Microempresas são as que mais empregam nas cidades da RPT

Das 5.833 vagas de emprego abertas nos primeiros 10 meses do ano, 4.008 postos, equivalentes a 68% do total, foram em empresas com até 19 funcionários


A geração de postos de trabalho na RPT (Região do Polo Têxtil) em 2019 concentrou-se em microempresas, que possuem até 19 funcionários. De acordo com levantamento realizado pelo Ministério do Trabalho a pedido do LIBERAL, 68% dos empregos registrados de janeiro a outubro estavam dentro dessa categoria.

Dos 5.833 postos de trabalho abertos nos primeiros dez meses do ano na região, 4.008 foram em microempresas. Desses, 3.926 concentram-se em empresas que entram na categoria “0 empregados”.
Empresas de pequeno porte (de 20 a 99 funcionários) tiveram saldo de 970 postos criados.

Foto: Arquivo / O Liberal
Microempresas foram as que mais geraram empregos na RPT neste ano

As empresas de médio porte (de 100 a 499 trabalhadores) criaram 965 vagas. A única categoria com saldo negativo foram as grandes empresas, que possuem mais de 500 funcionários. Nesse caso, foram fechados 366 postos.

Os conceitos de microempresa, pequeno, médio e grande porte usados na reportagem levaram em consideração o que é definido pelo Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas).
Além disso, os dados do Ministério do Trabalho sobre quantidade de funcionários levaram em conta o que foi declarado pelas empresas no dia 1° de janeiro de 2019.

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A empresária Vanessa Dias, dona do “Doce Encontro Festas e Eventos”, de Americana, contou que contratou muitos funcionários na modalidade freelancer esse ano. Como os eventos ocorrem principalmente aos finais de semana, a empresária avalia que é mais interessante essa contratação a partir da demanda de trabalho.

“Também sentimos a necessidade de contratar alguém para vendas, para realmente buscar os clientes e fazer mais prospecção. Contratamos agora em dezembro, vimos como um investimento e já sentimos diferença”, destacou a empresária.

ANÁLISE

Economista do Observatório da PUC (Pontifícia Universidade Católica) Campinas, Eliane Rosandiski analisou que a maior parte das contratações se concentra na categoria de empresas com “0 funcionários” pois refere-se a terceirizações.

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A aposta da professora é que os empregos estejam concentrados em profissionais que se tornaram PJ (Pessoas Jurídicas) e estão prestando serviços. Ela lembrou que a Reforma Trabalhista possibilitou a terceirização da atividade-fim das empresas.

“Muitas empresas estão adotando essa estratégia para fazer redução de custos, e aí dentro dessa redução implica contratar diretamente a pessoa como PJ e não contrato formal de trabalho. Tem crescido muito essa participação”, afirmou.

A professora também analisou que a maior parte dos empregos gerados está relacionado a setores como prestação de serviços e comércio. Ela apontou que a prestação de serviços pessoais tem participação no resultado, em áreas como alimentação e estética. Contudo, aponta que esses setores não têm força para manter uma demanda prolongada de consumo, importante para a retomada econômica.

Ela identificou uma leve movimentação nas empresas que prestam serviços para a indústria. “No ramo da indústria têxtil, tem um grande conjunto que são as formadas as pequenas empresas de prestadoras de serviços, como setor de autopeças, mas esse movimento da indústria está mais tímido, a grande empresa industrial ainda não retomou sua capacidade de geração de empregos”, declarou a economista.

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