Região tem dificuldade para preencher vagas no setor têxtil

Em Nova Odessa, vaga está aberta há pelo menos três meses; crise econômica tem feito mão de obra migrar para outras áreas


Na RPT (Região do Polo Têxtil), empresas do setor têm tido dificuldades para preencher cargos tradicionais. Uma vaga de tecelão, por exemplo, está aberta há pelo menos três meses em Nova Odessa, segundo a coordenadora do PLT (Posto Local do Trabalho), Ana Paula Néris Ferreira. É que a crise tem feito a mão de obra migrar e quem está entrando no mercado geralmente busca outras especializações.

A dificuldade acontece em um cenário de desemprego em que a procura por uma oportunidade tem batido recordes. A Feira de Empregabilidade organizada no último sábado pelo Unisal (Centro Universitário Salesiano) e realizada no Tivoli Shopping, em Santa Bárbara d’Oeste, por exemplo, recebeu 5,5 mil pessoas em busca de uma das 500 vagas em várias áreas. Nas edições anteriores, a quantidade girou em torno de 3 mil candidatos.

Foto: Marcelo Rocha / O Liberal_19.10.2019
Feira de empregos no último sábado: procura por vagas é recorde

Em Americana, algumas vagas do setor têxtil também estão entre as mais difíceis de preencher, como tecelão, engrupador e urdidor, segundo a prefeitura, que administra o PAT (Posto de Atendimento ao Trabalhador) local. “Tudo na área têxtil é difícil, porque quem está nessa área não sai da empresa”, afirma Ana Paula, do posto do trabalho de Nova Odessa.

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Em Americana, o último levantamento do PAT aponta que quatro das 32 vagas abertas eram para o setor têxtil.

Segundo Dilézio Ciamarro, presidente do Sinditec, sindicato patronal do setor, o que acontece no segmento é que a mão de obra migrou para outros ramos, em razão da crise que atingiu as indústrias. Ciamarro conta que uma empresa pode levar um mês para arranjar um tecelão, por exemplo. A solução encontrada pelo empresariado tem sido investir em treinamento. “Por conta dessa dificuldade estão formando a mão de obra dentro da própria empresa”, diz o presidente do Sinditec.

Para formar um tecelão do zero, afirma Ciamarro, são necessários ao menos seis meses de treinamento. “Contramestre é um ano de treinamento, no mínimo.”

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E a profissionalização escolar, por causa da procura, tem atendido mais outras áreas. No Senai de Americana, por exemplo, que oferece cursos de aprendizagem na área têxtil, a demanda maior tem sido por outras áreas: eletroeletrônica e metal mecânica, de acordo com o diretor da unidade de Americana, Marcelo Virgílio.

As vagas que os postos locais de trabalho têm tido dificuldade para preencher são aquelas que exigem qualificação técnica. Ainda no setor têxtil, por exemplo, entram na conta operador de rama, suplente de tecelão e pessoas que trabalhem no corte de mesa. Mecânicos, eletricistas e serralheiros também são alguns dos profissionais que as empresas suam mais para contratar em Americana e Nova Odessa.

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