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Região

Na Região do Polo Têxtil, 28% dos mortos tinha menos de 60 anos

Pneumologista alertou que ainda existe uma falsa percepção que a Covid provoca complicações graves apenas em idosos

Por Marina Zanaki

06 jun 2020 às 07:56 • Última atualização 06 jun 2020 às 11:41

O novo coronavírus (Covid-19) matou 45 pessoas na RPT (Região do Polo Têxtil), das quais 13 tinham menos de 60 anos. O percentual é de 28%, semelhante ao observado no Estado de São Paulo, em que 27% das vítimas da doença tinha menos de 60 anos.

Pneumologista da Unicamp e membro da Sociedade de Pneumologia e Tisiologia, Ricardo Siufi alertou que ainda existe uma falsa percepção que a Covid provoca complicações graves apenas em idosos.

“A população acredita que fator de risco para evoluir para mortalidade de coronavírus é só idade, que é perigoso só para grupo maior de 60 anos. Não podemos nunca esquecer de outros fatores de risco que não só a idade, senão começa a ver uma só variável, e existem muitas que podem levar o paciente a um pior desfecho”, alertou o médico.

O comerciante Alessandro Moitinho Pacheco, de 48 anos, morreu em abril no Hospital Municipal com o coronavírus. No período em que ficou internado, precisou ser entubado e teve complicações nos rins. Ele era diabético e tinha pressão alta.

Alessandro Moitinho Pacheco tinha 48 anos – Foto: Reprodução / Facebook

Sua esposa, a professora Dinalva Marques Pacheco, de 54 anos, também contraiu coronavírus em abril. Ela também tem hipertensão e diabetes, mas teve apenas uma gripe e se recuperou rapidamente da doença. Ao LIBERAL, ela disse que não há “explicação” para as complicações de Alessandro.

“Ele tomava remédio para controlar pressão e pra diabetes, era normal. O meu cunhado (que é médico) acha que não foi isso que prejudicou. Ele teve problemas de rim, precisou fazer hemodiálise. Não sabe se foram os remédios pra Covid, ou se era predisposição que ele tinha”, disse a professora.

“Inclusive eu sou mais velha que ele, tomo os mesmos remédios que ele pra pressão e diabetes, e o meu não evoluiu. Acho que tem muito do organismo da pessoa”, afirmou Dinalva.

O representante comercial Claudinei Clemente, que morava em Santa Bárbara d’Oeste, morreu aos 50 anos com coronavírus. Seu irmão, o aposentado José Clemente Neto, de 60 anos, contou que ele tinha rinite e artrite reumatoide, mas que tinha uma boa imunidade.

Claudinei Clemente, que morava em Santa Bárbara d’Oeste, morreu aos 50 anos – Foto: Facebook / Reprodução

“Não sei porque pessoa nova que nem ele, coração bom, pressão boa, a doença pegou forte desse jeito. Ninguém consegue explicar. O médico falou que ele aguentou bem porque coração, pressão dele eram ótimos”, disse o aposentado.

CONTAMINADOS. Em Americana, 88% das pessoas que testaram positivo para o coronavírus tem menos de 60 anos. A faixa etária com maior predominância da doença é dos 40 aos 49 anos. Na sequência, quem mais se infecta são as pessoas entre 30 e 39 anos.

A infectologista Ártemis Kílaris ponderou que a ocorrência de mortes entre pessoas jovens está relacionada ao perfil de infectados.

“Temos visto que a doença tem acometido pessoas mais jovens, grande parte de pessoas internadas são mais jovens, e não idosos. Talvez porque os idosos estão ficando em casa. A impressão é que os adultos mais jovens estão morrendo mais, mas na verdade eles estão tendo mais a doença”, analisou a médica.

Podcast Além da Capa
A relação de Americana com Santo Antonio, o padroeiro da cidade, completa 120 anos em 2020, mas a festividade em torno da data foi forçada a ser revista por conta da pandemia do novo coronavírus (Covid-19). Desde o início da quarentena, em março, as missas realizadas na Basílica Santuário Santo Antonio de Pádua não contam com a presença de fieis dentro da igreja, por conta do isolamento social, mas o contato é mantido por transmissões pelo Facebook. Nesse episódio, o editor Bruno Moreira conversa com o administrador paroquial da basílica, o padre Valdinei Antonio da Silva. A necessidade do cancelamento de outros eventos da comunidade católica, como as festas de São João de Carioba e do Senhor Bom Jesus, também é abordada com os padres Marcos Ramalho e Marcelo Fagundes.