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'VIÉS RACISTA'

Polícia Civil investiga abordagem policial contra advogado em Americana; OAB faz ato de apoio

Polícia apura conduta de PMs considerada de "viés racista" pela OAB; advogados fizeram ato de solidariedade nesta quinta, em Sumaré

Por Cristiani Azanha

01 de dezembro de 2023, às 08h51 • Última atualização em 01 de dezembro de 2023, às 09h15

O advogado João Guedes faz gesto do punho cerrado, símbolo da luta antirracista, durante ato de solidariedade da OAB em Sumaré - Foto: Marcelo Rocha/Liberal

A Polícia Civil investiga a abordagem realizada pela Polícia Militar ao advogado João Guedes, ocorrida durante a manifestação de funcionários de uma metalúrgica na Vila Dainese, em Americana, no dia 16 de novembro. A apuração é do 4º Distrito Policial.

A OAB-SP (Ordem dos Advogados do Brasil), que realizou um ato de solidariedade a João Guedes nesta quinta-feira (30), considerou com “viés racista” a abordagem ao advogado, que é negro. A Polícia Civil vai ouvir testemunhas e analisar imagens que foram gravadas para depois definir o caminho da apuração.

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O comandante do 19º BPM/I (Batalhão da Polícia Militar do Interior), o tenente-coronel Adriano Daniel, disse que uma sindicância para apurar a conduta dos policiais já foi instaurada na corporação.

Policial militar segurou o advogado João Guedes pelo cinto durante abordagem – Foto: Reprodução/Redes sociais

A atuação policial motivou a manifestação da OAB-SP (Ordem dos Advogados do Brasil), que organizou um ato de solidariedade ao defensor, nesta quinta-feira, na Casa do Advogado, em Sumaré, com o apoio da subseção de Americana.

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Para a ordem, o abordagem teve viés racista e desrespeitou as prerrogativas do defensor.

Presidente da subseção da OAB de Sumaré, Paulo Roberto da Silva relatou que mesmo se identificando como advogado durante manifestação em frente à metalúrgica, um policial militar teria puxado Guedes pelo cinto e ameaçado de colocá-lo no compartimento de presos da viatura.

Ato de apoio ao advogado João Guedes reuniu dezenas na sede da OAB em Sumaré – Foto: Marcelo Rocha/Liberal

“Temos total convicção que se o advogado não fosse negro, não teria o mesmo tratamento”, disse.

Pela primeira vez desde o ocorrido, Guedes se manifestou publicamente. Apesar de afirmar que não comentaria o caso, ele ressaltou que as imagens “falam por si.”

Em um gesto simbólico durante o ato desta quinta, o defensor levantou o punho esquerdo, símbolo da luta antirracista.

“Com meu punho direito eu levanto minha carteira, que é meu ofício e meu ganha pão. Quando tirei minha carteira da ordem, fiz para atuar em defesa do estado democrático de direito, defesa dos clientes”, disse o advogado.

A presidente da OAB-SP, Patricia Vanzolini, destacou que a entidade vai atuar intensamente contra o desrespeito as prerrogativas.

“Prezamos pelo nosso ofício, que é igual ao Ministério Público e Judiciário. Mas não temos os mesmos respeitos. Por isso, a OAB vai atuar e iremos apoiar o dr. Guedes em qualquer decisão que tomar”, explicou.

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