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Unicamp

Boas Histórias: amido é a nova arma na luta contra o mosquito da dengue

Pesquisadores da Unicamp confirmam eficácia do uso de amido de milho no combate ao Aedes aegypti, mosquito transmissor de série de doenças

Por Valéria Barreira

14 ago 2019 às 08:59

O amido de milho é a mais nova arma na luta contra o mosquito Aedes aegypti, responsável pela transmissão de doenças como zika, febre amarela, dengue e chikungunya. Pesquisadores da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) desenvolveram partículas feitas a partir da matéria-prima que liberam ativos letais para as larvas do mosquito.

Segundo a Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo), que apoiou o trabalho, a metodologia teve a patente requerida por meio da Inova (Agência de Inovação) da Unicamp Inova e foi descrita em artigo da revista Industrial Crops and Products. A pesquisa foi coordenada pela professora da FEA (Faculdade de Engenharia de Alimentos) Ana Silvia Prata.

Foto: Patrícia Cardoso / Unicamp
Amido de milho é a mais nova arma na luta contra o mosquito Aedes aegypti

A professora detalha que a partícula segue o mesmo comportamento dos ovos do mosquito Aedes aegypti. Ela fica inerte quando o ambiente está seco e começa a liberar o componente letal às larvas três dias após entrar em contato com a água. Segundo Ana, esse tempo corresponde ao período em que os ovos do Aedes eclodem e surgem as larvas.

O método é indicado para ser usado em recipientes pequenos, como os criadouros domésticos – vasos de plantas, garrafas, pneus e entulhos. Segundo a Agência Fapesp, desde o início os pesquisadores trabalharam com a ideia de desenvolver um método que fosse eficaz contra as larvas que surgem em recipientes menores. Estudos epidemiológicos indicam que 50% dos focos do mosquito estão em pequenas poças de água.

Além do amido de milho, a partícula também leva óleo essencial de tomilho como agente larvicida. A professora responsável pela coordenação da pesquisa chama atenção para o baixo custo do amido de milho e também do óleo de tomilho. A expectativa dos pesquisadores é que o valor atraia interessados em produzir o material em escala industrial.

Segundo Ana Silva, os pesquisadores chegaram ao valor de R$ 30 por quilo do produto, custo que ainda pode ser reduzido. A sua utilização em larga escala, no entanto, vai depender do apoio externo de pessoas interessadas em produzir o material. “Nossa expectativa é que, por ser um produto barato e de eficácia comprovada, ele atraia interesse”, diz a professora.

Na sua avaliação, a matéria-prima acessível e de baixo custo poderia atrair também o interesse do governo em produzir o material e distribuí-lo à população como forma de combater a proliferação do mosquito Aedes aegypti.

Apenas em Americana, foram mais de 4,5 mil casos de dengue confirmados este ano, sendo duas mortes e a terceira maior epidemia desde 2008. A vítima mais recente foi um idoso de 79 anos, residente na Vila Santa Maria.

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