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Americana

Morre o ativista Ras Geraldinho, aos 63 anos, em Americana

Ele foi fundador da Igreja Niubingui Etíope Coptic que tinha entre os seus princípios o uso da cannabis para atingir o equilíbrio do ser com o mundo

Por Gabriel Pitor

27 de novembro de 2022, às 16h07 • Última atualização em 28 de novembro de 2022, às 10h07

Geraldinho foi o fundador, em 2006, da Primeira Igreja Niubingui Etíope Coptic de Sião do Brasil - Foto: Divulgação

Morreu neste sábado (26), aos 63 anos, o ativista Geraldo Antonio Baptista, o Ras Geraldinho. De acordo com informações colhidas pela reportagem do LIBERAL, a causa do falecimento foi insuficiência renal, após uma tentativa de procedimento de hemodiálise.

Geraldinho foi o fundador, em 2006, da Primeira Igreja Niubingui Etíope Coptic de Sião do Brasil cuja sede ficava em Americana, na região da Praia dos Namorados. Entre os princípios religiosos estava o uso da cannabis (maconha) para interagir com o “eu interior” e assim atingir o equilíbrio do ser com o mundo. Em 2010, ele promoveu a Marcha da Maconha, em Americana.

Por fomentar o uso da droga, considerada ilícita no Brasil, a igreja fundada por Geraldinho foi, por diversas vezes, alvo de ocorrências da Polícia Militar e da Guarda Municipal. Em agosto de 2012, depois de ser encontrado 37 pés de maconha em uma chácara de sua propriedade, ele foi preso acusado de tráfico de drogas e formação de quadrilha agravada por corrupção de menores. O julgamento se estendeu até o ano seguinte com grande repercussão na região.

“Eu acompanhei as audiências do Geraldinho. Algumas vezes aconteceram manifestações em frente ao Fórum. Foi uma repercussão enorme, principalmente por ter acontecido em uma cidade como Americana que é conservadora”, contou Anderson Barbosa 42, que foi repórter do LIBERAL por seis anos e acompanhou o caso de Geraldinho.

O Elder da seita foi condenado, inicialmente, a 14 anos de prisão, mas posteriormente a pena foi aumentada para 22. Foram 6 anos e 7 meses cumpridos em uma penitenciária de Iperó, na região de Sorocaba, antes de ser transferido para Hortolândia e depois liberado para prisão domiciliar.

COMUNICAÇÃO. Geraldinho também trabalhou como Editor de Imagem na Rede Globo, de 1985 a 1991, em Washington, nos Estados Unidos. Pela emissora, foi premiado duas vezes com o Prêmio Vladimir Herzog – a maior premiação do Jornalismo no Brasil.

Também trabalhou no marketing do PT (Partido dos Trabalhadores) e do PSDB (Partido Social Democrata Brasileiro) nos anos 2000, tendo participado de campanhas de políticos da RPT (Região do Polo Têxtil).

Em 2012, tentou se candidatar a vereador em Americana, sob as bandeiras do ambientalismo e da legalização da maconha, mas foi descartado pelo partido.

O sepultamento de Geraldinho aconteceu na manhã deste domingo (27), no Cemitério de Saudade, em Americana.

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