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Nova Odessa

Sem sossego: a rotina dos vizinhos da Pedreira de Nova Odessa

Moradores têm que conviver com danos, sujeira e barulho, já que implosões ocorrem uma vez por semana

Por Rodrigo Alonso

13 set 2020 às 08:48 • Última atualização 13 set 2020 às 08:49

Tremor, barulho, sujeira e danos estruturais. Essa é a rotina de quem mora ao redor da Pedreira Fazenda Velha, em Nova Odessa. A situação, inclusive, está relatada em um inquérito do Ministério Público.

Moradores reclamam, principalmente, das implosões, que ocorrem uma vez por semana. “Se você ver o que acontece, parece que está tendo um terremoto no momento da explosão”, conta o veterinário Alex Rodrigo Domiciano, de 36 anos, que mora em frente à pedreira, no Parque dos Pinheiros. Segundo ele, a área da pedreira está se expandindo e se aproxima cada vez mais do bairro.

Área de pedreira, em Nova Odessa, alvo de reclamações de moradores da região – Foto: Marcelo Rocha / O Liberal

Os moradores também sofrem com rachaduras nas paredes. “O bairro inteiro acaba sofrendo com trincas por causa dessas implosões. Já é uma situação que vem de anos”, afirma o técnico contábil Ansley Vieira, de 45 anos, presidente da Associação dos Amigos do Bairro Parque dos Pinheiros.

Ele aponta que, de um ano para cá, a força dos impactos tem aumentado. “Os moradores que ficam mais próximos da pedreira estão percebendo que os impactos estão sendo muito maiores, estão crescendo”, diz.

Na casa da advogada Juliana Silva Magro Ferreira, de 36 anos, as trincas aparecem em diferentes cômodos, com metros de cumprimento. Ela também se incomoda com o barulho dos trabalhos realizados diariamente pela pedreira.

“Além do prejuízo financeiro, que eu tenho medo de a parede da minha casa cair, hoje o problema maior que eu tenho também é do barulho, que é o dia inteiro em níveis altíssimos. O incômodo é um absurdo. É a qualidade de vida que a gente não tem mais por conta da pedreira”, lamenta.

Também existem os problemas causados pela poeira que sai da pedreira e invade as residências. O veterinário Alex conta que sua esposa tem asma e, por causa da sujeira, às vezes não consegue ficar em casa.

O inquérito aberto pelo MP em Nova Odessa, de responsabilidade do promotor Carlos Alberto Ruiz Nardy, partiu de denúncia formalizada pela advogada Rosemeire Duarte, que mora no bairro Chácara Central, próximo à pedreira.

De acordo com o promotor, a empresa passa por um processo de renovação de licença. Ele aguarda a conclusão do procedimento para dar andamento às investigações.

A advogada Juliana mostra rachadura na parede da casa onde mora – Foto: Marcelo Rocha / O Liberal

Procurada pela reportagem, a Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) informou ter feito uma inspeção no local em 27 de agosto, porém, assim como nas avaliações anteriores, nenhuma irregularidade foi constatada.

A companhia comunicou que, na ocasião, as medições realizadas pelos técnicos se apresentavam dentro dos parâmetros permitidos e que o avanço dos módulos de extração se direciona opostamente à população do entorno.

Em nota, a prefeitura disse que as secretarias de Meio Ambiente e Obras vão averiguar as denúncias, mas apontou que a pedreira está regular perante a administração municipal.

O LIBERAL tentou contato com a administração da empresa, mas não houve retorno a um e-mail enviado pela reportagem. As ligações caíram na caixa postal.

Usina
O inquérito civil que trata da Pedreira Fazenda Velha também investiga duas usinas de asfalto localizadas no entorno. Ao LIBERAL, a advogada Rosemeire Duarte, autora da denúncia, acusa as empresas de causarem poluição. “Quando chove, o chão fica uma crosta preta. É poluição pura”, conta.

Segundo o promotor Carlos Alberto Ruiz Nardy, a Cetesb já constatou problemas relacionados a odor e fumaça. Mas ele afirmou que, de acordo a companhia, tudo foi resolvido.

O promotor disse que, mesmo assim, as reclamações continuam. Portanto, ele marcou para a próxima sexta-feira uma reunião com representantes da Cetesb justamente para questioná-los sobre o assunto.

A Cetesb informou ter feito inspeção nas duas empresas em 13 de agosto, sem identificar irregularidade. As duas também estão regulares na prefeitura.

“Nossa empresa paga imposto regularmente, gera empregos, e a gente está dentro de todas exigências”, comentou Mário Antônio David Soares dos Anjos, sócio-proprietário de uma das usinas, a Jaguary.

A reportagem não conseguiu contato com a outra empresa, a CBUQ – Preparação de Concreto Betuminoso.

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