia nascido há apenas cinco meses. Ela não conseguiu emprego desde 2011 e seguiu assim até 2018, quando descobriu a Cooperativa Juntos Somos Mais Fortes, de Santa Bárbara d’Oeste.

Os destinos dessas três mulheres se cruza a partir do momento que a iniciativa é criada, pelo ativista Antônio Carlos Viana de Barros, o Carlinhos Viana, e pela hoje vereadora da cidade, Esther Moraes (PL).

O local nasceu para dar oportunidades a mulheres deixadas de lado pelo mercado de trabalho e para suprir uma demanda por emprego criada a partir do processo de “desfavelização” da favela Zumbi dos Palmares.

Muitos dos moradores da antiga favela viviam dos recicláveis que recolhiam e guardavam nos “barracos”. Quando a prefeitura acabou com o local e transferiu os moradores para o Residencial Bosque das Árvores, eles foram proibidos de manter os materiais nos apartamentos.

Entre os residentes da favela Zumbi dos Palmares estavam muitas mulheres, solteiras ou viúvas, responsáveis pelo sustento de um lar que conta com, geralmente, mais de um filho.

“Esse projeto nasce essencialmente para inclusão de mulheres arrimo de família, vítimas de violência, que ficam com seus filhos e que o mercado de trabalho geralmente não costuma abrir as portas”, disse Carlinhos ao LIBERAL.

Com apoio do Rotary Club de Santa Bárbara e da construtora Camargo Corrêa, teve início o projeto. A cooperativa ganhou um chamamento público aberto pela prefeitura e garantiu a cessão de um terreno no Parque Industrial II. Lá se instalou e começou as atividades, recolhendo os recicláveis de metade da cidade.

Hoje, depois de mais de dois anos de fundação, a Juntos Somos Mais fortes emprega 21 pessoas, dentre elas 16 mulheres e cinco homens. O salário de cada um dos cooperados é de pouco mais de um salário mínimo, o que se torna muito para quem não teve nada durante muitos anos.

Elisabete Maria de Lima Matos, 37 anos, presidente da cooperativa.JPG – Foto: Leonardo Oliveira – O Liberal

“Hoje eu consigo adquirir a minha dignidade e manter os meus compromissos em dias, pagar as minhas contas, ir ao supermercado. As necessidade básicas, que para muitos são simples, pra quem não tem é uma grande dificuldade”

Presidente da cooperativa, Elisabete Maria de Lima Matos, de 37 anos

Lidar com a logística de uma cooperativa também exige desafios. Por isso, a Juntos Somos Mais Fortes se tornou, em julho do ano passado, franqueada do programa “Vir a Ser”, que padroniza a atuação da cooperativa de acordo com a legislação ambiental e potencializa os ganhos da iniciativa.

“Hoje eu já estou conseguindo pagar minhas contas, cuidar dos meus filhos. O sonho é dar uma vida melhor para meus filhos. Eu já sofri muito, não quero isso para eles”

Marcela Rodrigues Sisareli , 31 anos, cooperada
Marcela Rodrigues Sisareli , 31 anos, cooperada – Foto: Leonardo Oliveira – O Liberal

Depois de “furar” a resistência que havia sobre elas no mercado de trabalho e conseguir a reinserção a um meio de remuneração, as agora cooperadas também conseguiram de volta o direito de sonhar. “Eu tenho o sonho de voltar a estudar, vou tirar a minha carta [CNH]. Através desse emprego eu vou adquirir tudo isso”, prevê Renata.

EXPANSÃO. Um importante passo foi dado em dezembro do ano passado para ampliar o trabalho realizado pela Juntos Somos Mais Fortes em Santa Bárbara. Um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) foi assinado entre a cooperativa, a prefeitura e o MP (Ministério Público).

Esse documento amplia de R$ 12 mil para R$ 40 mil mensais o valor que o governo barbarense tem que repassar para as duas cooperativas que atuam no município: a Recicoplast é a outra, que atende o restante da cidade.

Segundo o fundador da Juntos Somos Mais Fortes, existe um projeto para ampliar para 35 o número de pessoas empregadas até o fim do ano. Além disso, já está em construção um imóvel para abrigar as crianças das cooperadas no horário em que elas estiverem trabalhando.

Hoje, as mulheres pagam cerca de R$ 400 por mês para alguém cuidar dos filhos. Com isso, a maior parte do dinheiro que ganham vai para o custeio da casa. Com o novo espaço, no mesmo prédio da cooperativa, terão uma preocupação a menos.

Além disso, a cooperativa pleiteia junto à prefeitura melhorias no barracão, que alaga quando há chuvas na cidade. Outra reclamação é o mato alto no entorno do imóvel. Em janeiro, membros da Juntos Somos Mais Fortes se reuniram com o executivo e o balanço foi considerado positivo.

“A Secretaria de Governo agradeceu nossa ida e prometeu dar atenção especial para que possamos ter nossos anseios e reivindicações atendidas”, disse Carlinhos.

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