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HORTOLÂNDIA

Padrasto de Maria Clara muda versão e diz que menina morreu em ‘queda acidental’

Em depoimento ao juiz, Cássio Martins Camilo alegou ter sido agredido por policiais para confessar; MP pede júri popular

Por André Rossi

11 abr 2021 às 08:33

Polícia investiga terreno onde Maria Clara (destaque) foi encontrada - Foto: Marcelo Rocha - O Liberal / Reprodução

O auxiliar de produção Cássio Martins Camilo, 27, que havia confessado o assassinato da enteada Maria Clara Calixto Nascimento, de 5 anos, agora mudou a versão e passou a negar o crime. No depoimento em juízo, o homem disse que a menina morreu em uma “queda acidental”.

O novo interrogatório ocorreu de forma virtual no dia 31 de dezembro, quando o réu foi ouvido pelo juiz da 2ª Vara Judicial de Hortolândia, André Forato Anhê. O homem alega ainda ter sido agredido por policiais para confessar o crime na delegacia, no dia 18 de dezembro de 2020.

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O MP (Ministério Público) argumenta que não há nenhuma prova para sustentar o novo discurso do acusado e pede que o caso vá à júri popular. A documentação ficou disponível na última sexta-feira (9) no sistema eletrônico do TJ-SP (Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo).

O crime em questão aconteceu no dia 17 de dezembro, na casa da família, no bairro Vila Real, em Hortolândia. No depoimento prestado na delegacia, Cássio admitiu que usou drogas na noite que antecedeu o crime e “surtou” quando estava sozinho com Maria Clara.

O homem confirmou que realizou a “prática sexual” e, na sequência, utilizou as duas mãos para apertar o pescoço da criança, que não resistiu. Não houve conjunção carnal, conforme apontado nos laudos, o que não afasta a possibilidade de ato libidinoso e, por consequência, é enquadrável como estupro.

Na sequência, Cássio enrolou a menina numa cortina, colocou o corpo dentro de uma caixa de papelão e cobriu com pedaços de plástico. Câmeras de segurança de residências da área flagraram Cássio carregando a caixa por ruas do bairro. Depois, descartou a caixa em um terreno baldio.

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Entretanto, no interrogatório em juízo, o homem alegou que a morte da vítima foi resultado de uma “queda acidental”. As informações constam em documento do MP anexado ao processo.

No entanto, quando perguntado sobre as circunstâncias em que teria ocorrido o suposto acidente, ele optou por permanecer em silêncio.

Cássio negou ter cometido violência sexual contra a criança. A única parte da história anterior que ele confirma é que escondeu o corpo dela na caixa e deixou no terreno porque teria ficado com medo de ser responsabilizado pelo acidente e de ser linchado por populares.

Confrontado sobre as contradições dos depoimentos prestados na fase policial e em juízo, Cássio alegou que teria sido forçado e agredido pelos policiais para confessar. Porém, negou conhecer os agentes envolvidos.

O promotor Pedro dos Reis Campos se manifestou na quinta-feira (8) pela manutenção da prisão preventiva. Além disso, solicitou que o homem vá à júri popular. Ainda não houve decisão sobre o pedido.

Cássio foi denunciado pelo MP por homicídio triplamente qualificado, estupro de vulnerável e ocultação de cadáver. Se a denúncia for aceita pela Justiça, o homem pode ir à júri popular.

Segundo a assessoria de imprensa do MP, as penas somadas podem resultar em 63 anos de prisão. “Pode haver progressão na melhor das hipóteses em 31 anos”, informou o órgão.

Outro lado

Advogado indicado para o caso pela assistência judiciária de Hortolândia, Nelson Ventura Candello disse que os laudos do processo não trazem nenhum indício que comprovem o abuso sexual. O defensor também questionou o vídeo gravado na delegacia com a confissão.

“Tem uma confissão meia parcial dele, mas essa confissão é meio complicada porque é feita na delegacia. Você não tem o amparo de um advogado, de um promotor, de ninguém. Nessa hora é aquela história. De repente, você confessa até o que você não fez”, disse Nelson.

O advogado acredita que a tendência é de que o caso realmente vá para júri popular. “Vou lutar para que não vá, mas é muito difícil”, comentou.

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