Aposentado aproveita caminhada para recolher lixo no Nova Americana

Emilson Milani é a pessoa certa, no lugar certo, para dar a destinação certa ao lixo que encontra pelas ruas de Americana durante suas caminhadas


Todas as manhãs, o aposentado Emilson Milani, de 61 anos, sai de casa para caminhar pela região do bairro Nova Americana. Durante o percurso de quase uma hora, aproveita para recolher o lixo que encontra jogado no caminho.

Foto: João Carlos Nascimento / O Liberal
Milani no canteiro central da Avenida Abdo Najar, um dos pontos visitados por ele de forma rotineira durante as caminhadas

Para tornar a tarefa mais fácil, ele já sai munido com um saco plástico onde vai colocando tudo o que tira das ruas. “Para mim, isso é algo natural. Eu pego o que eu consigo recolher e depois descarto no lugar certo”.

Se for reciclável, ele informa que junta tudo e depois deixa no portão da casa de um senhor que vende esse material para sobreviver. Milani diz já ter encontrado todo tipo de lixo sujando as ruas. De fraldas de bebê usadas a garrafas de bebida jogadas no canteiro central da Avenida Abdo Najar.

“Não consigo entender como as pessoas fazem isso. Jogam o lixo na rua, sujando a frente da casa dos outros sem se preocupar com o meio ambiente ou com o bem-estar do próximo. Tem escola no trecho onde passo, tem parquinho infantil e nem isso as pessoas respeitam”, lamenta o aposentado, que admite não encarar o seu gesto como algo trabalhoso. “Estou só fazendo a minha parte e dando a minha contribuição ao meio ambiente”.

Milani começou com as caminhadas por recomendação médica, em 2016. “Fiz um cateterismo e médico pediu para eu fazer caminhadas. Aí comecei a perceber que por onde eu passava sempre havia lixo jogado na rua. Um copo descartável, uma garrafa pet e até fralda de bebê. Isso começou a me incomodar. Ninguém gosta de caminhar num lugar com lixo. Então comecei a recolher tudo o que via pelo caminho”.

O aposentado conta que nunca volta para casa com o saco plástico vazio. Ele informa que já chegou a encher um saco de 60 litros em poucos quarteirões. O volume maior é recolhido especialmente após os finais de semana e feriados.

O que não é reciclável e ele consegue recolher, Milani coloca no saco e descarta na lixeira mais próxima. “Tem gente que fala ‘você é maluco’ e há quem deva achar isso mesmo. Mas se é algo que não me constrange e nem me atrapalha, por que não fazer?”, indaga.

Foto: João Carlos Nascimento - O Liberal
Milani começou com as caminhadas por recomendação médica, em 2016

Entre reclamar da sujeira ou recolher o lixo, Milani admite preferir a segunda opção. “Não adianta só culpar o poder público, e também não acho certo deixar o lixo jogado na calçada e reclamar que o varredor não passa”.

Assim, recolher o lixo virou um hábito. Ele foi homenageado por alunos de uma escolinha infantil existente no seu trajeto pelo gesto de contribuir com o meio ambiente e a limpeza.

“Fiquei feliz porque é de pequenininho que se aprende, mas sou só um cidadão tentando fazer a sua parte. Se cada um cuidasse da frente da sua casa, não estaríamos com o meio ambiente degradado”, completa.

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