Empresário vira réu por lavagem de dinheiro e ocultação de bens

Marcelo Rodrigo Pio foi preso em sua academia, na Avenida Campos Sales, em Americana; estabelecimento encerrou atividades após a detenção


Preso na Operação Marco Polo, do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) de Piracicaba, o contador Marcelo Rodrigo Pio, de 44 anos, virou réu pelos crimes de lavagem de dinheiro e ocultação de bens. O juiz da 2ª Vara Criminal de Americana, Eugênio Augusto Clementi Júnior, aceitou a denúncia apresentada pelo MP (Ministério Público).

Foto: João Carlos Nascimento / O Liberal e Reprodução
Academia Performance Gym, de propriedade de Marcelo Rodrigo Pio

A investigação do Gaeco aponta que Marcelo movimentou mais de R$ 300 milhões nos últimos cinco anos em um esquema de lavagem de dinheiro que utilizava sete empresas de fachada.

O empresário foi preso em Americana no dia 29 de outubro na academia Performance Gym, da qual é proprietário e que fechou as portas dois dias depois.

Em entrevista ao LIBERAL, o promotor responsável pelo caso, Alexandre de Andrade Pereira, diz que o agora réu era contratado para lavar o dinheiro de traficantes e estelionatários. Em seguida, direcionava a verba para contas no exterior, em paraísos fiscais.

Marcelo recebia de comissão uma porcentagem sobre cada movimentação financeira. No dia de sua prisão, o contador confessou o crime, segundo Alexandre. A íntegra do depoimento ainda não está disponível no processo.

Em sua decisão, o juiz Eugênio entendeu que “a materialidade do delito encontra-se demonstrada nos autos” e que apresenta “indícios suficientes” da autoria do réu.

Evasão

Além dos crimes de lavagem de dinheiro e ocultação de bens que serão julgados pelo TJ-SP (Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo), o empresário será denunciado por evasão de divisas. O crime ocorre quando o dinheiro é enviado ao exterior sem que seja declarado.

Receba as notícias do LIBERAL pelo WhatsApp

Na denúncia apresentada pelo MP, existe a relação das sete empresas utilizadas pelo contador. Uma delas, a Manfrini Importação, Serviços e Logística Eirelli-EPP, sediada em Americana, movimentou R$ 54 milhões no período de 27 de setembro de 2016 a 14 de agosto de 2018.

Apesar da movimentação financeira, a Manfrini nunca registrou empregados, segundo o MP, que apontou ainda que o endereço da empresa é o mesmo onde funciona o escritório de advocacia do irmão do réu, Anderson Natal Pio, que não foi denunciado no caso. O advogado é o responsável pela defesa de Marcelo no processo.

Ouça o “Além da Capa”, um podcast do LIBERAL

Dos R$ 54 milhões movimentados pela Manfrini, R$ 291.904,79 foram creditados em favor da empresa por Victor Jun Ho Kim, que foi denunciado em 2014 pelo MPF (Ministério Público Federal) de São Paulo por um esquema de evasão de divisas por meio de importações reais e falsas. Ele e mais três pessoas atuavam em uma quadrilha que foi desmantelada em 2011 na Operação Pomar.

Academia

Alvo de busca e apreensão na Operação Marco Polo, a academia Performance Gym, na Avenida Campos Sales, encerrou suas atividades “por tempo indeterminado”. O anúncio foi feito em postagem no Facebook no dia 31 de outubro.

O LIBERAL enviou mensagem para a página da academia questionando o motivo do fechamento e como ficou a situação dos alunos. Uma pessoa responsável pela administração do perfil respondeu apenas que a academia estava fechada e ignorou os demais questionamentos.

Outro lado

Na tarde desta sexta-feira, a reportagem entrou em contato com o advogado do contador, Anderson Natal Pio, mas ele disse que não poderia conversar porque estava “na estrada”. As mensagens enviadas não foram respondidas, assim como as ligações posteriores não foram atendidas.

LIBERAL VIRTUAL Acesse agora