Boas Histórias: amido é a nova arma na luta contra o mosquito da dengue

Pesquisadores da Unicamp confirmam eficácia do uso de amido de milho no combate ao Aedes aegypti, mosquito transmissor de série de doenças


O amido de milho é a mais nova arma na luta contra o mosquito Aedes aegypti, responsável pela transmissão de doenças como zika, febre amarela, dengue e chikungunya. Pesquisadores da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) desenvolveram partículas feitas a partir da matéria-prima que liberam ativos letais para as larvas do mosquito.

Segundo a Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo), que apoiou o trabalho, a metodologia teve a patente requerida por meio da Inova (Agência de Inovação) da Unicamp Inova e foi descrita em artigo da revista Industrial Crops and Products. A pesquisa foi coordenada pela professora da FEA (Faculdade de Engenharia de Alimentos) Ana Silvia Prata.

Foto: Patrícia Cardoso / Unicamp
Amido de milho é a mais nova arma na luta contra o mosquito Aedes aegypti

A professora detalha que a partícula segue o mesmo comportamento dos ovos do mosquito Aedes aegypti. Ela fica inerte quando o ambiente está seco e começa a liberar o componente letal às larvas três dias após entrar em contato com a água. Segundo Ana, esse tempo corresponde ao período em que os ovos do Aedes eclodem e surgem as larvas.

O método é indicado para ser usado em recipientes pequenos, como os criadouros domésticos – vasos de plantas, garrafas, pneus e entulhos. Segundo a Agência Fapesp, desde o início os pesquisadores trabalharam com a ideia de desenvolver um método que fosse eficaz contra as larvas que surgem em recipientes menores. Estudos epidemiológicos indicam que 50% dos focos do mosquito estão em pequenas poças de água.

Além do amido de milho, a partícula também leva óleo essencial de tomilho como agente larvicida. A professora responsável pela coordenação da pesquisa chama atenção para o baixo custo do amido de milho e também do óleo de tomilho. A expectativa dos pesquisadores é que o valor atraia interessados em produzir o material em escala industrial.

Segundo Ana Silva, os pesquisadores chegaram ao valor de R$ 30 por quilo do produto, custo que ainda pode ser reduzido. A sua utilização em larga escala, no entanto, vai depender do apoio externo de pessoas interessadas em produzir o material. “Nossa expectativa é que, por ser um produto barato e de eficácia comprovada, ele atraia interesse”, diz a professora.

Na sua avaliação, a matéria-prima acessível e de baixo custo poderia atrair também o interesse do governo em produzir o material e distribuí-lo à população como forma de combater a proliferação do mosquito Aedes aegypti.

Apenas em Americana, foram mais de 4,5 mil casos de dengue confirmados este ano, sendo duas mortes e a terceira maior epidemia desde 2008. A vítima mais recente foi um idoso de 79 anos, residente na Vila Santa Maria.

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