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‘Pimp my carroça’

Ação transforma carrinhos de catadores de reciclável em Americana

Iniciativa é resultado de parceria entre a Papirus e ONG, que convidou grafiteiros da região

Por Maíra Torres

06 de novembro de 2021, às 15h52 • Última atualização em 06 de novembro de 2021, às 16h38

Cinco carroças de catadores de recicláveis do Jardim dos Lírios, Cidade Jardim e Mathiensen, em Americana, receberam intervenções artísticas neste sábado. O objetivo é tirar esses trabalhadores da invisibilidade social por meio da arte e ajudá-los a ampliar sua renda.

Quem escolhe o tema da arte são os próprios catadores durante uma conversa com o artista responsável – Foto: Claude Junior – O Liberal.JPG

A ação vem de uma parceria entre o trabalho e produção da ONG Pimp My Carroça e o patrocínio da empresa Papirus, fabricante de papel-cartão localizada entre Limeira e Americana.

Por conta da pandemia do novo coronavírus (Covid-19), todo o processo de reforma da carroça, antes realizado em um dia, começou na quarta-feira, com a adaptação, reforço e pintura das estruturas, troca dos pneus e colocação de placas de policarbonato, que seriam estilizadas.

Quem escolhe o tema da arte são os próprios catadores durante uma conversa com o artista responsável, que teve entre 8h e 14h para terminar a tarefa neste sábado.

Severina da Silva, por exemplo, que tem 58 anos e é catadora em Americana há pelo menos 25, veio de Recife para trabalhar e escolheu peixes, sua filha e netas como tema. “Eu vim do Nordeste quando o pai dela me deixou. Lá eu gostava muito de pescar e de peixes. Escolhi isso porque minha filha e netas são, cada uma, um peixinho”, explicou.

– Foto: Claudeci Junior – O Liberal.JPG

Carlos Aparecido, de 69, recolhe recicláveis há 15 anos e teve uma paisagem pintada na carroça. “Se Deus quiser tudo melhora agora”, pediu.

A estimativa da organização, que mantém contato com os catadores após as reformas das carrocerias, é de que a renda dos beneficiados aumente em 20% após a intervenção artística.

“Eles começam a ter mais entrada em comércios, as pessoas respeitam mais, pedem para tirar fotos do carrinho e avisam quando têm recicláveis. Por isso eles não têm só a melhora da autoestima, mas também da renda”, afirma Eliane Sanches, coordenadora da Oficina Pimp.

Ao todo, pelo menos oito pessoas estiveram diretamente envolvidas na oficina. Dentre eles, um serralheiro e cinco grafiteiros convidados de diversas cidades da região, como Araras, Limeira, Rio Claro e Americana.

Além do ponto de vista artístico e econômico, Wellington Pessoa, um dos artistas convidados, falou também sobre o caráter social do evento. “Fico muito honrado em ter sido convidado para participar do projeto. Eu espero trazer uma visão menos marginalizada e injusta que algumas pessoas têm dos catadores”, diz

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Há, ainda, a questão ambiental, pois a iniciativa contribui para a economia cíclica, segundo a Papirus. “Parte do papel-cartão produzido pela empresa usa fibras de materiais reciclados, então, colaborar com o catador, que faz um trabalho digno de conscientização ambiental, é uma forma digna de aproximar essas pontas da economia”, explica a coordenadora de marketing da Papirus, Eliane Dantas.

Ao final das reformas, os catadores receberam um kit de segurança composto por máscaras de proteção, boné, camiseta e calça com faixas refletivas, capa de chuva, corda, balança de mão, cadeado e outros equipamentos que ajudarão no dia a dia da coleta dos resíduos.

Ao todo, pelo menos oito pessoas estiveram diretamente envolvidas na oficina – Foto: Claudeci – Junior – O Liberal.JPG

ORIGENS. O evento se originou com a ONG Pimp My Carroça em 2012, fundada pelo grafiteiro e ativista Mundano, com o objetivo de tirar os catadores da invisibilidade e melhorar sua renda. Desde então a ação já percorreu 15 países e 50 cidades, ajudando a transformar o trabalho de 2.022 catadores.

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