Benaiah foge do estereótipo de abrigo de idosos

Quem chega pela primeira vez ao local esquece que está em uma instituição que atende gratuitamente a idosos a partir de 60 anos; veja como ajudar


Quem chega pela primeira vez no Residencial Evangélico Benaiah, no bairro Terramérica, esquece por alguns instantes que está numa instituição beneficente que atende gratuitamente idosos a partir de 60 anos que por algum motivo não estão mais no convívio da família.

Foto: Marcelo Rocha / O Liberal
Camargo: Benaiah defende vínculo com a família

O ambiente amplo, bem decorado, com casinhas avarandadas, de frente a um jardim com direito a quiosque com espreguiçadeiras, pergolado, muitos bancos de madeira, vasos e plantas reflete o conceito da instituição em oferecer dignidade a quem chegou a esse estágio da vida.

O Benaiah é o abrigo para idosos mais antigo do município. Foi fundado pela Igreja Presbiteriana de Americana há mais de 50 anos. Ele funcionava num espaço no bairro São Domingos até construir a nova sede, onde manteve a proposta de ser uma espécie de vila abrigando cada idoso em sua casinha.

Na nova sede são 12 casas. Cada uma com um banheiro e dois quartos, com capacidade total para quatro pessoas. Atualmente, 40 estão abrigadas no local. A maioria chegou encaminhada pelo Creas (Centro de Referência de Assistência Social) e o caminho que as levou até ali passa por situações de vulnerabilidade, onde a família não podia mais exercer a condição de cuidadora.

Mesmo afastados da família, o Benaiah defende a manutenção do vínculo. “É obrigação da família se fazer presente”, diz o presidente da instituição, Hélio de Oliveira Camargo. O horário de visitas é livre e mesmo assim há aquelas que não comparecem nem nas datas especiais.

“Muitas vezes o idoso se prepara esperando chegar alguém e esse alguém não vem. É muito triste. Ele está aqui, o ambiente é agradável, mas isso não supre o vínculo familiar”.

A instituição conta com uma equipe de 32 pessoas para cuidar dos idosos. O número inclui nutricionista, fisioterapeuta, psicóloga, enfermeiras, assistentes sociais, cuidadoras e equipe de apoio. Esse quadro, aliado às dependências amplas e modernas, faz o local ser considerado referência na sua área de atuação.

A maior parte dos recursos para manter essa estrutura vem do convênio mantido com o município e dos créditos da Nota Fiscal Paulista “O Benaiah tem uma estrutura sólida financeiramente, mas está sempre lutando para não perder a qualidade de vida que oferece aos idosos. Para nós isso é muito importante. Sempre idealizamos um espaço como esse, onde eles pudessem vivem com dignidade”.

As doações também representam fatia importante na luta para manter sua estrutura. “Tivemos medo, no início, de que ao se depararem com um lugar bonito as pessoas fossem entender que não precisávamos de ajuda e as doações fossem cessar. Mas graças a Deus isso não aconteceu. Percebemos que quando se deparam com o resultado das doações, ficam ainda mais motivadas em colaborar”.

Fundador, Alcides Luchesi hoje mora no local

Alcides Luchesi é um senhor de 90 anos que chegou ao Residencial Evangélico Benaiah há apenas dois. Não é o tempo de residência na instituição que o diferencia dos demais. Ele foi um dos fundadores do lugar onde agora mora. A reunião de fundação foi na casa de Luchesi. Viúvo há 22 anos, ele vivia sozinho desde quando a mulher faleceu. Morava na região do São Domingos e seu ofício era conhecido de quem passava pela Avenida 9 de Julho.

Foto: Marcelo Rocha / O Liberal
Alcides Luchesi só se mudou depois de ensinar seu ofício

Uma plaquinha, em frente à casa, indicava que ali morava alguém que tecia encosto e assento de cadeiras em palhinha. Alcides perdeu as contas de quantas cadeiras antigas recuperou pela cidade.

Quando estava prestes a completar 90 anos, tomou a decisão de ir morar no lugar que ajudou a criar. Mas antes se preocupou em não deixar o ofício morrer e passou adiante todo seu conhecimento. Quando encontrou o aprendiz certo e viu que a tradição estava garantida, foi viver no Benaiah.

Ele diz que antes de ajudar a fundar a entidade não imaginou que ela pudesse se transformar na instituição que é hoje. “Seria bom se houvesse uma coleção de Benaiah por aí”, diz bem-humorado, antes de explicar o significado da palavra que dá nome ao lugar. “Benaiah significa edificado por Deus e a gente sente que a mão de Deus está agindo por aqui”.

Foto: Marcelo Rocha / O Liberal
Olga Zanini classifica o lugar como “o melhor” para se morar

Lá também vive Olga Zanini, uma senhora de 83 anos que viveu durante mais de seis décadas no bairro São Domingos, em Americana. Seu avô, ela conta, foi o primeiro morador do bairro, onde hoje há uma rua com o seu nome (Agostinho Zanini). A certa altura da vida, quando decidiu que era hora de ir para uma casa de repouso, o destino a levou para outro ponto da cidade.

Hoje ela vive numa casa dentro do Benaiah e classifica o lugar como “o melhor” para se morar. Olga é uma das 40 pessoas assistidas pela entidade e diferente de outras que lá estão, chegou por escolha própria. Solteira e sem filhos, entendeu que era a melhor opção. “Não quis tirar a liberdade de ninguém”.

Olga tem um sobrinho que a visita com muita frequência – o que a deixa muito feliz – e diz que a essa altura da vida está vivendo coisas que não teve quando jovem. “Passeio muito e vou começar a aprender computação”. A senhora de 83 anos vive cercada por outros idosos. Cada um com sua história. Pelo menos duas colegas de residência estão lá há mais de 30 anos, enquanto a mais jovem de casa está ali há apenas três meses.

Serviço

Onde fica o Residencial Evangélico Benaiah: Rua Benaiah, 290 – Jardim Terramérica
Telefone: (19) 3471-8472
Email: contato@benaiah.org,br
facebook/espacobenaiah
benaiah.org.br

Como ajudar
- Sendo um voluntário
- Doando o seu tempo para visitar o local e interagir com os idosos
- Contribuindo com doações de qualquer espécie para:
Associação Beneficente Residencial Evangélico Benaiah
Banco do Brasil
Agência 6.624-9
CC 110.000-9

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