21 de abril de 2024 Atualizado 01:22

8 de Agosto de 2019 Grupo Liberal Atualizado 13:56
MENU

Publicidade

Compartilhe

E CONTANDO...

Moradora da Praia Azul, em Americana, captura 151 escorpiões em duas semanas

Esteticista Karina de Souza Santos Marin iniciou ação no dia 16 de outubro e usa dois potes como “prisão”

Por Gabriel Pitor

29 de outubro de 2023, às 08h09 • Última atualização em 29 de outubro de 2023, às 08h10

Karina de Souza Santos Marin, com os escorpiões dentro de um pote - Foto: Marcelo Rocha/Liberal

A infestação de escorpiões na região da Praia Azul, em Americana, tem feito a esteticista Karina de Souza Santos Marin, de 34 anos, sair de casa para capturar os animais. Com botas de borracha, pinças de aço inox, luvas e uma lanterna de luz negra, ela sai pelo bairro levantando entulhos, pedaços de calçada e indo a terrenos baldios e à orla.

A força-tarefa de Karina, que começou no dia 16 de outubro devido à frequência com que os aracnídeos estavam entrando em sua residência, na Rua Piauí, resultou em dois potes por onde já passaram 151 escorpiões-amarelos adultos – uma parte já morreu e foi descartada.

“Na orla, o problema é que os moradores da Praia Azul jogam muito entulho e os escorpiões acabam se alojando ali. Mas em todos os lugares tem escorpiões, principalmente ao lado de uma casa que tem muitas árvores e a calçada está quebrada por causa do crescimento das raízes. Você levanta o concreto da calçada e tem um monte”, contou Karina.

Receba as notícias do LIBERAL no WhatsApp

As capturas aconteceram nas ruas Cirilo Alves Pereira, Amazonas, Goiás, Albano Ferreira Jorge e na Avenida São Paulo (da orla). “Chegam a entrar nas casas também. Graças a Deus a gente tem galinhas e gatos. Os gatos que tem em casa já mataram uns quatro escorpiões”, disse.

A maior preocupação de Karina é a sua filha Alice, que tem um 1 ano e 6 meses e por vezes brinca no chão. “A gente precisa alertar o povo. Está perigoso. A prefeitura precisa fazer alguma coisa e os moradores da Praia Azul precisam ficar espertos”, atentou.

O problema é que a comunicação com a Prefeitura de Americana virou um “jogo de empurra”. Segundo Karina, ao buscar a administração, foi orientada a falar com o Centro de Zoonoses. O centro, por sua vez, disse que ela deveria procurar a Vigilância Sanitária. A vigilância mandou telefonar para o DAE (Departamento de Água e Esgoto), que não a atendeu, de acordo com a moradora.

Siga o LIBERAL no Instagram e fique por dentro do noticiário de Americana e região.

Ao LIBERAL, a prefeitura comunicou que o principal canal divulgado para reclamações sobre presença de escorpiões tem sido o SAC (Serviço de Atendimento ao Cidadão), pelo telefone 3475-9024 ou com acesso pelo atendimento digital no site da administração.

O setor responsável pelo atendimento de ocorrências desses animais é o PVCE (Programa de Vigilância e Controle de Carrapatos e Escorpiões), que reforçou que o trabalho nestes casos é de orientação.

Segundo o programa, não se trata de um caso específico da Praia Azul, pois a presença de escorpiões em áreas urbanas é uma realidade regional, que se controla principalmente com as ações dos moradores em não propiciar locais de proliferação desses aracnídeos.

Faça parte do Club Class, um clube de vantagens exclusivo para os assinantes. Confira nossos parceiros!

Por fim, o DAE realiza ações de desinsetização, que combate baratas em todos os bairros – o que ajuda a conter a infestação de escorpiões, pois eles se alimentam de baratas. A autarquia disse que vai fazer uma nova desinsetização até o fim deste ano.

Riscos

De acordo com o Ministério da Saúde e com o Instituto Butantan, quando a pessoa é picada por escorpião, a dor no local é imediata e pode se estender para o membro inteiro ou também para o sistema nervoso. Nos casos moderados, os sintomas podem evoluir para suor excessivo, vômito e taquicardia. Nos acidentes graves, além da dor intensa, podem acontecer salivação, insuficiência cardíaca, edema pulmonar e até mesmo morte.

Crianças e animais domésticos são mais suscetíveis ao veneno, portanto os sintomas evoluem rapidamente e as chances de morte são altas.

Orientações

O Instituto Butantan orienta que as pessoas agitem roupas e calçados antes de usá-los, não coloquem as mãos em buracos, sob pedras e troncos podres, usem calçados e luvas ao mexerem no jardim ou em ambientes com material de construção, afastem camas e móveis das paredes e evitem que roupas de cama encostem no chão, mantenham os ralos do banheiro e da cozinha fechados, e evitem pendurar roupas nas paredes e portas.

Caso aconteça um acidente, é recomendado lavar o local da picada com água e sabão, aplicar uma compressa morna e procurar o serviço de saúde mais próximo para receber o soro antiescorpiônico.

Publicidade