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Investigação

DDM diz ter ‘vários registros’ de relatos de abusos expostos no Twitter

Delegacia de Defesa da Mulher de Americana entrou em contato com vítimas por meio de postagens feitas em rede social

Por George Aravanis

04 jun 2020 às 08:12 • Última atualização 04 jun 2020 às 11:41

A delegada Regina Castilho Cunha, da DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) de Americana, informou nesta quarta-feira que a equipe da unidade policial entrou em contato com várias vítimas que relataram casos de abuso sexual no Twitter nos últimos dias e que já tem “vários registros” dos fatos.

O caso mobilizou autoridades depois que várias meninas contaram na rede social que foram assediadas, importunadas e estupradas, com a hashtag #ExposedAmericana.

Delegacia de Defesa da Mulher de Americana fica na Rua Argentina, 242 – Foto: Marcelo Rocha / O Liberal

Regina, que respondeu a uma mensagem da reportagem pelo WhatsApp, não detalhou quantos casos a polícia identificou e o LIBERAL não conseguiu falar por telefone com a delegada.

“Só tenho a informar que entramos em contato com várias vítimas através das postagens e já temos vários registros”, escreveu a chefe da DDM à reportagem.

Em paralelo, o MP (Ministério Público) de Americana entrou no caso e informou que vai pedir oficialmente, ainda esta semana, que a polícia faça investigações preliminares.

O promotor de Justiça Fernando Novelli Bianchini disse que as postagens são preocupantes, e que é necessário que as vítimas prestem depoimento formal para detalhar os fatos.

A partir daí, será possível detectar em qual tipo de crime cada ato pode ser classificado. A orientação do MP é que as vítimas denunciem o crime formalmente.

O ideal, afirma Bianchini, é elaborar o boletim de ocorrência na delegacia, mas o MP também fornece um canal de comunicação pelo aplicativo Linha Direta, disponível no site da instituição (www.mpsp.mp.br).

Por mais burocrática que seja, a via mais adequada ainda é a que passa pelas autoridades e órgãos oficiais de proteção. Confira aqui todos os canais de denúncia.

O promotor reconhece que esse tipo de crime causa muito constrangimento às vítimas, mas afirma que a denúncia formal é a maneira mais efetiva para chegar à responsabilização do culpado.

“Quanto mais rápido a denúncia for feita, de forma mais detalhada, maior é a chance de você ter inquérito policial instaurado, responsabilizar a pessoa. Essa é a orientação do MP”, afirmou Bianchini.

O Conselho Tutelar de Americana discutiu o assunto ontem e pretende fazer lives para reforçar os canais de denúncia, segundo o coordenador do órgão, Rodrigo Miletta.

Nos vídeos, que não têm data para serem colocados no ar, o órgão pretende abordar o fato de que expor os acusados pode gerar problemas para quem faz as denúncias.

O telefone da DDM de Americana é (19) 3462-1079.

Podcast Além da Capa
O novo coronavírus representa um desafio para a estrutura de saúde de Americana, assim como outros municípios da RPT (Região do Polo Têxtil), mas não é o primeiro a ser encarado. H1N1, dengue, malária, febre maculosa. Outras doenças também modificaram rotinas, exigiram cuidados além do trivial – ainda que não tenha havido quarentena, como agora – e servem de experiência para traçar paralelos com o atual cenário. Nesse episódio, o editor Bruno Moreira conversa com a repórter Marina Zanaki, que assina uma série de reportagens sobre outras epidemias em Americana.

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