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Especial São Benedito

Histórias de fé marcam vida de devotos

Integrantes da paróquia de Americana contam detalhes que marcam a relação com o santo

Por Paula Nacasaki

29 de setembro de 2022, às 17h23 • Última atualização em 30 de setembro de 2022, às 11h49

Acólita Lívia de Araújo Nascimento, de 18 anos, integra a igreja - Foto: Junior Guarnieri - Divulgação.JPG

O representante comercial Benedito Luiz Bargas, de 57 anos, também chamado de Benê, é devoto de São Benedito e ganhou o nome do santo após quase morrer em um hospital de Americana logo em seu parto. Ele estava com o pulmão colado no intestino e, por esse motivo, não conseguia respirar.

De acordo com os médicos, ele tinha apenas 10% de chance de sobreviver a uma cirurgia. Neste momento, a sua avó materna, italiana, Maria Suracci Lazarim, foi até a capela de um hospital de Campinas, para o qual Benedito tinha sido transferido, e pediu a intercessão. Foram oito horas de operação e, segundo o devoto, pela fé de sua avó, a graça foi concedida.

A mãe prometeu dar o nome do santo ao garoto em agradecimento. “Ela falou para o meu pai: ‘Não importa o segundo nome que você vai colocar, mas o primeiro tem que ser Benedito”. E meu pai concordou depois de ouvir a história de fé”, conta o devoto. Depois disso, ele foi consagrado ao santo e desde muito pequeno participou de procissões e, em muitas delas, até vestido de São Benedito.

Aos 45 anos, Benê recorreu à intercessão do santo ao precisar passar por uma cirurgia cardíaca e foi atendido. “No centro cirúrgico, a última pessoa que pensei foi em São Benedito, agradeço a ele mais uma vez, ele estava à frente dessa cirurgia, com certeza”, afirma Benedito Luiz.

Há 17 anos morando no Jardim Colina em Americana, Benê também foi agraciado em participar da paróquia do santo ao qual é devoto.

Simbolismo. Assim como São Benedito que foi zombado pela cor da pele, a acólita Lívia de Araújo Nascimento, de 18 anos, também passou por situações delicadas, não pela sua origem, mas sim por ser religiosa e demonstrar isso com símbolos, como uma cruz no pescoço.

Benedito Luiz Bargas, o Benê, junto da esposa Roseli Bargas – Foto: Divulgação

“Ser jovem religioso é uma missão bem difícil, muitas vezes fora da igreja a gente é julgada. Me perguntavam porque eu usava a cruz, ia à missa, diziam que tudo isso era coisa de velho, mas depois você começa a entender como funciona, nasce um amor”.

Apesar dos julgamentos, a jovem continuou a sua caminhada de fé e atualmente encontrou amigos que professam da mesma crença. Ela se identifica com São Benedito devido ao seu trabalho em servir aos pobres.

Outra devota de São Benedito é Silvana Maria Cândido de Campos Tebet de 61 anos, que há mais de 20 anos trabalha na comunidade em prol do próximo. Segundo ela, quem recorre ao santo não sai sem respostas. “Ele atende a todos os pedidos”, afirma a religiosa.

Devoção. Para o padre Alex Sander Turek, São Benedito é um dos grandes nomes da história da igreja e, no seu tempo, já simbolizava despojamento, simplicidade, pobreza, humildade e a obediência à igreja.

De acordo com o padre, por ser negro, de origem africana, mas nascido na Itália, Benedito se torna um símbolo muito forte de apoio, sobretudo nos dias atuais, àqueles que mais sofrem e padecem na pele o sistema de segregação, exclusão e preconceito.

“Há muitas comunidades, sobretudo, de origem negra que veem nele uma tábua de salvação, esteio, luz, força e coragem”, afirma o padre. 

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