Estudantes de Americana criam estação meteorológica para projeto humanitário

Futuros engenheiros conseguiram realizar uma estação que calculam ter custado cerca de R$ 1,7 mil e será enviada para a ilha de Madagascar


Sol forte, escassez de chuva e terra infértil. A seca que já dura 15 anos na ilha africana de Madagascar faz da sobrevivência nesse cenário um desafio diário para a população.

Desvendar o comportamento climático do local, traçar alternativas que recuperem o solo e apresentar uma agricultura para o sustento da população são os objetivos da ONG (Organização Não-Governamental) Fraternidade Sem Fronteiras, que foca seu trabalho na cidade de Ambovombe.

Para isso, a organização vai usar uma tecnologia desenvolvida em Americana por cinco estudantes das engenharias Elétrica e de Automação e Controle do Unisal (Centro Universitário Salesiano).

Foto: Divulgação
Alunos que desenvolveram o projeto, juntos do orientador do grupo e membros da ONG Fraternidade Sem Fronteiras

Os alunos fizeram uma estação meteorológica de baixo custo que será enviada ao continente africano. Um equipamento desse tipo pode custar mais de R$ 30 mil, mas os futuros engenheiros conseguiram realizar uma estação que calculam ter custado cerca de R$ 1,7 mil.

Cisternas para coleta de água da chuva e agroecologia estão entre as ideias que a ONG quer executar através dos dados que serão levantados pelo equipamento desenvolvido em Americana.

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“O que estamos vislumbrando dessa estação é que ela consiga dar, ao longo do ano, com medições diariamente, uma noção da frequência do pouco de água que cai naquele local. Chegamos há pouco tempo, dois anos e pouquinho, ainda não temos o histórico de chuvas”, disse o voluntário e coordenador de divulgação da ONG em São Paulo, Ranieri Dias.

A Fraternidade Sem Fronteiras já realiza um trabalho que ajuda quatro mil moradores de Ambovombe, oferecendo principalmente serviços médicos à população e ajudando crianças de rua.

“Estamos falando de uma região fortemente afetada pela seca, que dificilmente tem chuvas regulares, não tem água doce. Mais de um milhão de pessoas naquela região passa sede e fome”, completa o coordenador.

Foto: João Carlos Nascimento / O Liberal
Estação meteorológica foi desenvolvida por estudantes das engenharias Elétrica e de Automação e Controle do Unisal

A equipe que desenvolveu a estação é formada pelos alunos Caique Lima, Guilherme Turina, Raony Uzae, Vinicius Muniz e Andres Kuajara.

Eles receberam uma bolsa para realizar o trabalho, que levou cerca de um ano, e a faculdade comprou os censores iniciais para o equipamento. Eles assumiram os custos e serão reembolsados pela ONG.

O estudante Andres Kuajara, de 26 anos, disse que o principal desafio foi conseguir uma estação a baixo custo. Como solução, a equipe resolveu investir em censores baratos e que conseguiriam entregar resultados confiáveis.

A equipe abriu mão da precisão que um estudo científico demandaria – com censores mais caros – e focou na necessidade que o uso prático da estação vai demandar.

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Além disso, o sistema de montagem vai contar com recursos naturais de Madagascar, como madeira, o que também ajudou na economia. “A gente se sente muito honrado de estar fazendo parte desse projeto, que sem dúvida pode ser aplicado em outras cidades que a ONG está atuando. Desenvolver tecnologia social tem sido um privilégio”, declarou o estudante.

A ONG estuda enviar o equipamento na próxima caravana para Madagascar, em novembro.

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