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Americana

CCZ de Americana orienta população sobre aparecimento de gambás

Animais, que são bem adaptados ao meio urbano, não oferecem riscos às pessoas; veja as dicas

Por Heitor Carvalho

21 jan 2021 às 07:34

Um morador das proximidades do CCL (Centro de Cultura e Lazer) da Avenida Brasil, no Jardim São Paulo, em Americana, tem reclamado sobre a aparição de gambás em sua casa.

Segundo o morador do imóvel, o auxiliar de transporte Marcus Tiberio, 39 anos, uma quantidade grande desses animais tem frequentado sua casa todos os dias.

“Estamos sendo invadidos por estes bichos dentro de casa. À noite eles fazem a festa aqui dentro. Em um dia, já foram oito bichinhos mortos pelas minhas cachorras. Tenho dó deles, mas não sei o que fazer”, contou.

Morador do Jardim São Paulo relata “infestação” de gambás em sua residência – Foto: Divulgação

A coordenação do CCZ (Centro de Controle de Zoonoses) informou que recebeu a reclamação e que esclareceu, no teor da resposta, sobre a impossibilidade de manejo desse animal por parte da prefeitura.

De acordo com a pasta, o gambá é um animal da fauna silvestre e não existe nenhuma ação voltada para a população desses animais.

Apesar do CCZ também esclarecer que os gambás não são de interesse da saúde pública, já que não são reservatórios e nem transmissores de doenças, o biólogo Thiago Pietrobon, 41 anos, faz uma ressalva.

“Todo mamífero pode transmitir raiva através da saliva. Além disso, apesar de ser raro, esses animais também podem transmitir leptospirose pela urina e alguns parasitas pelas fezes, portanto o ideal é evitar o contato direto com eles”, orienta.

O animal
Duas espécies de gambás, que são mamíferos marsupiais, vivem no Brasil: o gambá-de-orelha-branca e o de orelha-preta.

A espécie de orelha-branca (Didelphis albiventris), é aquela que é frequentemente encontrada na maioria dos biomas brasileiros e, inclusive, nas áreas urbanas.

Apenas a fêmea possui o marsúpio, a bolsa externa que os mamíferos alojam os filhotes e de onde vem o nome dessa classe de animais.

Essa época mais quente do ano, entre a primavera e o verão, coincide com o período de reprodução e amamentação da espécie, quando as fêmeas se expõem à procura de alimentos ou de abrigo para ela e seus filhotes.

O gambá apresenta dois comportamentos de defesa, costuma fingir-se de morto e exalar um odor forte e fétido, na intenção do atacante desistir.

Por conta do fato transitar em áreas urbanas e conviver tão próximo ao homem, acabam sofrendo atropelamentos, ataques de cães domésticos e violência por parte de pessoas, o que deve ser evitado.

Segundo Pietrobon, os gambás são onívoros e comem de tudo, desde insetos até animais pequenos, como ratos e aves, além de muita fruta, o que faz com que eles convivam bem com humanos.

“O grande motivo de nós encontrarmos eles cada vez mais é a diminuição de áreas verdes e a ausência de predadores naturais, além do fato deles se adaptarem muito bem às áreas urbanas, aproveitando os restos de alimentos que deixamos no lixo”, afirmou.

Além disso, Pietrobon também alerta sobre a importância ecológica da espécie, principalmente no controle de pragas urbanas que são muito perigosas aos seres humanos.

“Se nós tirarmos esses animais de nossos parques e praças, a população de roedores, que transmitem muito mais doenças, tende a aumentar. Além dos ratos, eles também comem animais peçonhentos, como escorpiões”, conclui.

O que fazer se um gambá aparecer na sua casa?

  • Para evitar esse “hóspede”, recomenda-se vedar aberturas entre telhados e forros da casa, acondicionar o lixo corretamente e retirar sobras de rações de cães e gatos;
  • Evite deixar nos quintais qualquer tipo de alimento que sirva de atrativo aos animais, principalmente ração para cães e gatos;
  • Outra razão para o aparecimento dos gambás é a procura de um local tranquilo e considerado seguro para fazer um ninho, como os forros das residências;
  • Por hábito, o gambá pode procurar um canto mais escuro para se esconder e quando escurecer sair com maior facilidade e segurança, por enxergar melhor no escuro e ter hábitos noturnos;
  • Se o gambá estiver no quintal e houver vegetação ou árvores próximas, o morador pode colocar alguma madeira, simulando uma escada, para facilitar a sua saída;
  • Não é recomendável acuar o animal, o ideal é que ele encontre o caminho para fuga.

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